sábado, 16 de abril de 2011

Não teve jeito

MAS MÃE, se você chegar na loja e topar com um livro bacana, 
  pode trocar pelo meu ovo de Páscoa, ok?
- Não, nem vem com essa conversa de livro de novo... que coisa chata!
Mas mami... esses ovos são caros e eu nem como muito chocolate mesmo!
- Você vai ganhar chocolate e ponto final, entendeu? 
Poxa. Nem um livrinho-zinho-zico-zeco-mini?
- Chocolate.
Tá, tá, tá. Esquisita!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

De lembrança

TEM HORAS que o único jeito é parar com tudo e se coçar.
E é isso que resolvi fazer agora - coçar a coceira marvada. Aquela coçada com gosto.
Ok, eu vou falar a verdade. 
Eu tenho uma pulga. Não de circo, aquelas legais adestradas que fazem barulhinho, nem de estimação. É daquelas que morde pequenininho e dá coceira. 
Ganhei de presente.
Acho que é porque não me guento nunca, e agarrei um cachorro muito simpático ontem enquanto esperava minha mãe sair do salão. 
Talvez eu não devesse ter sentado na rua e deixado ele sentar no meu colo. Mas eu não resisti. 
Aqueles olhos enormes e lindos. A fuça que parecia um bombom. 
O nome dele era Borges. 
Tão simpático e gentil. Até me deixou uma pulga de lembrança.

Fiiiiiigaroo!





EU DEVIA ficar feliz pelo meu vizinho.
Mas pra falar a verdade, não me sinto muito solidária neste momento.
Acontece que meu vizinho descobriu que gosta muito, muito de cantar. 
Notas graves e agudas, e ele gosta particularmente de exercitar as longas. Bem longas.
Essa descoberta aconteceu hoje, precisamente as 6:35 da manhã.
Provavelmente é este o motivo da minha solidariedade instantaneamente retraída.
Mas eu te conto melhor quando acordar...


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com/

quinta-feira, 14 de abril de 2011

TOC

TODOS os meus is estão devidamente pingados agora. Alinhadinhos!
Por enquanto ou até amanhã, não sei.
Tudo ajeitadinho, combinadinho, tudo certo.
Que sonho!
Isso até vir um entreveiro qualquer e entortar todos os quadros outra vez.
Ou deixar beicinho nos tapetes.
Eu detesto quando o acaso vem e me abre as cortinas antes que eu tenha terminado de tirar a mesa do café da manhã. 
Ou quando ele tira minhas roupas daquela ordem de cores tão bonitinha que eu tinha arrumado.
Uh, que pesadelo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

tic tac taque taque tic


O TEMPO acontece pra cada um no seu próprio tempo mesmo.
Se fosse pelo que a pastelaria me dizia, ainda era muito cedo pra se estar em qualquer lugar
Pelo celular, eu poderia mesmo ter acordado um pouquinho antes (e talvez ter comido um pãozinho a menos)
Mas o sino da igreja se esgoelava intolerante: "Vão...vão...vão...vão...vão...vão...vão...vão!"
Que tempo que é o tempo certo de ser? Vai saber.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Não era sábado

- Oi!
- O que houve?
- O que houve o que? Eu tava no banho!
- Banho?
- É, não posso? O que é que tem de estranho nisso?
- Mas hoje é segunda feira...
- E...?
- Você não toma banho nas segundas feiras. E hoje é segunda feira ímpar. De mês par sem 31. O que tá acontecendo?
- Eu queria tomar banho, tomei banho e agora estou aqui.
- Sabe, eu acho que não te conheço mais, você anda tão mudada... você tem outro, é isso?
(Ahan)

Tá faltando caroço

OK, EU CONFESSO:
Eu cuido da vida dos outros.
Claro que é um elenco seleto, mini equipe, empresa do simples. Aquela meia dúzia. 
Mas eu cuido.
Quero saber onde foi, com quem foi, como foi e de preferência, com detalhes. 
Detalhes são importantes. 
Uma fofoca sem detalhes, é só um causo. De causo nem quero saber.
Mas pensando aqui, talvez eu devesse lembrar mais vezes daquele ditado, e cuidar melhor do nariz que me pertence.
Que depois que tomei o tal juízo, minha vida saiu das capas de revistas e das conversas de salão. Eu saí da boca das comadres, assim simplesmente.
Me aposentei do meu próprio fuxico, e agora estou aqui meio fora de moda.
Minha vida anda meio esquecidinha de formar notícias.
Melhor retomar o babado, porque do jeito que eu faria, ninguém faz. 
Assim eu não me realizo, não vai dar. 
Tá todo mundo nessa onda de cuidar do seu respectivo fungador!
Assim eu fico carente do babado, pô...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Atestado Médico

ATESTO para devidos fins, que o(a) senhor(a) Georgia Caroline esteve sob meus cuidados no Centro de Necessidades Estéticas Indispensáveis, para procedimentos de beleza de máxima importância, durante o período de 11 e 12 de abril das 14 às 17:30h. Necessitando de 3 dias de repouso, por motivo de lindeza e gostosura. 


Curitiba, 11 de abril de 2011.




________________________
(Assinatura e carimbo aqui)

Casamento





VESTIDO, sapato, maquiagem e correria. 
E claro que sempre faz frio.
Flores, sentimentos e a sinfonia de narizes que fungam em uníssono.
São tantas emoções, já diria o rei
E dia das terríveis atualizações relâmpago sobre a vida de todo mundo.
Resumir todo o significado da sua existência em duas perguntas:
- E o trabalho como está? 
- Tudo bem, tudo certo...
- E a mãe, tá boa?
- Tá sim, daquele jeitinho...


(Próóóximooo!)


Claro que você pode facilmente trocar a primeira pergunta por um 'E a faculdade?' ou 'E vocês, não vão casar?'
Mas a segunda pergunta é sempre sobre a mãe. 
E o papo sempre acaba aí.


(Vou ali pegar uma bebida, já volto tá?)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dia de folga

JÁ ERAM quase três da tarde,
  e nada do conto aparecer.
Eram dois-três (ou quatro) todo dia, antes até de terminar de tomar o café.
Será que ela ficou doente, pra sumir assim com eles de repente?
Deve estar cega da idéia - Bem falou um pensamento.
E surda da emoção - Respondeu o outro.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ciclo



DESESPEREI até que me sufocasse
Até que não mais conseguisse me conter
Até que enfim, achasse bobagem.

Desesperei porque tudo continuaria como antes. 
Até que me sufocasse
Até que eu não mais conseguisse me conter
Até que virasse bobagem...


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com/

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Curriculum



EU NÃO LEMBRO muito bem, mas o invariável é que ela sentou, colocou na sua frente papel e lápis e decidiu que iria começar a escrever. 
Escreveu, e viu que era bom.
Nesse dia ela tinha 13 anos. E mais anos foram se passando, e os contos foram se juntando dentro das suas gavetas. Até ficar bem parecido com o que sua mãe chamaria de uma pilha de lixo.
Então resolveu mostrar o que tanto ela escrevia (porque de tanto papel, começaram a perguntar)
Montou um blog e fez vários amigos, recebeu várias dicas, e um convite. Iam publicar seu conto numa revista lá de Minas Gerais. E o convite só aumentou, quando falaram que ela podia juntar tudo e fazer um livro. (já pensou?)
Mas aí veio o bicho da vergonha, que não deixou nada sair do papel. E também não saiu do coração.
Então um dia chegou alguém e disse que ela só escrevia bobagem. Ela olhou bem, e acreditou, daí guardou tudo, a pilha de lixo e o sonho.
Dali pra frente, só rabiscava meio tímida apenas pra não enlouquecer. Pra escorrer a sobra maior que sempre ficava...
Muito tempo depois, bem quando ela percebeu qual era a verdadeira bobagem dessa história, recebeu a mesma visita de anos atrás, com um recado que dizia que sempre haviam admirado tudo quanto ela brotou no papel.
Hoje em dia, pouco importa quem vai gostar, ela se importa apenas escrever até esvaziar...
(Fim)


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com

Buuuuuuu



O ABAJUR ligado no canto do quarto 
O corpo aninhado embaixo do edredom
  esvaziando as idéias antes de dormir. 
Não estava escuro, mas os monstros estavam todos soltos
  (brincando de fazer zueira no papel)


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com/

Onde o rio faz a curva

UM SUJEITO fumando no ponto de ônibus,
  dono da bituca que cai certinho dentro do rio que passa ali logo atrás.
O amigo cutuca: - Precisava mesmo jogar ai?
Mano, esse rio já é mó sujo, que que é, não tá vendo?
- É sim, tô vendo sim. Tô vendo ele um pouco mais sujo agora, também...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Deixa o verão pra mais tarde

6 HORAS da manhã em Curitiba. Eu saio da cama e sinto frio.
Enquanto eu mexo nas coisas por aqui, o Sol vai acordando meio xoxo.
(calça, camisetinha, casaco e bota)
7 horas da manhã. Abro a porta pra sair pro trabalho,  
  e o Sol tá fazendo de conta que mora na Bahia 
  e prometendo esquentar nossa cachola o dia todo. 
Voltei correndo pra dentro de casa, toda faceira pra trocar de roupa.
(calça, regatinha, casaquinho e sandália)
Melhor aproveitar, já que o calor nunca aparece, né? Daqui a pouco chega o inverno e eu vou cansar de me esconder debaixo de tanto pano.
10h da manhã, saio correndo atender o telefone que grita, histérico.
Sinto meus pés folgados demais. Até parece que nem tô usando nada. Tem cada sapato moderno hoje. 
Olhei direito. 
Tudo arrebentado de tanto tomar chuva. E viva o verão. 


As botas nunca me abandonaram desse jeito. 

Precaução

O ENGRAÇADO é que eu tomo mais remédio do que livro.
  Olha, dentro aqui da bolsa estou previnida de quase tudo: se a cabeça doer, se o estômago chiar, se Curitiba resolver chover e me fazer engripar, pomada e merthiolate que não arde!
- Uau, previnida mesmo! E livro?
Livro aqui só tenho um. 
- E esse serve pra que?
Ah, esse serve pra não esquecer a cor da vida...
- Então isso aí é remédio também ué.
É né? Acho que é mesmo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Novo inquilino

VOCÊ não tem chulé não, né?
- Não, não, não tenho não. 
Bom. Espero que também você não ronque, porque...
- Não, Dona. Fica tranquila, que roncar só ronco de fome. 

sábado, 2 de abril de 2011

É culpa do Tempo!

SUJEITINHO temperamental.
Ficamos nós todos aqui, eu e você, plantados esperando a boa vontade dessa donzela (sim, porque parece uma moça)
Esperando que ele venha nos abrir janelas e fechar algumas portas meio emperradas
Que nos leve pra casa, o quanto antes,
  sem trânsito nem fila de mercado
Imploramos que ele simplesmente vá,
  e nos traga pessoas como aquelas garrafinhas que chegam do mar (com mensagem dentro)
Quantas vezes eu quis que esse sujeito mudasse meu jeito de olhar as velhas feridas
E que me desse coragem pra tomar uma atitude que eu sempre deixei pra depois...
Juro que muitas vezes não tenho paciência pra atender todos esses caprichos.
Quero hoje meu salário! Quero agora minha inspiração! Quero ir embora AGORA, dá pra ser ou tá dificil?
Tá dificil, esse tal de Tempo é o tal do sujeito danado de lidar...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Demorado

HOJE tudo demorou
O ônibus demorou pra vir
E quando veio, demorou pra me levar
O outro demorou também, e também demorou chegar até minha casa.
Será da chuva?
Tava todo mundo se embolando na calçada, ninguém andava direito.
Até na padaria demorou.
Foi plantar o trigo? 
Eu que só queria sentar pra tomar o meu café 
  e correr pra cama, agarrar a cadelarada e assistir um filme.
Mentira, que você foi direto dormir...
Nem me pergunte, pois eu não sei o porque de tanta pressa mesmo.
Eu hein...

Manifesto dos trocentos sentidos da palavra

As palavras vão falando por si mesmas, essas danadas!
Dão mais cabo das coisas do que podemos nos dar conta.
Pois veja, um texto aparece por ai, 
  e não raro aparece junto, um sujeito pra reclamar:
"Você tá falando de mim",
 "Eu SEI que você tá falando dele/deles/dela/delas" - Peraí, não foi bem isso que eu quis dizer, a gente até se defende;
"Mas olhe só, como você pode, depois de tudo...(lágrimas)" 
Não adianta. O cliente sempre tem, mas o leitor geralmente nunca tem razão. Ou também o escritor, vai saber. As palavras fazem o que bem querem com o entendimento da gente. Ou você acha que não? (Hein, cuidado!)
E dai enquanto os reclamões fazem sua arte, os que escrevem ficam presos na sua própria libertação.


(E não venha reclamar...)

quinta-feira, 31 de março de 2011

A escola de música (dos infernos)

ERA TUDO meio sombrio,
  o chuvisco no fim do dia,
  a casa fechada,
  a pessoa que esperava por mim atrás da porta (que quase me matou de susto quando abriu)
  e a outra que estava de pé atrás da mesa.
Cumprimentei, oi tudo bem, e dei de cara com os quadros feios na parede feia.
  E a casa era feia também. E tava vazia de todo mundo.
Um latido grosso na janela. 
  - Ela deve estar com fome, o sujeito da mesa falou - já vou já vou querida!
  (No mínimo é um monstro, pensei, já que na janela não vi cachorro nenhum. Eu já tava imaginando onde ficava a banheira onde eles iam colocar meu corpo, ou se eles iam apenas alimentar a cachorrinha).
- Vamos lá então?
(Que? Eu já tinha esquecido o que eu ia fazer ali, e na verdade eu já estava meio de saída, sabe...) - Ah é, vamos.
- Então você canta?
Isso.
- O que você canta?
MPB, basicamente.
- Ah, legal. Eu conheço algumas coisas. Como, ehn... ma, Maria... Maria Montes, ela é bem boa né?
(Tá me zuando...) Se você tiver falando da Marisa Monte, sim, ela é bem boa mesmo.
- Então vamos lá, vou tocar uma música aqui. Não lembro o nome, mas é aquela que tocava na novela.
Putz, não assisto novela.
- Nossa, isso ai garota! Novela é tudo lixo. Mas a música é uma famosa, do, do... ehn... começa assim péin, bóin, péin (imagine um acorde realmente bem ridículo no piano)
Acho que não conheço.
- Não, não, você tem que conhecer sim. Vamos tentar. Repete comigo a letra: (tomei a liberdade de resumir as duzentas tentativas que ele fez, espero que você não se importe) "um cantinho um violão, este amor uma canção..."
Um cantinho um violão, este amor uma canção...
- Não. Não é assim, faz um bocão e tira esse som do peito.
Eu estou acustumada a cantar assim. (já posso ir?)
- Ah, então a gente vai ter que arrumar isso, assim não vai dar. 
(É, não vai mas é mesmo) Ok. Um cantinho, um violão... (lírico zuado)

Mais 10 minutos de um sofrido bla bla bla.

Olha, eu te ligo, tá certo?
- Ligue mesmo, vamos botar pra quebrar!
(Boa idéia, onde eu encontro uma marreta?) Tchau hein, muito obrigada!

Muito obrigada, enquanto eu viver, vou lembrar desse dia. 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Cresci?



TEM CRIANÇA que conversa melhor que gente grande. 
Eu estava metida numa dessas prosas, 
  sentadas as duas no meio fio esperando o retorno das nossas respectivas mães.
- Você já sabe o que vai ser quando crescer?
Ela levantou os ombros e fez um beicinho pra dizer um "não..." bem baixinho. 
Dai ela me olhou e perguntou:
- Você já sabe?
Dai eu disse, bem baixinho pra acompanhar: 
- Não também, mas quem sabe quando eu crescer eu descubra...
Eu gostei tanto da gargalhada que veio depois, que não teve como não rir junto.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

Cafungadas

TINHA ALGUÉM ali que cheirava igual minha mãe
E eu bem que senti alguém usando o meu perfume. 
Poderia muito bem ser nós duas ali sentadas, 
  viajando pra casa depois do trabalho.
Eu estava em pé, vendo tudo passar rápidinho pela janela. 
E como não estava vendo nada, 
  resolvi me atentar ao que eu podia cheirar.
Tinha alguém ali que cheirava carne assada (e não sei como ele não levou umas mordidas)
E outro que tinha cheiro de quem teve o dia cheio.
Eu provavelmente carregava o cheiro de quem queria chegar em casa quanto antes,
  misturado com o perfume igual da outra moça, que eu já disse.
Tem cheiro pra todo gosto, né?

terça-feira, 29 de março de 2011

Sala de espelhos

EU NÃO SEI como vim parar aqui.
Abri os olhos e estava ali, no meio daquela montoeira de espelhos.
Vi meus problemas se esticarem,
  vi meus medos ficarem bem mais gordinhos do que eu me lembrava.
Olhei pro lado e me vi toda pequena,
  e do outro lado minha própria mão tava querendo me tapar a boca.
Só não achava por onde sair
Eu dava a volta por ali, e voltava pro mesmo lugar.
Era uma dança de ilusões, sentimentos e reações que sempre me traziam de volta.
  Pro mesmo lugar.
  Pro mesmo lugar.
  Pro mesmo lugar.

Tava ali

ENCONTRO é quando a gente anda pela rua e bate o nariz num poste que é de caramelo.

domingo, 27 de março de 2011

O exílio do cookie

ELAS MAL sentaram e já queriam pedir alguma coisa. 
Todas então, fizeram um minuto de silêncio diante do cardápio e pensaram nos seus pedidos.
Então a primeira pediu o cookie de chocolate.
Só depois ela viu que todas as outras resolveram primeiro matar a fome grande. 
Depois da primeira mordidinha. 
Então eu fiz o óbvio, escondi aquele cookie embaixo do guardanapo, do outro lado da mesa - ainda não tá na hora do doce, ué! (mas tá tão bom - ela disse) 
Eu que não ia cair nessa.
O cookie ficou ali refém do término dos salgados, até que a rodada de amigos cookies foi liberada. E todas se olharam felizes, concordando só de olhar que estava realmente muito bom.


Mas tinha que esperar terminar o salgado, né?

sábado, 26 de março de 2011

Amor moderno

PEGUEI o cardápio e analisava as opções,
  e decidi que hoje precisava de uma coisa assim mais suculenta.
Batata frita sempre vem a calhar. A velha batata amiga das horas solitárias das pessoas solitárias. 
Parei pra analisar ali as minhas chances, 
  primeiro pelo facebook,
  postando um vídeo altamente sugestivo pro interesse da minha vítima.
Que acabava de ficar online. Obrigada universo.
Abri uma janelinha e disse meu oi mais simpático, quando a garçonete veio avisar que não tinha batata hoje. Que tal uma saladinha de tomate (verdes fritos, não obrigada - pensei), tutu de feijão e polentinha frita?
O offline apareceu antes de eu conseguir apertar o enter - Não, nem vou querer nada, obrigada - respondi sem nem olhar pra ela.
E fui embora. As opções estavam muito difíceis hoje.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Menino

ELE ERA muito jovem pra ser velho.
Mesmo assim ele estava ali sentado no banco da praça
  esperando a hora certa de se apaixonar.
De camisa xadrez e All Star ele olhava a menina que andava
  balançando seus cabelos (que já foram vermelhos) com a guitarra nas costas. 
Ele sorria pra ela e eu sabia, 
  ele podia ver o futuro diante dos olhos
  na menina que comprava um saco de pipoca 
  e voltava pra casa. 

quarta-feira, 23 de março de 2011

O teatro que não dava pra entrar e duas mulheres que não paravam de falar

Foi basicamente isso.
Quando cheguei ela já estava lá. 
Eu mal a conhecia pra saber, mas a cara dela dizia que tinha alguma coisa errada. 
Oi, tá cheio - ela disse.
Ah que bom, vamos então?
Não. Não dá pra entrar, tá cheio.
Ah. 
Toda aquela gente voltando enquanto eu chegava. Agora tudo fazia sentido. Era a terceira vez que eu tentava ver essa peça. Mas a peça não queria me ver.
Um café? Ela apareceu de volta e disse, ou talvez ela não tenha saído dali em nenhum momento. Não sei. A peça não me queria.
Isso. Um café. Mas onde? Vamos, vamos indo.
Então fomos andando, sem peça, sem pressa, conversando. E conversamos até nos dar conta que atravessamos a cidade caminhando, sem encontrar um café aberto da cidade. 


EI VOCÊS, estamos na capital! São oito horas, porque não tem café aberto?


E olhando ali quase enxergamos um pessoal na varanda tomando chimarrão. Quase, porque aparentemente eles não estavam lá. Não, eles não estavam lá de maneira nenhuma. Tenho quase certeza.
Então andamos. E como não sabíamos nada uma da outra, aquela era a melhor hora pra começar com isso.
Finalmente uma porta aberta apareceu. Entramos e um pouco além da porta ficava a mesa dos tomates, e era essa nossa mesa, sem dúvida. Até porque dali dava pra ver as luminárias gordas charmosas do lugar. Isso.
Quando o chocolate quente  chegou, nós duas já estávamos quase alcançando o nível 2 do estágio "amigas de infância". Quando o chocolate estava pra acabar, já estava frio, porque você sabe, não dá pra falar e beber ao mesmo tempo. Até porque os chocolates de hoje em dia gostam de exclusividade. Os mais antigos eram mais liberais pelo que me lembro. Ou era eu que não me importava com os bigodes. Enfim.
Depois que cheguei em casa, tive a impressão de que muito chocolate vai passar pelas nossas xícaras até que todas as histórias sejam contadas.
E eu achei isso muito divertido. Quem não gosta de chocolate?

terça-feira, 22 de março de 2011

Paralelos

ENQUANTO você viaja,
  o mundo rodopia
  o dia passa, anoitece
  (a fila anda)
  o acontecer acontece

Referência

MINHA IRMÃ mais nova tá ficando velha. 
E ai. E ai que eu tô me perdendo.
Antes eu dividia as pessoas em:
1) Com a idade da minha mãe
2) Muito mais velha que minha mãe
3) Com a minha idade, e
4) Com a idade da minha irmã mais nova, porque "muito mais velha que minha irmã mais nova", é no caso, a idade onde eu me encaixo.
E 5) Aqueles que tinham acabado de nascer, e fim. Era isso.
Mas agora ela resolve que vai ficar velha e me dou conta dessa discrepância entre a idade dela e das pessoas que acabaram de nascer. E agora como vai ser? Como eu faço?
Páre de ficar velha, ô!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Póin



- NOSSA, mas dai quando o inverno chegar, o que você vai vestir?
- Ué, dai eu vou vestir mais roupa. Vou vestir tudo o que eu encontrar pela frente. Vou brincar de bolinha.
- Ahn?
- De bolinha. E sair dando abraço de póin em todos bolinhas da cidade e talvez até montar um clube.
- (cara de bunda) 


Ilustra do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com/

domingo, 20 de março de 2011

Com rodelas, por favor!

O UNIVERSO e suas engrenagens
  tão velhinhas
Aquelas mesmas desde que sempre era só um comecinho
Aqueles milhares de enormes rodelas de um metal pesado, cheia de dentes, 
  que giram e giram e se encaixam uma na outra. 
Perfeitamente.
E dai é de onde parte o funcionamento de tudo (e o que acontece depois disso)
  E também o que aconteceu antes de alguém pensar em se preocupar com isso.
Pensar que tudo o que já foi, é e vai ser, depende do encaixe de umas rodelas milenares é meio bobo.
Mas o que interessa é que elas sempre se encaixam.
O resto é bobagem de qualquer maneira.

Sonho de menina

ERA UMA MENINA,
  menina de tudo, tão doce, tão linda. (menina)
Menina no seu mundo e suas flores, 
  com sua poesia que carregava em um caderno para todo lugar.
E todo lugar era sua casa porque ela era parte de cada lugar. 
  Cada planta tinha um pouco do seu brilho 
  e sua vida ela emprestava a cada ser vivo que passasse em frente. 
Ela era também o perfume do vento, a chuva, 
  e aquelas folhas que sempre fugiam de casa.


Talvez ela tenha se desmembrado em tanto ser. 
  Hoje não a vejo, não sinto, 
  não encontro mais onde ela poderia estar. 
Hoje tenho medo que ela possa se perder,
  se perder também de mim.
Não consigo reconhecê-la, não importa por onde eu ande. 
 se foram as flores e a poesia antiga, jogada por ai...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Que dormir...

FOI ASSIM
 uma pedrinha na janela,
 vidro que quebrou bem no cantinho,
 um vento que bate nos miolos na hora de dormir (que dormir)


Foi assim
 um bilhetinho enrolado que dizia
 qualquer coisa que fazia sorrir (por dias)


E ninguém sabe bem direito como foi
 mas depois disso tudo ficou diferente
 (e tão brega)


Não sei quem foi, mas foi
e foi assim
Agora tenho aqui, um vidro quebrado
o bilhete e eu (tudo enrolado)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Saudosa maloca

AH QUE LEGAL, não sabia que vocês eram amigos. Vocês se conhecem há quanto tempo?
- Olha, a gente se conhece desde que conjunto de moletom era o tipo de roupa perfeitamente apropriada para ir a qualquer lugar, a qualquer hora.
- (hahaha) Nossa, então faz tempo! Eu também tinha um, do Mickey...


(blá blá blá blá)

segunda-feira, 14 de março de 2011

A um pulo

EU ESQUECI como se pula amarelinha. Claro que eu só fui descobrir isso depois.
 então eu quis pular direto pro Céu. 
Tinha esquecido que pra chegar lá, eu precisava passar primeiro do 1 ao 10,
 sem tropeçar, sem cair, sem botar a mão no chão. 
Mas não, eu tinha que chegar direto lá,
 lá no Céu
 com o maior pulo do maior pulo que eu conseguisse imaginar.
Então preparei minha melhor pose de atleta para o maior pulo da história
 meu pulo histórico, e fui.
Meu nariz ficou bem rente ao 7. Minhas mãos no 8 e 9.
 só minha coragem chegou no Céu. Tenho quase certeza que ultrapassou.
Mas os joelhos...

Xiii...

DECEPÇÃO é quando aquilo que você queria muito vem com um defeito de fabricação tão grande que não dá pra fazer de conta que não existe. 


Às vezes acontece com pessoas também.

Aniversário


HOJE é aniversário dela e o que eu desejo, é que ela seja igual a um livro que eu li, sempre com cheiro de bolo dela no coração da gente.
Cheiro desse amor que não tem preguiça nem tempo ruim. 
Desse amor que tem sempre uma fatia pra oferecer.
Parabéns pra você, mãezinha amada, e também parabéns pra vocês também que nunca deixam de oferecer uma fatia a quem visita.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

quarta-feira, 9 de março de 2011

Contos da vida operária

ESTAVA descendo do ônibus, quando ouvi:
- Falou Alfajor, até amanhã!


   E no meio daquela confusão e gentarada, nem consegui olhar pra trás e ver se o sujeito era tão gostoso quanto o outro tava falando mesmo.

É cada uma...

SENTA aí e escuta o que eu tenho pra te falar - ela dizia enquanto circulava devagar pela cozinha. Encostou no balcão e começou:
- O seu amor? Eu não quero! E também não preciso dos seus cuidados, nem da sua amizade, nem dos seus conselhos. Não preciso nada, você tá entendendo? Posso muito bem me virar sozinha sem suas incríveis idéias de jerico...
- Ok. - a outra respondia, enquanto pensava que também ela tinha em mente algo melhor para fazer da vida que ficar ali ouvindo essas abobrinhas. - Acabou? Isto é tudo?
- Se eu tiver sido suficientemente clara pra você...
- Sem dúvida. Você já pode ir. Boa noite. - e coçou a coceira imaginária que surgiu entre seus cabelos enquanto conferia as tábuas do chão.
Foi impossível não ouvir os passos duros e a porta que bateu logo depois.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Entrevista

- O que você faz para viver?
- Eu canto, moça.
- Ah sério! Você tem cd, faz turnê, essas coisas? Eu devia te pedir um autógrafo?
- Não, não... ainda não. Eu tenho um emprego, se é isso que você quer saber. Mas pra viver, VIVER mesmo, eu canto. Tudo parece meio morto, meio xoxo quando deixo de cantar, sabe?

Jogo da vida

Então é assim: você fica no meio, aqui, enquanto todas essas petecas estão no ar, em volta. Você não pode deixar que elas caiam no chão, tá?
- Mas todas essas petecas juntas, como vou controlar todas ao mesmo tempo?
Eventualmente, uma ou outra, talvez até várias saiam do seu controle. O desafio é botar tudo em ordem de novo. E manter elas no ar. E levantar de novo quando for preciso.
- Peraí, mas essas petecas tem nome!
Tem, tem, como tem.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A terrível face do Piti Azul

DEVE SER dura essa vida de quem se vinga: visão estratégica pra planos detalhados, planos alternativos (caso dê tudo errado), discrição e um bocado de influência. E paciência. E teimosia.
Tudo isso com cuidado para não estragar as unhas, não despetecar a biju nem escorrer a maquiagem.
São tantos detalhes, frases de efeito e contatos quentes. 
Que vida, né?
Qual será o segredo, massagem, pedras quentes, yoga (tem que ser algo chique - manguaça é coisa de perua mequetrefe)
Sei lá viu, todo esse desgaste...não saiu de moda?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Não escrevi.

ESTAVA eu com meus botões
  a pensar sem compromisso
E diante dos meus olhos aparece um conto:
  pronto, inteiro, ali
  só esperando minha intenção pra lhe dar um corpo.
Mas ele apareceu tão triste
  que achei melhor não deixar que ele existisse.

Melhor amiga

- Você sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa, não sabe?
- Sei sim, mas eu não posso fazer isso.
- Mas ué, claro que pode!
- Tá... mas e como vai ser quando eu quiser te fazer uma surpresa?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

E no terminal

O ÔNIBUS levou dois capítulos para chegar. O sino da igreja já tava tocando (tô atrasada), o pessoal todo se esbaforindo
  aquela ôla de braços se cruzando sem parar. 
Só a cadelarada que não tava nem aí. 
  Seguiam bem faceiros de lá pra cá, ignorando a cara feia dos atrasados da vez...
A bruxa quando se solta não atinge os caninos.
Eu não tenho mais os meus. Eles foram arrancados por estética ou por espaço, coisa assim.
  Dai eu que não sou boba nem nada, levei uns peludos pra casa então, pra compensar.
Esse ônibus que não chega 
  Cê não bobeia, que eu quero mais é ir pegar bolinha, fazer careta pra pedir coxinha, e  brincar até o dia ir dormir...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Chegou aí?

SEMPRE TEM mais de onde veio esses.
  Cada canto de mim tem uma frase, um bilhetinho, um bilhetão - no armário aquilo que eu não posso esquecer, aquele enorme na parede é pra eu nem tentar (esquecer), e aquele elogio massa no espelho... você deve imaginar.
  As frases se pipocam pelas minhas gavetas e arquivos de texto, rascunhos de email. BLOQUINHOS! Tem como não amá-los?
As palavras vão saindo do que sou eu e grudando por ai.
  Onde dá pra escrever, eu vou escrevendo - na mão, no celular, no caderninho cheiroso que carrego na bolsa. 
  Às vezes é preciso esperar nascer uma nova idéia
  Esperar o acontecer passar pela janela do ônibus. 
Às vezes só faltava eu me dar conta. 
  Cavocar/catucar/futucar/ textos antigos, que já nem lembrava de ter escrito. 
  Ser paciente com os que precisam de tempo pra madurar (assim como eu). 
  Ser generoso com aqueles que só precisam de uma roupa nova.
E quando você ai pára pra ler esse pedaço de mim, esse pedaço se torna um pouco seu também. 
  Se virou sorriso, se virou beiço, pouco importa... chegou aí. 
  E assim eu me espalho...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Assim - 1

CHEGARA e revirara tudo de cima pra baixo
  minhas coisas, minhas palavras e minha convicção
  descobriu em mim um reflexo que juraria lorota


Me fez acreditar na sua lábia
  e naquela história que teríamos dali pra frente
Era tudo diferente do que eu já tinha visto
  mas no fim de tudo, ainda era eu
  nua e crua, sem artificios, sem jogos, sem truques


Era eu do jeito que sempre quis ser
  sem fingimento
Eu testava, falava e repetia
  ainda era eu, ainda estava certo


Ainda assim eu era igual a ele.

E de noite - 2

FOI ANDANDO pela rua
  mãos no bolso, na garoa
  começando o caminho para casa. 


Ele se fora com todos os mimos e cheiros 
  que levara de mim
  sem nem pedir licença


Das grades da janela pra rua eu via
  mais um daqueles moços perfeitos pra história de outros
  roteiro de filme
Voltar pro mundinho que lhe pertencia
 de onde era melhor nem ter saído. 

O silêncio - 3

CALARA então a presença dele da sua voz
  buscou outros assuntos para passar o dia
(pra deixar o dia passar)


Mas a falta que ele fazia
  fazia também quando era só o silêncio
(e era silêncio em quase todo lugar)


Então da quietude que pairava
 ela guardava o que já não podia ouvir
 pra mais tarde, pode ser.

Uma página velha - 4

QUANDO resolvera então limpar tudo o que lembrava ele
  jogou as gavetas, sentou no chão, releu as cartas


E reviveu aquelas palavras que um dia dedicara a ele.
Rasgou em pedaços e jogou tudo fora (como outrora ele fizera com ela)


Esperava um dia não se sentir tão cuidadosa
  e poder sentir de novo essa inocência.
Essa leveza de estar completamente,
   cheio

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

só de sacanagem

HOJE eu dou a volta por cima
  porque cada lagrimazinha que derramei no chão teve valor.
Porque a junção de cada uma
  cada desespero que me rasgou, de novo e de novo
  também me remontou, de novo e de novo
Até que eu ficasse assim, como eu sou hoje.


Quando eu choro, eu deixo chorar
  porque talvez ainda seja preciso rasgar e remontar
  pra eu ser aquilo que vou ser amanhã.


Eu hoje dou a volta por cima
Até porque se eu desistisse
  as lutas que tive não teriam mais valor
Seriam tolas, pra chegar a lugar nenhum


Mas eu cheguei aqui, e isso vale alguma coisa.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Como pode um peixe vivo...

NO ESCURO é difícil ler.
Mas eu tava tentando, enquanto esperava meus amigos chegarem no bar onde insistentemente fui convocada a estar.

Eu obviamente estava um pouco deslocada - eu vim com um objetivo  - eu repetia e repetia pra que eu mantesse a calma e a postura sentada naquela cadeira, sem ceder ao ímpeto de voltar um pouco desesperadamente para minha casa.

Toda aquela conversa toda aquela risada e declarações públicas de amor estavam desconcentrando um pouco o que já estava difícil - ler.
Então fechei meu livro e puxei um caderno da minha bolsa pra anotar tudo aquilo que eu estava pensando sobre aquele lugar - e acabei pensando muito. Tantas pessoas diferentes em idade, profissão, hábitos, motivações, diferentes em maneiras de se fazer divertir, todas ali, reunidas como se fossem iguais (pois estavam todas fazendo a mesma coisa)

Então eu anotava e ria e anotava, encostava olhava e anotava, e foi como se uma luz pairasse sobre mim, fazendo descobrir minha verdadeira identidade - como a Xuxa ou um alienígena laranjado - porque todas as cabeças mais atentas do lugar viraram em minha direção.


Eu obviamente estava um pouco deslocada, como eu disse.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

improviso

Pensamentos vizinhos conversando ao olhar o movimento em volta da praça:
- Uma provável conversa entre aqueles três lixeiros parados ali, tá vendo? O que eles podem estar conversando?
- Eles podem estar conversando sobre qualquer coisa.

- É... provavelmente estão.

marionete

Eu não sinto sono.
Ele é quem me sente. Eu sou dele agora.
Desde que passei por aquela calçada meio clara demais hoje de manhã. Eu quase pude perceber o momento em que ele ia me tomando conta, pelos pés e subindo.
E então senti meu corpo se rendendo àquele controle, as pernas, braços amolecendo no ritmo das minhas passadas. E então ele tomou conta dos meus olhos (que ficaram vermelhos), do meu humor, que nem era grande coisa já) e finalmente, da minha cabeça (que quase caiu).
Eu sou dele agora. E eu continuo andando pela calçada branca.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

e quando a gente não vê

Gratidão é quando nasce um dia bem lindo pra você, você repara, e ainda dá o seu melhor pra que ele continue lindo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Segure firme

A inspiração é um balão de gás hélio muito maior do que seu corpo.
Ou você o solta e o deixa ir embora (voando)
Ou você voa com ele.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

uma cordinha



Era um barquinho miúdo amarrado ali naquele lugar
Amarrado ali, como se sempre dali tivesse sido parte.


Batia o vento, chegava e ia embora toda aquela gente
Que ficava de um lado pra outro o dia inteiro
Ele se esticava como podia pra dar uma espiada (também queria ir pro outro lado)
E o barquinho ia ia até sua corda puxar (e dizer chega)
(e ter que voltar)


Então ele sonhava com o aguaréu do mar
Sonhava em se perder de tanto olhar praquele azul (o sol a liberdade e uma boa música de fundo)


Quando abria os olhos parecia tão real o que ele tinha sentido (estava tão ali aquele mar)
Podia sentir como era. Podia ir até lá, não podia? (e porque não?)


Nunca lhe disseram o porque não. Talvez fosse por ele ser assim, miudo. 
Então só restava pra ele voltar pro seu cantinho, miudo.
Era assim.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com