terça-feira, 5 de setembro de 2017

Beijo me liga

Aconteceu.
A pressão estava grande, a torcida já nem tinha mais esperanças.
Mas aconteceu. E finalmente, já era hora.
Naquela quinta-feira bem igual a todas as outras, simplesmente não fiz o que era garantido que em outros tempos eu faria.
Segurei o meu "não" bem firme diante do rosto e continuei avançando sobre ondas e mais ondas de tristeza e manipulação.
E pela primeira vez na história dessa vida, coloquei o que seria melhor pra mim ali no pódio, brilhando em ouro para não esquecer.
Desculpa aí, mas nesse momento eu preciso vir em primeiro. 
Não é você, sou eu (que não tenho mais esse saco pra te aturar)

domingo, 20 de agosto de 2017

Só o essencial

Olhando assim você não dá nada por aquela bolsinha, mas dessa vida ela já viu muito.
Casou todas as amigas da rodinha. Emprestou o batom pra todas elas.
Pulou em todas as festas.
Não pegou todos os buquês.
Fugiu da maioria, na verdade... vai que a praga pega.
Cantou, desconversou, suspirou e jogou alguns números fora quando eles ainda vinham escritos em pedaços de papel.
A bolsinha, que quanto menor mais elegante, estava em todas.
Mas ah meu filho, como o mundo muda.
Tirei a dita do armário para o próximo casamento só pra constatar a obsolescência.
Nosso apenas o essencial de hoje em dia já começa com 5 polegadas.

domingo, 6 de agosto de 2017

Um dia qualquer quando começa

Acordei, abri a janela e o sol estava brilhando como de costume. No peito, nada me angustiava.
Justo eu que tinha feito a aposta mais pessimista do bolão. 
Belisquei pra confirmar. Eu estava ali e não sentia nada.
O dia andava como dizia o roteiro, brisa e céu azul. Muito estranho, até os passarinhos cantavam como se nada tivesse acontecido.
Não teve choro, não teve drama, nada. Nem uma teoriazinha da conspiração. 
A vida seguia adiante, e só.
É até triste. Você foi embora e tudo o que você deixou foi esse alívio.

Não deixe o samba morrer

Eu canto porque o coração batuca querendo viver.
E batucando esse peito, o canto sai de mim
Me dá vida
Sai pelo meu corpo em forma de dança
Alegria e também lamento
Choro minha mágoa e resgato a minha força de viver além da luta
Desacelero o passo da correria da vida
Pra dançar a cada passo do caminho
Ah, mas se o canto cala
O batuque do peito desespera, chora, grita e perde o sentido
Me perco a ponto de nem mais saber o que sou eu, ou quem, quem sabe.

Fechado para reforma

As vezes você chega de martelo na mão e cinco pregos na boca, animadão para pendurar um quadro novinho na parede do aprendizado.
Pega o lápis, risca aquela marquinha, se afasta, olha bem, aqui vai ficar ótimo
Tudo preparado, segura o prego no lugar, pega o martelo, prepara e... TAU
Acerta um cano.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Caravana de onde?

Eu vim de longe.
Eu vim lá de trás, dos tropeços da vida.
Vim de uma pessoa que não fazia a menor ideia do que estava fazendo e que botava fé lá pelas tantas, que definitivamente - agora sim - tinha aprendido alguma coisinha.
Mas entre uma arriada e outra, confesso que continuo não fazendo ideia. 
De nada. Nada mesmo.
Eu vim de longe, caminhei um bocado, e olha eu aqui. Caminhando ainda!
Tenho até alguns sucessos no cardápio, mas quem diria. 
E quando me perguntaram da onde eu sou, foi que me dei conta. 
Eu não sou de lá. Não mais. 
Agora eu sou do aqui.