quarta-feira, 25 de maio de 2011

Matemática básica

ESCOLHER UMA só música pra cantar é sacanagem.
Maluquice. Não sei por onde começar.
Automaticamente ao gostar de uma, passo a gostar de mais três.
E meu problema só aumenta, em progressão aritmética (ou geométrica, nem sei)
Agora tenho aqui 253 músicas absolutamente irresistíveis. E a dúvida que vale sempre o dobro.
Então temos:
x = 3x que de algum jeito vira 253 e essa dúvida valendo o dobro.
Ahn. 
Entende quando eu digo que não sei por onde começar?

terça-feira, 24 de maio de 2011

Caso de polícia


- Calma moça, sente-se aqui por favor. Quer um copo d´água?
- Obrigada.
- Então agora tente se lembrar como tudo aconteceu.
- Tá. Hoje de manhã eu estava arrumando elas pra escola, como faço todas as manhãs, e estavam todas ali, juntas, coloridas e cobertas de açúcar como todo dia. Dai fui para o quarto pegar a bolsa para saírmos, e quando voltei ali, elas não estavam mais. Nenhuma. Não passei mais de um minuto longe delas, eu tenho certeza... como pude deixar isso acontecer com minhas queridinhas? Justo elas, tão doces! Como alguém poderia pensar em fazer mal a elas?... Meu deus, o que será delas agora?
- Calma, moça. Você tem alguma idéia de alguém que pudesse ter feito isso, que pudesse estar envolvido neste ocorrido?
- Não, não.. todas são muito queridas, educadas...todo mundo gostava delas! Eu devo ser uma mãe horrível mesmo... 

* Nenhuma jujuba foi ferida ou extraviada durante a produção deste conto.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pow pow pow

ESTÍMULO é quando uma montoeira de fogos de artifício começa a estourar em algum lugar ai dentro só porque a vida trouxe uma faisquinha.

Acidente

EU NÃO LEMBRO como foi. 
Nem da cor, nem dos faróis, nem do barulho. Talvez até já tenha se passado alguns dias.
Também não consigo identificar a marca dos pneus. Ou lembrar como foi que cheguei em casa. E quando.
Eu só tenho a impressão de um grande buraco onde deveria estar essa memória.
Mas não há outra possibilidade. Eu fui atropelada.
Aparentemente depois disso fui arremessada 134 vezes de um muro a outro por cima da rua, feito uma bolinha de ping pong descrevendo uma trajetória regular e constante, depois de ser amararrada como uma vassoura de palha em uma abóbora desproporcional ao meu tamanho. (?)
Sim, foi isso. Nada mais poderia explicar essa experiência fantástica de consciência plena da musculatura do meu corpo.
(isso sem exageros, claro)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Luz de cima

SÓ COMEÇA a anoitecer depois que eu perco o ônibus.
E contra a luz e a favor da miopia, não enxergo muito mais que uns faróis passando por mim. (farolzinho farolzão)
Não me assusto se um dia eu acenar pro motorista errado, 
  só porque vi aquelas luzinhas da esperança chegando.
(É 2,50 né?)

Lombriga chique

EU ADORO comer em mesa bonita. 
Minhas lombrigas se atiçam só de olhar.
Aquela mesa com direito a toalha de bico (que a vó fez) e guardanapo embaixo dos talheres arrumadinhos.
E se tiver uma florzinha, ha! 
Dai sim tenho certeza de que todas as minhas eventuais faltas culinárias serão devidamente perdoadas. 
O carinho é um truque infalível pra dar aquela corrigida no tempero, não sabe?

Mas moça...

TAVA AGARRADA no postinho do ônibus como se estivesse numa montanha russa.
(é, talvez estivesse mesmo meio parecido)
Ela não deixava ninguém se segurar, ninguém passar 
 e bem pediram com licença antes de tentar 
  a infálivel tática do empurrão.
Nada. Ela continuava imóvel.
Pelo jeito ela não pensava em se soltar tão cedo dali. 
Já pensou quando recolherem o ônibus as 23:57 no terminal do Capão Raso, e ela ainda agarrada ali, só faltando gaguejar
- Na-a-a-aooo, tô bem aqui! Eu vou ficar! Podem ir!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

3 pulinhos

XIXI. Xixi. Xixi. Xixi. Xixi.
Mulherada apurada esperando a coragem dar as caras.
Eu que não vou mostrar minha bunda praquele banheiro gelado.
(ainda mais depois de uma garrafa inteira de cházinho quente)
Nessas horas eu queria ter aquela pecinha, pra me ajudar nessa questão delicadíssima.
Enquanto isso, a mulherada aqui vai pagando promessa adiantada pra São Longuinho. (pra disfarçar né)

Segurança armada

ENTÃO é isso? Tudo o que eu te contar você vai escrever, agora?
É, aparentemente sim.
E a minha privacidade? E a minha imagem diante dos outros?
Tudo pela arte, relaxa, ela te protege...
Ah mas claro que sim, e quem vai me proteger de você?
(hm...)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Doa-se

ELA VEIO dizendo que quando morrer vai doar tudo que puder 
  até porque depois de bater as botas, não vai precisar mais desse aparato todo.
E que o que puder, já vai doar em vida mesmo,
pra dar uma incentivada no regime (que tá difícil, menina)

Alguém aí tá precisando de alguma coisa? Rim, pulmão, medula... estou com o jogo completo! Tá aqui só ocupando espaço.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Pac man

Antes do almoço, aquele monstro, ou bicho, enfim, aquele troço barulhento grita de dentro da pança:
burrooouroururauuu

(hmmm lasanha)

Eza eza eza

VERGONHA é uma tristeza recolhida que todo mundo consegue ver.
Também se aplica a safadeza e a beleza. 
(deve ser a terminação)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

E por aí vai

TUDO o que eu amo me tira o sono.
Levo incronometráveis minutos saboreando diálogos e fantasias.
E quanto mais sono eu perco, mais coragem eu ganho
Mais real a coisa se torna.
E mais eu amo,
(e menos durmo)

Brrrrr!

Nossa, mas que frio é esse?
Ah, foi um novo que saiu agora. Tá na moda, parece.

Meio malvada


ELA TROCOU a caixinha de mão pra poder tocar campainha.
E já estava esperando encontrar a outra toda descabelada de pijamas 
  naquele domingo chuvoso com um menu inteiro de desculpas perfeitas pra preguiça.
Por sorte nem tudo isso era verdade, mas ela tinha vindo devidamente preparada. 
E ela sabia também que não há estado de acabadura do ser que não possa se resolver com uma combinação generosa de chocolate e doce de leite.
Então se sentou a mesa, empurrou a caixinha na direção da outra e disse:
Acaba logo com isso, que precisamos ter idéias.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ô dó

EU TAVA andando pela rua, passeando depois do almoço, quando vi um cachorrinho levando sua dona para passear. Todo esbaforidinho.
Eu que não sou boba nem nada, já fui me abaixando pra fazer uns agrados no bicho, quando a dona enferruscada falou: cuidado aí que isso morde todo mundo - mas a única coisa que o peludo fazia era me encher de beijo e beijo e beijo. (isso?)
Andei meia quadra antes da dona conseguir retomar o caminho, porque ele se jogava na minha direção como se dissesse: me saaalvaaa me saaalvaaa dessa bruuuxaaa!!!

Digite seu apelido aqui


- VOCÊ TEM apelido, assim, como te chamam geralmente?
- Não não, não tenho nenhum. Quer dizer, tem um velho, mas tô abandonando ele.
- Ah tá, então nem vou guardar. Mas como você gostaria de ser chamada?
(Um minuto e um sorrisinho depois)
- ”Uma Diva”.  Já pensou que lindo, num letreiro?

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Sei não

EU TAVA ALI, só fazendo meu trabalho:
- Oi Seu Zé, você pode dizer o endereço do seu filho, pra completar a ficha dele aqui?
- Tá bom fia, ele ta morando ali na rua de trás agora que se ajuntou com a mulher, sabe o nome da rua?
- Sei sim, e o nome da mulher dele como é? Sabe se eles tem telefone?
E o danado me responde assim:
- E lá sou obrigado a saber o nome da mulher dos outros?

Bom, eu também não sou. Dei risada e fui embora.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Caiu a ficha



- Você e linda.
- Hm.
- É sério. Eu não sei explicar. Você me confundiu os sentimentos. Não sei mais o que eu sinto...
- Hm.
- E além disso, tem minha namorada. Ela me deixa muito inseguro, eu nunca sei dela quanto gostaria.
- Hm.
- Nossa, aí agora eu tô nessa. Eu penso em você, e tem ela. Eu não sei mais o que eu quero.
- Ah, eu sei o que você quer.
- Hm?
- Você quer que eu te apareça com uma justificativa perfeita pra um chifrinho desculpável.
- Não, claro que não. Eu gosto de você, eu só...
(tu tu tu tu)
- Ah, eu sei. Olha, minha mãe tá me chamando pra jantar.
- Mas você não mora sozinha?
- Tu tu tu tu


Imagem do icanread.tumblr.com

Diversão não tem hora



EU PERCEBO que estou chegando num nível crítico de seriedade quando reparo os outros brincando com a rotina mais do que eu costumaria brincar.
Tipo uma mulher que tava se segurando no poste ônibus,
  e se movimentando toda exagerada conforme o balanço
Como se tivesse num daqueles brinquedos de play center. 
(iuhuuuu)

*
Sério, vejam esse depósito de maravilhas: icanread.tumblr.com

Ih, não era

CARÊNCIA é quando o sujeito vem assobiando lá fora, e você já mete a mão na bolsa achando que é o celular que tá tocando.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Caravana da onde?

VOCÊ TÁ ALI de bobeira tomando café da tarde quando vê uma pontinha de idéia aparecer.
Aí logo você começa a mastigar de leve essa idéia pra ela aparecer melhor.
Então não mais que de repente, você já não sabe mais o que fazer da vida.
Engraçado que uma idéia nunca vem sozinha.
Elas sempre aparecem em caravanas. Aos montes. 
Andando em coletivos com faixas, gritos e cartazes numa procissão desordenada. Quase protestando. 
Quase de dar medo.
De qualquer forma, é melhor dar conta de todas que puder. 
Porque ouvi falar que se você resolver ignorar e dormir, já era. Elas se juntam num protesto de verdade, violento e sanguinário, que geralmente chamam por ai de "insônia", ou também "pesadelo".
Melhor prevenir...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sofrendo por antecipação

QUANDO VOCÊ SABE que alguém vai esbarrar e derrubar a qualquer momento, a caixinha de leite que está ali em cima da mesa. 
Mas você já tá chorando desde agora.

domingo, 8 de maio de 2011

O neném ama mamãe?



TODO MUNDO é mãe de alguma coisa. 
De filho, bicho, flor, boneca ou daquele trocinho encardido que você não larga.
Até quando emendam na piada dizendo, mas eu só posso ser pai né?
Todo mundo que começa falando de si mesmo na 3ª pessoa só pra encher o outro de carinho deve ser um pouco mãe (mesmo sendo pai, ok)
Sobre ser pai, nem tá mesmo na época, e eu não disponho de informações suficientes no momento. 
Até porque ainda tô tratando de ver como é ser mãe do meu próprio nariz.


(não esquece do lenço, você pode ficar resfriada filhinha)


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com/

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O cara nem sei que cara tem

QUEM ME CONHECE sabe (ou imagina) que eu sento sempre no mesmíssimo lugar. 
O primeiro banco do lado do sol, onde não chacoalha, dá pra ler, e ainda consigo enxergar tudo. 
E todo dia passa do meu lado um cara numa bicicleta vermelha tão linda,
tão linda e vermelha,
  que tenho vontade de descer do ônibus, 
  largar tudo e sair correndo atrás dele,
  só pra perguntar se a bicicleta tem telefone.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A sedutora do ligeirinho

EU SEI que eu vivo cheia de história.
Me desculpe, mas em pé no ônibus minha única diversão é reparar.
E hoje não tinha como deixar de reparar na sedutora do ligeirinho.
Ela estava muito dedicada em fisgar aquele cara.
Ela se demorava em olhar pra ele, até piscava devagar igual desenho. 
Faltou aquele ciliozinho postiço só.
E deslizava o olhar pelo rosto dele, cuidadosa, enquanto aqueles cílios longos chamavam ele feito um dedinho... 
O pobre coitado só olhava, sorria e dizia "ahan, ahan".
Mais engraçado foi se alguém reparou em mim, de olhos neles,reparando e rindo aqui com meus botões.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Responder também não ofende...

Ê LASQUERA.
Acho que matei o homem aqui meu deus do céu.
Eu cheguei e entreguei pra ele a verdade bem na lata. 
(então tó)
Mas foi em legítima defesa, disso eu tenho certeza,
  porque foi ele quem perguntou.
Só que já tem mais de três dias
  e o sujeito ainda não voltou da cara de susto.

FÓÓÓÓN

MINHA MENTE é multimidia.
Meus pensamentos me poluem em cores, sons, formas e informações.
Eles gritam.
Como num engarrafamento, as idéias buzinam como se isso tivesse o poder de as levar daqui pra outro lugar. Mas nenhuma delas consegue se mover.
E a fila já está em cento e noventa e três quilômetros de contos protestando em placas coloridas, de ansiedade que pisca em luzes neon de todas as cores e barulheira.
Comentei sobre a barulheira?

(é a mãe!!!)

terça-feira, 3 de maio de 2011

É guerra

EU NÃO ACREDITEI quando ele começou a gritar ali do meu lado
Olhei pra fora e ainda tava escuro. E tava frio. 
Mas ele tinha toda razão, tava na hora
Só me restava então obedecer e levantar
Essa é a verdadeira batalha do cotidiano 
O resto é só noticia de jornal.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Será que era o vermelho?

ENTREI no ônibus e fui direto lá pro fundão.
Passei pelas mães que ficam trocando figurinhas atrás da roleta, pelo cara que tava em dúvida se comprava sonho ou pão de queijo pro café, e fui andando (com licença? licença)
Parei na frente da porta e me assustei com o cara de um olho cego e branco que me olhava com cara feia (mas talvez fosse o tipo meio sujo, meio barbudo, meio de mal com a vida)
E do lado dele tinha um cara lendo um jornal que dizia: VELHINHA ESQUARTEJADA, e então diante desse comitê de recepção tão acolhedor, comecei a olhar melhor em volta. 
Nenhuma roupa colorida.
Nenhum funk pancadão pra quebrar o gelo.
Parecia que uma daquelas nuvens pretas de desenho tava chovendo ali dentro, de tão escuro que tava (mas isso, reparei, era só a lâmpada do ônibus que tava quebrada)
Até que finalmente eu escuto um som conhecido muito promissor, que vinha de um celular  ali do lado: tan-tan-taram-tan-tan-tan! 
Um Power Ranger! Graças a Deus! Eu não confundiria aquela música com nada! Bem a tempo! Estamos a salvo!

Coletivo de bicos

EU ME EMBURREI com sua história, 
  que emburrou aquele outro, que se emburrou com todo o resto.
Sempre tem alguém que sai de bico de toda história.
O que me agrada meu bem, não agrada a outro nem a outro
  e não agrada outrem.
O negócio aqui nessa conversa toda
  é andar todo juntos separadamente, 
Cada qual com o pedaço que lhe cabe
E se não lhe cabe, não se esprema
E nem me afrouxe.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Mensagem secreta

O FULANO amava ciclana. Ou o contrário. 
Enfim, talvez fossem as duas coisas.
Eles moravam no meu apartamento, talvez muito antes de eu saber que ia me mudar.
Eles moravam aqui e se amavam, e lamento não poder dar mais informações sobre essa linda história.
Mas eu sei que era mais ou menos isso aí, porque todo dia depois que eu termino o banho,
aparece no espelho uma mensagem que diz: eu te amo!
O fulano amava ciclana, ou o contrário e tanto faz.
Porque todo dia eu olho aquilo escrito ali, e pego ligeiro pra mim.
Bom dia pra você também.

A verdade sobre musicais

EU ESTAVA andando pela rua quando parei pra ver uma vitrine que dizia: 
"Com o tamanho ideal para carregar dentro da sua bolsa".
Era um microfone. 
Lindo. Brilhante. E que tinha o tamanho perfeito pra caber na minha bolsa.
Então, a cortina caiu diante meus olhos, e eu entendi tudo. Claro!
E de onde mais poderiam nascer os musicais?
É preciso estar casualmente comprando qualquer coisa na padaria, e ao pegar a carteira para pagar, ver na bolsa aquele objeto imaculado e brilhante. (é agora)
E dai começar a desenrolar os versos, e todo mundo em sintonia, saem dos seus lugares e esconderijos, compondo estrofe após estrofe, enquanto executam a coreografia que jamais teria dado certo se fosse ensaiado um dia.
Me perdoem pela ignorância, mas eu não sabia que as coisas funcionavam dessa maneira. Agora que já sei, vou tratar de andar mais prevenida.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Café Platônico

Oi!
Oi.
Você acha estranho eu te chamar pra um café?
É, mais ou menos, acho que sim, acho sim...
Tá. Me convide você então, que pra mim nem da nada, eu lido bem com esse tipo de situação.

Gatas borralheiras

E NO MEIO do evento, dentro do Palácio Garibaldi:
Nossa, olha o tamanho desse lustre, deve dar um trabalho pra limpar!
É né? Mas porque você pensou nisso agora?
Ah sei lá, fiquei olhando e me veio isso!
(e meia hora depois)
Como será que fazem pra encerar esse forro?
É né, de madeira, deve dar um trabalhão...
Mas porque você pensou nisso?
Ah, engatei nesse seu momento gata borralheira. Agora já passou.
(e o babado acontecendo)

terça-feira, 26 de abril de 2011

É tarde! É tarde!

HOJE EU ACORDEI e era dia.
Acordar de dia não é bom sinal.
Virei correndo para olhar o celular e saber a quantas andam as horas, e ele estava tão dormido quanto eu.
epa, isso não vai prestar. 
Que falta faz o bom e velho pipipi-pipipi-pipipi-pipipi, terminado em PLAFT!
Ele sim não falhava nunca. 

Infernos

O MOTORISTA subiu no ônibus se esbravejando, mas que inferno! 
Inferno pra ele era a cachorrada que fazia um congresso aquela hora no terminal.
Eu, sentada ali assistindo a cena, achava que inferno na verdade, era aquele chilique todo.
Pra cachorrada em questão, nem teve nada disso. 
Rolando uma coxinha, paçoquinha ou uma beiradinha desse pastel, samo tudo amigo.
Cada um com seus cada um, né não?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O homem falou

DE ACORDO com o que eles mesmos contaram depois, nós invadimos o palco, muito intimidadoras, dizendo:
Sai daí agora que nós queremos cantar.
Mas peraí, o que vocês estão fazendo, o que vocês vão cantar?
Shh! Nós vamos cantar, agora toquem aí pra gente.


Eu acho que é mentira, eu me lembro de termos sido mais simpáticas, mas enfim...

domingo, 24 de abril de 2011

Lá vem a noiva



DE ONDE eu estava sentada não dava pra ver muita coisa. Não vi ela entrar, mas deve ter sido na hora em que vi o queixo da amiga dela cair no chão. E na mesma hora em que o sorriso dele quis pular fora do rosto. 
Claro, é só uma teoria.
Eu ouvi uma pessoa muito emocionada realizando a cerimônia, mas não a vi também, e depois me explicaram que a Juíza Miniatura tava com um preço melhor do que uma juíza normal, e eles acabaram chamando essa mesmo daí. 
E depois que os sim já estavam ditos, ela se virou, e todas as câmeras se levantaram e dispararam. Foi como se uma chuva de glitter caísse no salão só pra eles passarem (perai, tô confundindo as histórias...)
Então todo mundo envolveu o casal em uma roda, muitas rodas, pra que a música, a dança, os sorrisos e os desejos de felicidade fossem entregues a eles pessoalmente. 
E quando a gente não esperava mais ficar surpreso, ela resolveu mostrar o valor da sua voz. E no meio de tanta gente, tantos flashes, seu fã número 1 reafirmava e reafirmava sua posição no ranking. 
E ninguém duvidou que ele era o 1. Tava na cara.


*
Casamento é o que acontece enquanto alguns narizes fungam, e outros ali do lado se beijam, dizendo "eu também, eu também".


*
Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com/

Na alegria e na tristeza

PROMETER, todo mundo promete. 
Estar aqui ou estar lá, não ficar ou não partir. 
Nunca mais ligar. Nunca mais te deixar.
Até que a morte nos separe. Amém.
Legal mesmo é fazer questão de cumprir aquilo que não me dei ao trabalho de prometer. 
Aquilo que desejei um dia lá no fundo, e que sei muito bem que posso cumprir.
Falo das promessas que faço de dentro pra fora, deixando de lado o que a boca fala. 
Ser felizes para sempre, sem que isso seja uma promessa boba.
Não prometa. Se comprometa, de dentro pra fora.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ontem ou 200 anos atrás

NA ÚLTIMA VEZ que o vi, 
  ele tava tocando essa mesma música, 
  ele tinha esse mesmo cabelo e o mesmo jeito. 
Até parece que hoje o tempo é o mesmo de tempos atrás (e como faz tempo)
Só que no tempo que eu lembro, 
  ele não tinha carro, filho, 
  nem quadro valioso pendurado na parede. 
Hoje ele carrega no dedo um compromisso que brilha em dourado, e garanto que ele compra remédio sem mais perguntar pra mãe (ele cresceu, ué)
Mas aqui sentada, eu nem hesitaria em falar que a única coisa que mudou em tudo isso, foi só o lugar onde vim sentar. Foi ontem não foi?

Faltas mortais

MEU PAI foi enterrado ali. 
É estranho pensar, aquele corpão num espacinho ridículo de cimento. 
Quer dizer, corpo não. Corpo ele nem tem mais. 
Ali só tem os restos.
Mais esquisito ainda é essa coisa de chamar de restos, 
  quando o que restou dele é tanto mais que um punhado de ossos. 
Quem inventou isso, não tinha boa memória do coração, pelo jeito. Vai saber.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Auuuuuuu


GOSTO MUITO dessa coisa de cantar.
Sozinha, com amigos, em grupo, cantar é sempre bom.
Já ouvi dizer que santo de casa não faz milagre, mas aqui todo mundo aprendeu pelo exemplo:
Cheguei em casa e o grupo vocauuuu das meninas do prédio estava ensaiando.
Todas juntas, com suas vozes fortes e marcantes. 
Estão no começo, claro, mas já dá pra sentir o potencial.
Pena que os vizinhos provavelmente não vão saber apreciar o talento dessa cachorrada.

E passou

A ÚNICA coisa que o número de livros que li diz sobre mim, é a quantidade de tempo que fiquei esperando o tempo passar...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Que nem balão


NÃO ESQUEÇA MAIS:
Meta a tesoura em tudo aquilo que te prende e voe longe.


(Só não seja literal, porque senão me engano é crime)

Nunca me viu?

TAVA ALI esperando meu ônibus chegar, 
 olhando a paisagem, os sapatos, aquela coisa.
Reparei a mulher na minha frente lendo um baita livrão que eu não conhecia. Eu logo me espichei numa pescoçada pra ver que livro era aquele. 
Eu sempre fico brincando de adivinhar que livro é, e reparando nas tendências, até pra descobrir uns livros bacanas pra ler depois.
Consegui identificar o "S" com a tipografia característica do Stephen King.
Mas aí a dona se virou com uma olhada um pouco intimidadora, e eu, com minha capacidade de improvisação multi espontânea matinal, estiquei na mesma intensidade o pescoço pro outro lado, abruptamente: Tá olhando o que moça? Tô me alongando aqui, ó... é você que tá me olhando esquisito...


Essa foi por pouco.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

True Colors

ME LEMBRO do Beakman me dizer uma vez,
 que para lembrar da sequência e cores do arco íris, era só memorizar:
VLAVAAV
Pois bem, depois dos Biarticulados, Alimentadores, Convencionais, Interbairros e o Ligeirão maior do mundo... só nos resta esperar ansiosamente pelos ônibus anil e violeta! 
Ah! Vai ser lindo, né? 
Já to até vendo:
  Curitiba, uma cor a mais no seu transporte
Deixo aqui a minha sugestão pras otoridades, imagina que bonita a cidade cheia de cores da natureza, indo voltando e parando (no caso das 6 da tarde)


Só aqueles Ligeirinhos que não tem nada a ver, ui. 

Cor de gente grande

QUANDO eu era pequena, eu queria crescer logo só pra poder pintar a unha de vermelho. 
(E agora, eu já cresci?)
Minha amiga usava na escola e eu achava que aquilo sim era uma mão respeitável para uma mulher (de 11 anos). 
Uma mulher de verdade não pode usar marronzinho café. 
Só que minha mãe dizia que vermelho era cor de gente grande. Mas eu já era uma mocinha, até já ia na padaria sozinha, porque não podia usar unha vermelha? 
Acho que minha mãe não tinha muita visão das coisas mesmo...
Até que finalmente, ela desistiu - usa o que você quiser então. 
Eu fui mais do que faceira. E nunca mais na vida usei branquinho nem aquele marronzinho. 
Agora sou mocinha, né? Agora eu posso.

sábado, 16 de abril de 2011

Nhac nhac nhac nhac

FELICIDADE pra mim é um prestigio em cada bolso.
Especialmente,
  em um colete daqueles de pescaria.

Não teve jeito

MAS MÃE, se você chegar na loja e topar com um livro bacana, 
  pode trocar pelo meu ovo de Páscoa, ok?
- Não, nem vem com essa conversa de livro de novo... que coisa chata!
Mas mami... esses ovos são caros e eu nem como muito chocolate mesmo!
- Você vai ganhar chocolate e ponto final, entendeu? 
Poxa. Nem um livrinho-zinho-zico-zeco-mini?
- Chocolate.
Tá, tá, tá. Esquisita!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

De lembrança

TEM HORAS que o único jeito é parar com tudo e se coçar.
E é isso que resolvi fazer agora - coçar a coceira marvada. Aquela coçada com gosto.
Ok, eu vou falar a verdade. 
Eu tenho uma pulga. Não de circo, aquelas legais adestradas que fazem barulhinho, nem de estimação. É daquelas que morde pequenininho e dá coceira. 
Ganhei de presente.
Acho que é porque não me guento nunca, e agarrei um cachorro muito simpático ontem enquanto esperava minha mãe sair do salão. 
Talvez eu não devesse ter sentado na rua e deixado ele sentar no meu colo. Mas eu não resisti. 
Aqueles olhos enormes e lindos. A fuça que parecia um bombom. 
O nome dele era Borges. 
Tão simpático e gentil. Até me deixou uma pulga de lembrança.

Fiiiiiigaroo!





EU DEVIA ficar feliz pelo meu vizinho.
Mas pra falar a verdade, não me sinto muito solidária neste momento.
Acontece que meu vizinho descobriu que gosta muito, muito de cantar. 
Notas graves e agudas, e ele gosta particularmente de exercitar as longas. Bem longas.
Essa descoberta aconteceu hoje, precisamente as 6:35 da manhã.
Provavelmente é este o motivo da minha solidariedade instantaneamente retraída.
Mas eu te conto melhor quando acordar...


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com/

quinta-feira, 14 de abril de 2011

TOC

TODOS os meus is estão devidamente pingados agora. Alinhadinhos!
Por enquanto ou até amanhã, não sei.
Tudo ajeitadinho, combinadinho, tudo certo.
Que sonho!
Isso até vir um entreveiro qualquer e entortar todos os quadros outra vez.
Ou deixar beicinho nos tapetes.
Eu detesto quando o acaso vem e me abre as cortinas antes que eu tenha terminado de tirar a mesa do café da manhã. 
Ou quando ele tira minhas roupas daquela ordem de cores tão bonitinha que eu tinha arrumado.
Uh, que pesadelo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

tic tac taque taque tic


O TEMPO acontece pra cada um no seu próprio tempo mesmo.
Se fosse pelo que a pastelaria me dizia, ainda era muito cedo pra se estar em qualquer lugar
Pelo celular, eu poderia mesmo ter acordado um pouquinho antes (e talvez ter comido um pãozinho a menos)
Mas o sino da igreja se esgoelava intolerante: "Vão...vão...vão...vão...vão...vão...vão...vão!"
Que tempo que é o tempo certo de ser? Vai saber.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Não era sábado

- Oi!
- O que houve?
- O que houve o que? Eu tava no banho!
- Banho?
- É, não posso? O que é que tem de estranho nisso?
- Mas hoje é segunda feira...
- E...?
- Você não toma banho nas segundas feiras. E hoje é segunda feira ímpar. De mês par sem 31. O que tá acontecendo?
- Eu queria tomar banho, tomei banho e agora estou aqui.
- Sabe, eu acho que não te conheço mais, você anda tão mudada... você tem outro, é isso?
(Ahan)

Tá faltando caroço

OK, EU CONFESSO:
Eu cuido da vida dos outros.
Claro que é um elenco seleto, mini equipe, empresa do simples. Aquela meia dúzia. 
Mas eu cuido.
Quero saber onde foi, com quem foi, como foi e de preferência, com detalhes. 
Detalhes são importantes. 
Uma fofoca sem detalhes, é só um causo. De causo nem quero saber.
Mas pensando aqui, talvez eu devesse lembrar mais vezes daquele ditado, e cuidar melhor do nariz que me pertence.
Que depois que tomei o tal juízo, minha vida saiu das capas de revistas e das conversas de salão. Eu saí da boca das comadres, assim simplesmente.
Me aposentei do meu próprio fuxico, e agora estou aqui meio fora de moda.
Minha vida anda meio esquecidinha de formar notícias.
Melhor retomar o babado, porque do jeito que eu faria, ninguém faz. 
Assim eu não me realizo, não vai dar. 
Tá todo mundo nessa onda de cuidar do seu respectivo fungador!
Assim eu fico carente do babado, pô...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Atestado Médico

ATESTO para devidos fins, que o(a) senhor(a) Georgia Caroline esteve sob meus cuidados no Centro de Necessidades Estéticas Indispensáveis, para procedimentos de beleza de máxima importância, durante o período de 11 e 12 de abril das 14 às 17:30h. Necessitando de 3 dias de repouso, por motivo de lindeza e gostosura. 


Curitiba, 11 de abril de 2011.




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(Assinatura e carimbo aqui)

Casamento





VESTIDO, sapato, maquiagem e correria. 
E claro que sempre faz frio.
Flores, sentimentos e a sinfonia de narizes que fungam em uníssono.
São tantas emoções, já diria o rei
E dia das terríveis atualizações relâmpago sobre a vida de todo mundo.
Resumir todo o significado da sua existência em duas perguntas:
- E o trabalho como está? 
- Tudo bem, tudo certo...
- E a mãe, tá boa?
- Tá sim, daquele jeitinho...


(Próóóximooo!)


Claro que você pode facilmente trocar a primeira pergunta por um 'E a faculdade?' ou 'E vocês, não vão casar?'
Mas a segunda pergunta é sempre sobre a mãe. 
E o papo sempre acaba aí.


(Vou ali pegar uma bebida, já volto tá?)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dia de folga

JÁ ERAM quase três da tarde,
  e nada do conto aparecer.
Eram dois-três (ou quatro) todo dia, antes até de terminar de tomar o café.
Será que ela ficou doente, pra sumir assim com eles de repente?
Deve estar cega da idéia - Bem falou um pensamento.
E surda da emoção - Respondeu o outro.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ciclo



DESESPEREI até que me sufocasse
Até que não mais conseguisse me conter
Até que enfim, achasse bobagem.

Desesperei porque tudo continuaria como antes. 
Até que me sufocasse
Até que eu não mais conseguisse me conter
Até que virasse bobagem...


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com/

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Curriculum



EU NÃO LEMBRO muito bem, mas o invariável é que ela sentou, colocou na sua frente papel e lápis e decidiu que iria começar a escrever. 
Escreveu, e viu que era bom.
Nesse dia ela tinha 13 anos. E mais anos foram se passando, e os contos foram se juntando dentro das suas gavetas. Até ficar bem parecido com o que sua mãe chamaria de uma pilha de lixo.
Então resolveu mostrar o que tanto ela escrevia (porque de tanto papel, começaram a perguntar)
Montou um blog e fez vários amigos, recebeu várias dicas, e um convite. Iam publicar seu conto numa revista lá de Minas Gerais. E o convite só aumentou, quando falaram que ela podia juntar tudo e fazer um livro. (já pensou?)
Mas aí veio o bicho da vergonha, que não deixou nada sair do papel. E também não saiu do coração.
Então um dia chegou alguém e disse que ela só escrevia bobagem. Ela olhou bem, e acreditou, daí guardou tudo, a pilha de lixo e o sonho.
Dali pra frente, só rabiscava meio tímida apenas pra não enlouquecer. Pra escorrer a sobra maior que sempre ficava...
Muito tempo depois, bem quando ela percebeu qual era a verdadeira bobagem dessa história, recebeu a mesma visita de anos atrás, com um recado que dizia que sempre haviam admirado tudo quanto ela brotou no papel.
Hoje em dia, pouco importa quem vai gostar, ela se importa apenas escrever até esvaziar...
(Fim)


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com

Buuuuuuu



O ABAJUR ligado no canto do quarto 
O corpo aninhado embaixo do edredom
  esvaziando as idéias antes de dormir. 
Não estava escuro, mas os monstros estavam todos soltos
  (brincando de fazer zueira no papel)


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com/

Onde o rio faz a curva

UM SUJEITO fumando no ponto de ônibus,
  dono da bituca que cai certinho dentro do rio que passa ali logo atrás.
O amigo cutuca: - Precisava mesmo jogar ai?
Mano, esse rio já é mó sujo, que que é, não tá vendo?
- É sim, tô vendo sim. Tô vendo ele um pouco mais sujo agora, também...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Deixa o verão pra mais tarde

6 HORAS da manhã em Curitiba. Eu saio da cama e sinto frio.
Enquanto eu mexo nas coisas por aqui, o Sol vai acordando meio xoxo.
(calça, camisetinha, casaco e bota)
7 horas da manhã. Abro a porta pra sair pro trabalho,  
  e o Sol tá fazendo de conta que mora na Bahia 
  e prometendo esquentar nossa cachola o dia todo. 
Voltei correndo pra dentro de casa, toda faceira pra trocar de roupa.
(calça, regatinha, casaquinho e sandália)
Melhor aproveitar, já que o calor nunca aparece, né? Daqui a pouco chega o inverno e eu vou cansar de me esconder debaixo de tanto pano.
10h da manhã, saio correndo atender o telefone que grita, histérico.
Sinto meus pés folgados demais. Até parece que nem tô usando nada. Tem cada sapato moderno hoje. 
Olhei direito. 
Tudo arrebentado de tanto tomar chuva. E viva o verão. 


As botas nunca me abandonaram desse jeito. 

Precaução

O ENGRAÇADO é que eu tomo mais remédio do que livro.
  Olha, dentro aqui da bolsa estou previnida de quase tudo: se a cabeça doer, se o estômago chiar, se Curitiba resolver chover e me fazer engripar, pomada e merthiolate que não arde!
- Uau, previnida mesmo! E livro?
Livro aqui só tenho um. 
- E esse serve pra que?
Ah, esse serve pra não esquecer a cor da vida...
- Então isso aí é remédio também ué.
É né? Acho que é mesmo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Novo inquilino

VOCÊ não tem chulé não, né?
- Não, não, não tenho não. 
Bom. Espero que também você não ronque, porque...
- Não, Dona. Fica tranquila, que roncar só ronco de fome. 

sábado, 2 de abril de 2011

É culpa do Tempo!

SUJEITINHO temperamental.
Ficamos nós todos aqui, eu e você, plantados esperando a boa vontade dessa donzela (sim, porque parece uma moça)
Esperando que ele venha nos abrir janelas e fechar algumas portas meio emperradas
Que nos leve pra casa, o quanto antes,
  sem trânsito nem fila de mercado
Imploramos que ele simplesmente vá,
  e nos traga pessoas como aquelas garrafinhas que chegam do mar (com mensagem dentro)
Quantas vezes eu quis que esse sujeito mudasse meu jeito de olhar as velhas feridas
E que me desse coragem pra tomar uma atitude que eu sempre deixei pra depois...
Juro que muitas vezes não tenho paciência pra atender todos esses caprichos.
Quero hoje meu salário! Quero agora minha inspiração! Quero ir embora AGORA, dá pra ser ou tá dificil?
Tá dificil, esse tal de Tempo é o tal do sujeito danado de lidar...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Demorado

HOJE tudo demorou
O ônibus demorou pra vir
E quando veio, demorou pra me levar
O outro demorou também, e também demorou chegar até minha casa.
Será da chuva?
Tava todo mundo se embolando na calçada, ninguém andava direito.
Até na padaria demorou.
Foi plantar o trigo? 
Eu que só queria sentar pra tomar o meu café 
  e correr pra cama, agarrar a cadelarada e assistir um filme.
Mentira, que você foi direto dormir...
Nem me pergunte, pois eu não sei o porque de tanta pressa mesmo.
Eu hein...

Manifesto dos trocentos sentidos da palavra

As palavras vão falando por si mesmas, essas danadas!
Dão mais cabo das coisas do que podemos nos dar conta.
Pois veja, um texto aparece por ai, 
  e não raro aparece junto, um sujeito pra reclamar:
"Você tá falando de mim",
 "Eu SEI que você tá falando dele/deles/dela/delas" - Peraí, não foi bem isso que eu quis dizer, a gente até se defende;
"Mas olhe só, como você pode, depois de tudo...(lágrimas)" 
Não adianta. O cliente sempre tem, mas o leitor geralmente nunca tem razão. Ou também o escritor, vai saber. As palavras fazem o que bem querem com o entendimento da gente. Ou você acha que não? (Hein, cuidado!)
E dai enquanto os reclamões fazem sua arte, os que escrevem ficam presos na sua própria libertação.


(E não venha reclamar...)