quinta-feira, 26 de maio de 2016

Xis

Naquele dia - que não era exatamente um dos melhores que já tinha passado, vale dizer - não tinha esbarrado nem de longe com aquele estímulo, aquele que te faz erguer as bochechas e mostrar fraternalmente uma porção de dentes. Não.
Tem dias que são assim mesmo, e tudo bem. A vida segue.
Então ele chegou ali sem convite e se deitou, colocou a cabeça sobre seus pés como se fosse o lugar mais confortável do mundo (e quem sabe até fosse), olhou pra ela com os olhos meio fechados e começou a ronronar.
E antes que ela pudesse reagir, foi só dente se debatendo e se empurrando pra ver quem chegava antes pro sorriso.

:D

Lista de desejos

Pare de perguntar sobre o meu silêncio.
Tudo o que ele quer,
É ficar quieto.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Shhh

Não tinha mais vontade de falar.
E deus sabe, não era a mais indicada pra escutar, muito menos.
Seus pensamentos sempre gritaram feito crianças no recreio, dia e noite - menos hoje.
Algumas pessoas se agitavam em sua volta, queriam saber, queriam ajuda e também sacudir alguma ajuda em frente ao seu nariz - vai saber - mas não dava pra entender o que estava acontecendo.
Não fazia muito esforço, também. As pessoas se agitam por qualquer coisinha hoje em dia.
Tudo estava indiscutivelmente fora de ordem.



quarta-feira, 4 de maio de 2016

Tão pouco

Precisa muita coragem
Pra decidir
Viver sem brilho nos olhos
Uma vida toda
Que ganho é esse que faz isso valer a pena?

terça-feira, 3 de maio de 2016

Gaguejo

Tem esse piano tocando aqui na minha cabeça, sem parar
Como se só estivesse esperando a  hora de eu entrar
E começar a cantar
Nem sei se conheço a letra, ou se ela existe
É agora que eu entro?

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Na montanha

Afinal tudo se resume 
Em subir a montanha 
Do nosso medo
E ficar lá
Pra começar, uns três dias
Alimentando-o somente de vazio.
E dai você, vitorioso voltar pra rotina
Com uma vista toda nova.

Coração de Brigadeiro

Os exames mostraram que o coração dele não anda lá essas coisas. Problema grave, remédio tarja tensa por toda vida, vocês sabem.
Ele recomendou que ele use, até aquele dia que vai ser o último, no mínimo uma boa e generosa dose de agrado. Coçada longa na barriga e aquela pegada nas orelhas.
Petisco também não seria nada mau - essa parte foi o Brigadeiro mesmo quem me disse.
Só obedeço.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Me diz

Talvez isso também se encaixe com você.
Mas eu, nasci assim - e está lá registrado no cartório:
Euzinha da Silva, original de fábrica.
E posso garantir
Ninguém é tão eu quanto eu mesma. Juro.
Então porque raios se esforçar tanto pra ser ele?

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Nada de novo

Aquele velho cansaço que bate no lombo.
A cabeça que bate repetidamente nas mesmas velhas histórias.
E a tristeza velha que vem toda ligeirinha bater à porta
(se manda, não tem ninguém!)
E me diz, o que esse velho tem pra te contar?
É, pois é, disse bem - nada de novo.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Dia do beijo

Hoje quero entregar beijos, pra cada qual aquele que merece.
Trago uns de amor, outros tantos apertados de tanta saudade
Beijo demorado também tem - e aqui olha - aqueles três no rosto que é pra casar.
E não podia esquecer daquele clássico bem no ombro, estalado, pra bem aqueles que não merecem mais beijo nenhum.

(muack!)

terça-feira, 12 de abril de 2016

Um escritor

Aquele que joga no liquidificador
O que ele achou que viu
O bocado que, de fato sentiu
Com uma pitada do que realmente aconteceu
Pra bater bem.
Então decora o copo e oferece para quem quiser beber.

(às vezes ele espreme tudo com as mãos mesmo)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Cartas na mesa

Botou uma Distância sobre a mesa, nem um pouco disposto a conversar.
O outro jogou então uma mão inteira de Dúvida, para poder confirmar tudo o que vinha pensando de uns tempos pra cá.
Foi aí que ele veio e rebateu com a Culpa, e olha, até que surgiu efeito.
Foi só queixo caindo na mesa verde.
Mas o jogo virou mesmo quando o outro caiu matando com 2 pares de Tempo. 2 pares!
A mesa ainda está preparando pra contar os pontos, mas se vocês me permitem um palpite, senhores... todo mundo saiu perdendo nessa rodada.

Legitima Defesa

Eu fujo, meu bem - É isso que eu faço.
Thanks pelo aviso, baby.
Agora vou apressar meu passo e tratar de fugir de você também.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Meio rude

- Ludovico SEU ANIMAL, saia já daí!
- Querida, mas isso é jeito de falar com o pobre cachorro?

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Super Cola

Ah, mas não se engane me vendo assim inteira.
Já me vi em tantos pedaços tantas vezes que quase esqueci como eu era lá no início.
Ainda bem que existe esse negócio chamado
Autoamor
É autocolante.
Uma beleza, viu? Cola tudo.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Vai que

Foram vistos num cantinho se beijando, a Mentira e a Esperança.
Cheguei logo nela pra avisar
Ô amiga abre o olho
Maior enrosco isso aí
Eu conheço esse tipo...
Mas ela nem quis ouvir
Ela tem sempre essa mania de achar que pode ser.
Então né, que seja. Vai que seja.

Maldade

Ah, a saudade...
Essa megera coração de pedra que aperta forte o peito de uns - mas só em momentos muito providenciais, obviamente.
- Vai, fala. O que é que você precisa?
(ah mas credo)

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Precisamos conversar sobre o cachorro

Espera o papis sair de casa todo dia às 8 da manhã
Pula o muro, corre até a praia, pula sete ondas
Se joga na areia.
Beija umas meninas (que em sua defesa, já chegam nele estendendo a mão)
Então, com o dever cumprido, volta pra casa
Deita na casinha e finge ainda gostar daquela bolinha que já está meio roída, entre uma latida e outra quando um fulano passa pelo portão.
Bastante cheio de mania para um vira lata. Talvez seja o signo.

Caneca favorita

No fundo eu sabia que ela não deveria mesmo morar na casa dele.
Escolhi então uma qualquer, só para sentar com o café no fim da tarde.
Minha favorita ia continuar morando no armário lá da cozinha.
E quando enfim o fim chegasse (e não ia demorar mesmo) ela seria apenas mais uma lembrança que deixou de lembrança na vida dele.
Assim não precisaria nem voltar para buscar.
E nem fui.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Reforma Íntima e Espiritual Verão 2016

Via a bonitinha mostrando a vida toda linda no mural, toda certinha.
A estatuazinha, a música, a pose e o significado - que só significava a mais nova cartilha em moda nesta estação.
Mais um jeito de existir igualzinho aos outros, cheio de limites, exibição e aquele tipo sempre muito cheio de razão.
Um jeito de ser que igualzinho aos outros, logo vai perder seu significado.
Vai virar palavra velha.
Até a próxima moda.

Não tem

Não tem buraco. Não tem vazio.
Todo peito é cheio - cheio de ser. amor e pelos.
Quem eu sou e você é, pode encher uma casa inteira
E enche mesmo, é só abraçar a coragem de ser

Não tem buraco, tem só sobra - e como sobra
Tem o-que-a-gente-é caindo pelas beiradas (derramando)
Semeando flor e também algum espinho onde a gente passa
Cada um com o pólen que contém na bolsinha do próprio coração

Não tem vazio, acredite em mim
O vazio é bicho papão escondido embaixo da cama
Que some quando a gente resolve abrir os olhos
E porque não abrir os olhos?





sexta-feira, 4 de março de 2016

Chovendo purpurina

Se sentia apaixonada.
Pelo o que a vida trouxe e talvez principalmente pelo o que ela tratou de levar de vez embora.
Apaixonada por ser ela mesma e cada vez ser um pouco mais o que ela sempre devia ter sido - ela.
Apaixonada pelas possibilidades, apaixonada pelo cheiro do mar e do mato e por conseguir olhar em voltar e encontrar tanta beleza. Por conseguir enxergar a beleza em um mundo que anda tão pronto pra briga.
Apaixonada pois mesmo sem saber que caminho seguir, saber que está sempre um pouco mais perto de chegar.
Apaixonada por entender que tudo aquilo que buscamos no outro é o que deixamos de dar a nós mesmos e devemos sempre sempre sempre florescer. Oferecer nossas cores, nossas flores e deixar nossas sementes. 
Por agradecer por tudo isso, se sente em casa. Dançando de meias na cozinha em qualquer lugar que esteja no mundo.


Se avia

De pernas para cima
Você espera que tudo o que você quer
Venha ao seu encontro, simples assim
Caminhar pelo céu meu bem, ainda não chegou bem sua hora
Bota essas pernas pro chão e vai
Segue

quarta-feira, 2 de março de 2016

Sobre as borboletas que não vêem flores

I.
Aquele frio na barriga
Que a gente sente quando
Vai atravessar uma porta
Que provavelmente importa

II.
Aquele segundo onde o coração
Pára e pula um pouquinho de susto
Só porque aquele bendito nome resolveu
Pipocar assim de repente na sua tela

III.
Aquele sorriso com 57 dentes
Só na parte de cima
Quando se está tentando disfarçar
E aquele total de 103 quando a gente admite que não consegue mesmo
(disfarçar)


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Talvez em outro céu

Ele me chamava de anjo
E parecia realmente acreditar no que estava dizendo.
Anjo meio caído, só se for
Sentada desajeitada no meio fio, toda largada
Cabelo doido roupa esquisita e aquele jeito
Matutando pra botar as ideias no lugar naqueles 10 minutos de um cigarro
Pra depois voltar pro batente e bater as asas.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Tava chorando?

Ele me olhou e reclamou da minha maquiagem meio borrada.
Olho todo preto.
Não me importei.
Afinal quem é que não deixa sua máscara cair de vez em quando?

(Ás vezes ao invés de cair, ela escorre. Acontece.)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Bolas


O que ela queria mesmo, é ser livre.
Mas sabia que não chegaria nem perto da liberdade, enquanto não tivesse bolas para isso.
Remexendo nas gavetas, encontrou uma coragem um pouco vencida.
Por sorte, não por muito - ainda dava pra usar.
Martinha deve ter esquecido aí quando se mudou para mudar (seu) mundo.
Preparada, pintou sua cara na sua cor, aquilo que de pior achariam dela.
Bicha. Bruxa. Preta. Gorda.
E mesmo com tanto resmungo dizendo que o caminho certo era o outro lado, ela foi.
E nunca na vida ela foi tanto.
Bicha. Feliz. Bruxa. Preta. Gorda. Livre.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Modelito de hoje

Ela me despe por dentro - invariavelmente - em cada conversa.
Suas perguntas cavoucam de fininho meu silêncio, só pra ter certeza de que lá nas minhas entranhas, não tenha sobrado nada que eu não tenha contado à ela.
Ela é assim um pouco louca, mas sim, um pouco linda também. Dramática e tão inventiva que deveria mesmo ganhar um prêmio.
Insuportável quando ela decide que vai ser assim.
Então guardo minha distância e meus poucos segredos, mesmo eles sem importância alguma, só para não entregar à ela mais do que eu estava planejando.
Se eu me visto de silêncio, bem... foi a roupa que escolhi para hoje.
E tudo bem.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Não era igual

Uma vez passei quase um ano tentando mostrar pra um cara
Que eu era diferente das outras.
Pensando aqui,
Acho que pra ele, meu problema era justamente esse.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Ligeiramente possessiva

Você foi embora e a casa é toda minha outra vez.
Corri pra botar minha voz, meu canto, meu som, meu cheiro e minha cor em tudo que estava desbotado pelo seu olhar tão severo. 
Naquele banco, flores frescas e brilhantes para celebrar a vida - você lembra que cor a vida tem?
Teu grito tentou aquietar meu riso. Teu olhar criticar a minha dança. Tua língua maldizer minha criança. Me escondi de toda graça de tanto ouvir que ser feliz era pecado. 
Pecado mesmo é viver nessa gaiola moral - onde a moral só da seu nome e nunca as caras.
Você foi embora e a casa é minha agora outra vez. 
Então me esbaldo com gosto nos meus absurdos, na fumaça das ervas cheirosas, na música que me arrepia e meus pecados horríveis todos. 
Feliz como um passarinho se banhando na poça de lama. 
A cor da vida não pinta quem tem a alma preta e branca.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Que só vai ficar maior

Ela subiu no ônibus a caminho de volta praquele mundão onde ela vive.
Ela vive em todos os lugares, porque o mundo inteiro é todo dela mesmo.
Por isso fiquei tão feliz por ela incluir neste mundo grande o meu mundinho que ainda é um filhote.
Ela entregou os documentos, virou e me viu com as mãos no rosto.
Não chora, logo a gente vai se ver de novo. 
Só de ouvir isso eu chorei mais, mas sem tristeza nem saudade.
Chorava só porque ela é importante. E eu também, mesmo num mundo tão grande.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Conta outra

Ele me veio com aquela frase que, se você não ouviu ainda, posso te jurar que não demora. Porque não falha, ela vem.
(É que eu preciso ficar sozinho agora)
Escorria bem aquela porção de lágrimas enquanto eu tentava entender o que tava acontecendo, mas era isso mesmo.
(Não é nada com você, o problema sou eu)
Era isso mesmo. 
Quer dizer, não era.
Bom, talvez seja eu que não entenda que nada representa mais a vontade de ficar sozinho do que duas taças de vinho postas sobre a mesa.
Talvez só perca para um biquini pendurado no varal.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Não sou só eu.

Aquele dia lindo chamando lá fora.
- Ah não, vou ficar aqui jogando video game...
O mar todo dengoso convidando para um mergulho.
- Nossa, mas tô com uma dor aqui, ó...
O prato cheiroso fumegando na mesa do almoço.
- Sabe o que eu ando com vontade de comer?
Ô menina, que cara é essa?
- Ah, nada dá certo pra mim, não dá nem vontade de viver às vezes.
É menina, eu imagino. Até a vida fica com preguiça de gente com tanta preguiça assim.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

De novo

Te encontrei dentro do livro e no meio do filme.
No meio daquela conversa, onde parecia que não se falava de outra coisa.
Meti a mão no bolso e lá estava você, no papelzinho daquele dia que era só mais um dia.
Ali ó você na música que já mudou, no disco que continua tocando e teimando comigo..
Então desisto.
Entra, vem - te faço um café - temos bastante pra conversar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sentou pra descansar como se fosse...

Sábado.
Levantou da cama, passou café, pegou o livro e foi ler na cadeira preferida da varanda.
Terminou o capítulo, fechou o livro, encostou a cadeira, lavou a xícara do café, a deixou para escorrer e assim preparada, morreu.
Quis ir assim, sem muito reboliço. Não queria incomodação nem depois de morta.
Simplesmente sentou, fechou os olhos e se deixou ir.
Um tanto banal, mas totalmente livre. Dona da sua própria morte.

(e flutuou no ar como se fosse um pássaro...)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Muda sim

De uma enxurrada de coisas novas, ele foi rir justamente do meu amor recém descoberto por aquele livro de poesias.
Eu que nunca fui de dar muita trela aos versos (uma vergonha, ele diria)
Nem a cidade, nem o trabalho, nem a intenção que também é toda nova, ou os babados todos.
Nada disso surpreendeu aquele coração da cor de poeta.
Mas foi só eu me rasgar por aqueles versos e o riso veio.
É, a vida muda mesmo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Garage Sale

Hoje escrevo em nome de todas as tristezas que tenho guardadas. 
Não há mais espaço. 
Pelos cômodos de mim elas se empilham e se amontoam e eu me sinto uma acumuladora, esbarrando em uma e outra enquanto passo.
Acumulando sentimentos que já não me servem. Emoções que já foram.
Então, pelo bem estar de todas as tristezas que tenho no peito, eu declaro que chega.
Hoje começo essa faxina!
Hei de me despedir de cada uma com amor para que plantadas na terra, não me dêem frutos que não quero.
Agora vai, tristeza, vai viver. Você já não cabe mais aqui.