quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Quem sou eu?

As mesmas pegadas no chão do apartamento. 
A mesma cara do retrato em cima da cômoda. 
Quem será o novo eu neste admirável mundo novo? 
Comentam as bocas que nada há de novo realmente, mas definitivamente, nada aqui reconheço como meu. 
A mesma cara, mas não reconheço aquele olhar, mesma boca mas não suporto aquele tom, o mesmo eu e mesmo assim, não poderia ser mais diferente de mim. 
Anos luz de distância daquela cara do retrato. Da cômoda. 
Mesmo assim estou aqui, colecionando essas fotos, esses eus que vão ficando pelo caminho. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Uma lenda que não contaram

Era tarde e o velho varria. 
Da janela eu via sua sombra e me irritava um pouco aquele barulho tão perto do meu travesseiro. 
Abri a cortina e mostrei a ele a cara mais amarrada que consegui.
- Ah vocês - ele suspirou. Um dia me pedem pra ir logo com isso e no outro, não suportam me ver indo. Eu não ligo. Alguém tem que varrer o que sobrou do dia e não é exatamente como se tivessem muitos candidatos para o cargo, não senhora. Alguém tem que fazer.
Cansado, inspirou longamente, um pouco decepcionado por eu ainda estar ali. 
- Agora vá dormir, que acabando aqui você sabe, não demora já começa outro.