sexta-feira, 18 de março de 2011

Que dormir...

FOI ASSIM
 uma pedrinha na janela,
 vidro que quebrou bem no cantinho,
 um vento que bate nos miolos na hora de dormir (que dormir)


Foi assim
 um bilhetinho enrolado que dizia
 qualquer coisa que fazia sorrir (por dias)


E ninguém sabe bem direito como foi
 mas depois disso tudo ficou diferente
 (e tão brega)


Não sei quem foi, mas foi
e foi assim
Agora tenho aqui, um vidro quebrado
o bilhete e eu (tudo enrolado)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Saudosa maloca

AH QUE LEGAL, não sabia que vocês eram amigos. Vocês se conhecem há quanto tempo?
- Olha, a gente se conhece desde que conjunto de moletom era o tipo de roupa perfeitamente apropriada para ir a qualquer lugar, a qualquer hora.
- (hahaha) Nossa, então faz tempo! Eu também tinha um, do Mickey...


(blá blá blá blá)

segunda-feira, 14 de março de 2011

A um pulo

EU ESQUECI como se pula amarelinha. Claro que eu só fui descobrir isso depois.
 então eu quis pular direto pro Céu. 
Tinha esquecido que pra chegar lá, eu precisava passar primeiro do 1 ao 10,
 sem tropeçar, sem cair, sem botar a mão no chão. 
Mas não, eu tinha que chegar direto lá,
 lá no Céu
 com o maior pulo do maior pulo que eu conseguisse imaginar.
Então preparei minha melhor pose de atleta para o maior pulo da história
 meu pulo histórico, e fui.
Meu nariz ficou bem rente ao 7. Minhas mãos no 8 e 9.
 só minha coragem chegou no Céu. Tenho quase certeza que ultrapassou.
Mas os joelhos...

Xiii...

DECEPÇÃO é quando aquilo que você queria muito vem com um defeito de fabricação tão grande que não dá pra fazer de conta que não existe. 


Às vezes acontece com pessoas também.

Aniversário


HOJE é aniversário dela e o que eu desejo, é que ela seja igual a um livro que eu li, sempre com cheiro de bolo dela no coração da gente.
Cheiro desse amor que não tem preguiça nem tempo ruim. 
Desse amor que tem sempre uma fatia pra oferecer.
Parabéns pra você, mãezinha amada, e também parabéns pra vocês também que nunca deixam de oferecer uma fatia a quem visita.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

quarta-feira, 9 de março de 2011

Contos da vida operária

ESTAVA descendo do ônibus, quando ouvi:
- Falou Alfajor, até amanhã!


   E no meio daquela confusão e gentarada, nem consegui olhar pra trás e ver se o sujeito era tão gostoso quanto o outro tava falando mesmo.

É cada uma...

SENTA aí e escuta o que eu tenho pra te falar - ela dizia enquanto circulava devagar pela cozinha. Encostou no balcão e começou:
- O seu amor? Eu não quero! E também não preciso dos seus cuidados, nem da sua amizade, nem dos seus conselhos. Não preciso nada, você tá entendendo? Posso muito bem me virar sozinha sem suas incríveis idéias de jerico...
- Ok. - a outra respondia, enquanto pensava que também ela tinha em mente algo melhor para fazer da vida que ficar ali ouvindo essas abobrinhas. - Acabou? Isto é tudo?
- Se eu tiver sido suficientemente clara pra você...
- Sem dúvida. Você já pode ir. Boa noite. - e coçou a coceira imaginária que surgiu entre seus cabelos enquanto conferia as tábuas do chão.
Foi impossível não ouvir os passos duros e a porta que bateu logo depois.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Entrevista

- O que você faz para viver?
- Eu canto, moça.
- Ah sério! Você tem cd, faz turnê, essas coisas? Eu devia te pedir um autógrafo?
- Não, não... ainda não. Eu tenho um emprego, se é isso que você quer saber. Mas pra viver, VIVER mesmo, eu canto. Tudo parece meio morto, meio xoxo quando deixo de cantar, sabe?

Jogo da vida

Então é assim: você fica no meio, aqui, enquanto todas essas petecas estão no ar, em volta. Você não pode deixar que elas caiam no chão, tá?
- Mas todas essas petecas juntas, como vou controlar todas ao mesmo tempo?
Eventualmente, uma ou outra, talvez até várias saiam do seu controle. O desafio é botar tudo em ordem de novo. E manter elas no ar. E levantar de novo quando for preciso.
- Peraí, mas essas petecas tem nome!
Tem, tem, como tem.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A terrível face do Piti Azul

DEVE SER dura essa vida de quem se vinga: visão estratégica pra planos detalhados, planos alternativos (caso dê tudo errado), discrição e um bocado de influência. E paciência. E teimosia.
Tudo isso com cuidado para não estragar as unhas, não despetecar a biju nem escorrer a maquiagem.
São tantos detalhes, frases de efeito e contatos quentes. 
Que vida, né?
Qual será o segredo, massagem, pedras quentes, yoga (tem que ser algo chique - manguaça é coisa de perua mequetrefe)
Sei lá viu, todo esse desgaste...não saiu de moda?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Não escrevi.

ESTAVA eu com meus botões
  a pensar sem compromisso
E diante dos meus olhos aparece um conto:
  pronto, inteiro, ali
  só esperando minha intenção pra lhe dar um corpo.
Mas ele apareceu tão triste
  que achei melhor não deixar que ele existisse.

Melhor amiga

- Você sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa, não sabe?
- Sei sim, mas eu não posso fazer isso.
- Mas ué, claro que pode!
- Tá... mas e como vai ser quando eu quiser te fazer uma surpresa?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

E no terminal

O ÔNIBUS levou dois capítulos para chegar. O sino da igreja já tava tocando (tô atrasada), o pessoal todo se esbaforindo
  aquela ôla de braços se cruzando sem parar. 
Só a cadelarada que não tava nem aí. 
  Seguiam bem faceiros de lá pra cá, ignorando a cara feia dos atrasados da vez...
A bruxa quando se solta não atinge os caninos.
Eu não tenho mais os meus. Eles foram arrancados por estética ou por espaço, coisa assim.
  Dai eu que não sou boba nem nada, levei uns peludos pra casa então, pra compensar.
Esse ônibus que não chega 
  Cê não bobeia, que eu quero mais é ir pegar bolinha, fazer careta pra pedir coxinha, e  brincar até o dia ir dormir...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Chegou aí?

SEMPRE TEM mais de onde veio esses.
  Cada canto de mim tem uma frase, um bilhetinho, um bilhetão - no armário aquilo que eu não posso esquecer, aquele enorme na parede é pra eu nem tentar (esquecer), e aquele elogio massa no espelho... você deve imaginar.
  As frases se pipocam pelas minhas gavetas e arquivos de texto, rascunhos de email. BLOQUINHOS! Tem como não amá-los?
As palavras vão saindo do que sou eu e grudando por ai.
  Onde dá pra escrever, eu vou escrevendo - na mão, no celular, no caderninho cheiroso que carrego na bolsa. 
  Às vezes é preciso esperar nascer uma nova idéia
  Esperar o acontecer passar pela janela do ônibus. 
Às vezes só faltava eu me dar conta. 
  Cavocar/catucar/futucar/ textos antigos, que já nem lembrava de ter escrito. 
  Ser paciente com os que precisam de tempo pra madurar (assim como eu). 
  Ser generoso com aqueles que só precisam de uma roupa nova.
E quando você ai pára pra ler esse pedaço de mim, esse pedaço se torna um pouco seu também. 
  Se virou sorriso, se virou beiço, pouco importa... chegou aí. 
  E assim eu me espalho...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Assim - 1

CHEGARA e revirara tudo de cima pra baixo
  minhas coisas, minhas palavras e minha convicção
  descobriu em mim um reflexo que juraria lorota


Me fez acreditar na sua lábia
  e naquela história que teríamos dali pra frente
Era tudo diferente do que eu já tinha visto
  mas no fim de tudo, ainda era eu
  nua e crua, sem artificios, sem jogos, sem truques


Era eu do jeito que sempre quis ser
  sem fingimento
Eu testava, falava e repetia
  ainda era eu, ainda estava certo


Ainda assim eu era igual a ele.

E de noite - 2

FOI ANDANDO pela rua
  mãos no bolso, na garoa
  começando o caminho para casa. 


Ele se fora com todos os mimos e cheiros 
  que levara de mim
  sem nem pedir licença


Das grades da janela pra rua eu via
  mais um daqueles moços perfeitos pra história de outros
  roteiro de filme
Voltar pro mundinho que lhe pertencia
 de onde era melhor nem ter saído. 

O silêncio - 3

CALARA então a presença dele da sua voz
  buscou outros assuntos para passar o dia
(pra deixar o dia passar)


Mas a falta que ele fazia
  fazia também quando era só o silêncio
(e era silêncio em quase todo lugar)


Então da quietude que pairava
 ela guardava o que já não podia ouvir
 pra mais tarde, pode ser.

Uma página velha - 4

QUANDO resolvera então limpar tudo o que lembrava ele
  jogou as gavetas, sentou no chão, releu as cartas


E reviveu aquelas palavras que um dia dedicara a ele.
Rasgou em pedaços e jogou tudo fora (como outrora ele fizera com ela)


Esperava um dia não se sentir tão cuidadosa
  e poder sentir de novo essa inocência.
Essa leveza de estar completamente,
   cheio

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

só de sacanagem

HOJE eu dou a volta por cima
  porque cada lagrimazinha que derramei no chão teve valor.
Porque a junção de cada uma
  cada desespero que me rasgou, de novo e de novo
  também me remontou, de novo e de novo
Até que eu ficasse assim, como eu sou hoje.


Quando eu choro, eu deixo chorar
  porque talvez ainda seja preciso rasgar e remontar
  pra eu ser aquilo que vou ser amanhã.


Eu hoje dou a volta por cima
Até porque se eu desistisse
  as lutas que tive não teriam mais valor
Seriam tolas, pra chegar a lugar nenhum


Mas eu cheguei aqui, e isso vale alguma coisa.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Como pode um peixe vivo...

NO ESCURO é difícil ler.
Mas eu tava tentando, enquanto esperava meus amigos chegarem no bar onde insistentemente fui convocada a estar.

Eu obviamente estava um pouco deslocada - eu vim com um objetivo  - eu repetia e repetia pra que eu mantesse a calma e a postura sentada naquela cadeira, sem ceder ao ímpeto de voltar um pouco desesperadamente para minha casa.

Toda aquela conversa toda aquela risada e declarações públicas de amor estavam desconcentrando um pouco o que já estava difícil - ler.
Então fechei meu livro e puxei um caderno da minha bolsa pra anotar tudo aquilo que eu estava pensando sobre aquele lugar - e acabei pensando muito. Tantas pessoas diferentes em idade, profissão, hábitos, motivações, diferentes em maneiras de se fazer divertir, todas ali, reunidas como se fossem iguais (pois estavam todas fazendo a mesma coisa)

Então eu anotava e ria e anotava, encostava olhava e anotava, e foi como se uma luz pairasse sobre mim, fazendo descobrir minha verdadeira identidade - como a Xuxa ou um alienígena laranjado - porque todas as cabeças mais atentas do lugar viraram em minha direção.


Eu obviamente estava um pouco deslocada, como eu disse.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

improviso

Pensamentos vizinhos conversando ao olhar o movimento em volta da praça:
- Uma provável conversa entre aqueles três lixeiros parados ali, tá vendo? O que eles podem estar conversando?
- Eles podem estar conversando sobre qualquer coisa.

- É... provavelmente estão.

marionete

Eu não sinto sono.
Ele é quem me sente. Eu sou dele agora.
Desde que passei por aquela calçada meio clara demais hoje de manhã. Eu quase pude perceber o momento em que ele ia me tomando conta, pelos pés e subindo.
E então senti meu corpo se rendendo àquele controle, as pernas, braços amolecendo no ritmo das minhas passadas. E então ele tomou conta dos meus olhos (que ficaram vermelhos), do meu humor, que nem era grande coisa já) e finalmente, da minha cabeça (que quase caiu).
Eu sou dele agora. E eu continuo andando pela calçada branca.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

e quando a gente não vê

Gratidão é quando nasce um dia bem lindo pra você, você repara, e ainda dá o seu melhor pra que ele continue lindo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Segure firme

A inspiração é um balão de gás hélio muito maior do que seu corpo.
Ou você o solta e o deixa ir embora (voando)
Ou você voa com ele.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

uma cordinha



Era um barquinho miúdo amarrado ali naquele lugar
Amarrado ali, como se sempre dali tivesse sido parte.


Batia o vento, chegava e ia embora toda aquela gente
Que ficava de um lado pra outro o dia inteiro
Ele se esticava como podia pra dar uma espiada (também queria ir pro outro lado)
E o barquinho ia ia até sua corda puxar (e dizer chega)
(e ter que voltar)


Então ele sonhava com o aguaréu do mar
Sonhava em se perder de tanto olhar praquele azul (o sol a liberdade e uma boa música de fundo)


Quando abria os olhos parecia tão real o que ele tinha sentido (estava tão ali aquele mar)
Podia sentir como era. Podia ir até lá, não podia? (e porque não?)


Nunca lhe disseram o porque não. Talvez fosse por ele ser assim, miudo. 
Então só restava pra ele voltar pro seu cantinho, miudo.
Era assim.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

então eu escuto...



Já ouvi o mesmo disco por meses sem trocar
Onde as palavras se repetiam em mim até furar (como água mole em pedra dura)
Até fazer sentido.
Até passar.
Ouvi o mesmo disco por 100 ou 100 mil vezes (tanto faz)
Até que o que eu ouvia se tornasse meu (até fazer parte de mim)
Até que outra parte de mim viesse e trouxesse consigo outro disco pra comemorar (e começar tudo de novo)
E de novo...

Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

você sabe?

onde fica seu potinho de sabedoria? (na ponta do arco iris fica aquele de ouro)
onde você vai buscar palavras boas, colo, abraço? (uma lambida do cachorro)
onde descansa sua calma? onde sua alma vai pra descansar? (ou ela sai com você pra passear?)
onde você põe os pés no chão? quem te diz onde é bom voar? (só fechar os olhos e pular)
quem é teu deus, teu norte, teu centro, tua base? (onde você se sente em casa?)
o que você faz pra ser você, onde você se identifica?
o que você faz, pra saber que você está sendo você mesmo? (neste minuto agora, você é quem?)
você grita, lê, dança, cala, escreve, briga, canta, chora, implora?
onde você vai se abastecer?
onde você guarda aquilo que precisa saber? (você sabe?)



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Efigênia



Ela mal podia esperar o amanhecer 
Só para te encher de beijinhos lambidos
(e molhados), e te prender entre seus bracinhos pequenos

Ela mal podia te esperar chegar em casa 
e pular no seu colo e adormecer bem aninhada
(depois daqueeeela coçadinha na pança)
Pra ela, cada despedida é eterna e a distância grita
(e se faz ouvir a pelo menos dois quarteirões)

A casa é mais gostosa porque ela te espera 
(mesmo que primeiro ela corra até o portão)
Porque ela te recebe, te segue, te beija, te pula, te cheira...
Porque pra ela você é a pessoa mais importante
(do mundo e do universo)
E fim.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Contrata-se





Temos vagas para modelos:
- Sem cabelo;
- Com e sem cabeça;
- Com e sem braços;
- Com e sem pernas.


Para demonstrar nossa coleção de roupas durante toda a temporada. Necessário experiência em poses interessantes e habilidade estátua. Requisitos mínimos: tronco. Modelos com cabelo, cabeça, braços e pernas também serão entrevistados. Contratação imediata. Venha fazer parte da nossa equipe!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

o pijama monstro


Hoje acordei assim,
meio apagada meio cansada
minha luz hoje foi se esconder em algum lugar
(com medo do dia)


Meu pijama quis me aprisionar me agarrar  e não queria me deixar sair 
(e me deixar sentir bonita) 
ele só pedia que fosse noite outra vez
(mas era só pro dia passar logo)


Ele pediu, mas a rua lá fora me chamou
(eu nunca obedeço mesmo)


*
E quando eu olho pra trás posso ver quanto fui longe
E quão perto eu fiquei de ter ficado pra trás...


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com

futuro imperfeito do conjuntivo


Deitada na cama, contava as madeiras do forro
E em cada uma, parecia estar escrito tudo o que foi feito de mim
(pra que eu me tornasse isso ai que você vê)
Eu lembrava quando as paredes do passado me sufocavam, como um quartinho muito muito pequeno esmagando meu dia-noite-dia. (um nó muito apertado bem no meio do sossego)
E como mesmo aquilo que já ficou pra trás deixa no peito a exata noção do tempo que foi perdido.
Quanto pesa aquilo que sobra do que fomos?
Deitada ali a lembrança bem que quis virar parte de mim
E quanto as minhas, deixo na bagagem lá trás
(que acidentalmente posso esquecer onde melhor me convier...)


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

abre a porta, mariquinha!

Eu nunca fui do tipo romântica. Azar meu que falei isso e acabei mordendo a língua (bem que me avisaram).
Mas quase me derreti inteira quando ele disse que a parte mais legal de todas, é me ver abrir a porta...
Ué? A porta? - eu perguntei.
Ele disse: é... junto com a luz, é você ali, só esperando por mim.


Ainda estou procurando o filme de onde ele tirou isso (tem que ter um filme).

chega de era uma vez...

Não haveria mistério sem a curiosidade. 
A curiosidade matou o gato e o seguro, morreu de velho. 
Todo mundo morre no final da história. 
O negócio então é que a história seja mesmo boa.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

shhhhhhh!

do outro lado do ouvido tem muito barulho.
é conversa e briga ordem do patrão e xororô. 
as palavras vão saindo fora das bocas assim, simplesmente escapulindo
se juntando e crescendo e formando uma massaroca só.
nesse lado do ouvido tem muita confusão...
de noite é ronco é gato cantando e ladrão
quando a gente dorme o barulho entra dentro do sonhar (e grita e da pulo até acordar)

do lado de dentro do ouvido tudo faz eco
e quando lá também tá cheio tudo ribomba
e ribomba (bomba)
vira massaroca e fica tudo igual ao lado de fora (ribomba)
e quando se confunde com a barulheira do lado de dentro...
dai eu não aguento.

sábado, 15 de janeiro de 2011

exemplo de mãe



E quando ela passou esplendorosa
Sua alegria tinha cheiro de flor
Todo mundo comentava
Mas ela só dizia, é o dia que nasceu bonito hoje...


A parte boa de ter memória curta é poder dizer "nunca me senti assim tão bem" e sempre ser verdade.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

não era bem assim


comigo, meu bem, você pode tudo:
bateu na telha, pode ir que o mundo é seu!
você pode mentir e se enroscar se você quiser
(isso você pode sim senhor)
você só não pode depois voltar pra me dizer que não foi por mal
(que não era bem assim)


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

uuugh!

Desilusão é quando você engole uma nuvem que não era algodão doce. 

sábado, 1 de janeiro de 2011

nheeeec

A confiança quando se perde, 
é como uma porta emperrada que dá muito trabalho pra abrir.


(e depois que abre, ainda fica meio guenza)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

eu você e todo mundo

Eu sou um bocado de coisas. 
Você é um bocado de outras coisas. 
Nossos bocados se encontraram um belo dia, foi ai que nos conhecemos.
E os bocadinhos, aos pedaços, coincidiram um pouquinho a cada dia. E ai nos reencontramos. 
De tudo o que sei sobre você, é só um bocado, em relação ao pote inteiro de biscoitos. 
Um pote inteiro de biscoitos significa muita coisa.
Muita coisa geralmente é assustador. 
Colidir os contextos, universos, potes de biscoitos. 
Assustador.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

desapegar




carregava pra cima e pra baixo um monte de peso inútil. um baita mochilão de ressentimentos. (e outras coisas feias)
era tão pesado e tão inútil, que ele nem percebia que tava ali, só estrovando.
e era tão pesado e inútil que parecia bem fazer parte do que ele era. (do que ele pensava que era)
um dia disseram que ele não precisava mais levar o mochilão. Que aquela coisarada toda podia ser deixada ali mesmo, pra quem quisesse pegar. (que ninguém quisesse)
foi assim tirar com a mão e sair andando. 
tão mais leve.


*

eu sou um tanto maior, 
agora que as costas não se curvam mais de tanto carregar o medo.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

é assim

Se arriscar é quando você faz tudo o que você sempre fez, só que de um jeito diferente.



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

alma pelada


precisava do silêncio pra deixar a alma falar 
pra conseguir descobrir do lado de dentro
pra botar tudo no lugar


precisava as vezes só ficar e deixar que os outros falem 
e deixar reclamar quanto baste
precisava só concentrar em não ouvir (e não estar)


deixar a presença apenas na carcaça que carrego
e a vida um pouco longe até pra buscar
(só pra ir buscar)
arrumar mais algumas peças do brinquedo
colorir com  mais algumas flores
só pra deixar cada vez melhor.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

então seremos

não sou tudo o que posso. (nem sei o que posso)


há muito ainda por descobrir
muito por construir (e leva tempo)


há que se pensar a respeito do que se quer,  que se pode, que se deve
e o que não.
o que vai e o que fica (ou quem) não sou eu que decido (nem ninguém)


os dias vêm aos solavancos
(de repente tá tudo no ar)
e ai tudo fica quieto.


junta tudo o que foi com aquilo que é, tira o que deveria ser de outro jeito e dá um desconto por aquilo que tem que ser exatamente assim.
Isso é hoje.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Manual

Como guardar uma mágoa:
- Escolha uma frase que você tenha ouvido e que tenha te pegado desprevinido.
- Repita mentalmente essa frase várias vezes, do começo ao fim, e de novo, colocando bastante emoção toda vez que você "ouve" de novo (isso é bem importante).
- Repita o processo ainda mais vezes até que se torne um hábito.
- Dia e noite, não deixe isso sair da sua cabeça. Quando você tentar se distrair, mantenha o foco, repetindo a frase mentalmente de novo e de novo.
Atenção: não se deixe cair no sono, o processo só estará completado depois de algumas noites acordado.
Com determinação e insistência, você logo terá sua bela coleção.



Inveja

Inveja é quando a gente gosta tanto do que aconteceu com o outro, que queremos que aconteça com a gente também.
De preferência nesse instante.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

o exagero da tranquilidade é o tédio...



Ela sabia muito bem o que queria, e principalmente, o que não queria. 
Não sabia não querer o que não deveria, pensava e falava, sonhava e dava voltas em seus próprios argumentos até ser certo seu querer. Mesmo não sendo. 
Ilusão ou sonho ou impulso, a definição varia com o ponto de vista. 
E todos estão certos. 

Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

os guarda chuvas protestam


Ocorreram muitas demissões nestes últimos dias, diz a Associação dos Trabalhadores do Mau Tempo. 
Os trabalhadores se revoltaram e protestaram nas ruas, se revirando e logo após se jogando nas lixeiras da cidade. 
- Melhores condições de trabalho! Chega de vento! Chega de granizo! Chega de toró! - Eles diziam.
Hoje pela manhã, o cenário era de destruição. Muitos corpos jazem com as pernas para cima, destroçados, sem pele, pelas calçadas da cidade. 
Rogai por nós, São Pedro!



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

mistura tudo

o futuro se constrói nos solavancos do caminho
(sacolejante)
e dentro da carruagem tentamos permanecer sentados e calmos
(sacolejando)
há de se olhar para fora e ver o horizonte
(sacolejando)
sorrir e achar bonito
e continuar seguindo
(sacolejando)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

um causo



ela tinha mania de sofrer demais. e meu deus, como sofria.
seu cabelo não ajudava. seu corpo era uma ofensa. sua capacidade era talvez superior a de um gafanhoto. 
e seus amigos. e seus amores. sua familia.
ah.. o seu trabalho.
todo seu universo parecia existir para conspirar contra sua existência.
sem exagero, eles querem mesmo acabar comigo - ela dizia - elas tem inveja de mim, só porque sou magra e fiz uma faculdade decente.
liga não, amiga - eu disse.


só lembre disso mais vezes.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com/

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ficou feia


Fiquei assim meio invejosa. Ao meu lado no  ônibus, fiquei reparando. Uma mulher toda bonitona, elegantona, com um cabelão brilhante, unhas imaculadas e perfeitas, naquela pose de miss galáxia no fervo das 6 horas da tarde.
Fiquei ali me imaginando como eu seria linda se eu fosse linda.
Até que a moça se virou e eu pude ver que no rosto ela carregava uma cara retorcida de desprezo.
Deu até uma gastura.
Ui credo, coisa feia.
Até virei pra lá.

Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com/

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Era uma casa nada engraçada


Na casa onde a menina morava, tinha uma placa escrita medo.
E ele também morava lá.
Os dois dividiram aquela casa e mesma mesa por muito muito tempo.
Até quando não coube mais a menina, nem a mesa, só o medo.
Então ele ficou tão grande, que ficou preso lá pra sempre.
E a menina foi morar onde brilha o sol.

Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com/

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

já passou

tudo o que é escrito
é preso parado e vivo
como se uma parte de nós ficasse pra sempre ali para nos lembrar
ou nos fazer voltar ser de novo (velho)

o eu que já não sou mais
como o túmulo de nossos erros e ingenuidades
é apenas o passado acenando ali

insônia

às vezes eu não tenho sossego dentro da minha própria carcaça;
meus pensamentos se 
acotovelam se amontoam brigam e se confundem

todos querem se pensar ao mesmo tempo
um minutinho exclusivo;
ser o pensamento que não sai da minha cabeça.

de preferência aquele que me tira o sono.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

sobre engolir

quando você terminou o café 
e foi-se embora
ficou o dilema
esfriando o que sobrava dos meus ânimos.

é de se falar tudo aquilo que precisa 
ou se esperar tudo aquilo que se teme?

assim você foi, sem ouvir e sem temer.

(ficou pra mim de sobremesa)

sorriso amarelo


quando você me fala de tudo aquilo
que você sente ai dentro do peito
eu não acredito
não sei se é tua a ilusão ou minha
mas alguém aqui não sabe do que está falando...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

tanto tempo muda

foi tanto tempo muda
que tanto tempo me mudou um bocado.

tanto tempo muda

----

fazendo meu caminho pela rua
todo dia um pedaço de cada conversa
com olhos e beiços tortos eu digo amigo, vai, sai dessa...

direto do sofá

desesperada ela ria e a cada soluço do riso deixava escapar aquela vergonha. 
ele falava como se fosse tão simples deixar de estar aqui e ir além. 
além daquele medo dos olhos que julgam 
e da boca que se torce.
ah, simplesmente não ler mais nada além de livros, deixar os rostos para os elogios. 
ela ria e assentia e pensava ele é louco, ele é louco...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

no meu violão

aranha
hábil ela compôe sua teia
e passeia leve pelo braço
sua teia canta, canta, canta...
e eu peço bis

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

sem cerrar os dentes

não diga que entende da minha tristeza...
seu riso nunca mordeu os lábios para engolir o choro
seu riso ri da sua fraqueza
e zomba daqueles outros olhos tristes
que você nem sabe porque são

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

laudo

Quisera assim ser depenada com meia duzia de palavras (que conheciam bem) de tanto conhecer.
Humilhar-se ao desprezo em busca de um motivo real imaginário para lacrimejar com convicção (saber-se ao menos porquê).
Quem sabe quebrar alguns copos na parede, sem lembrar que seria responsável pela limpeza logo mais.
Quisera livrar-se de algumas tormentas meio indefinidas e usar um pouco aquele impulso, aquele sentimento que raramente usara.
Sentir-se rebelde, irresponsável, inconsequente até sentir-se culpada, infantil e meio idiota.
Isso traria um pouco de liberdade. Um pouco de riso. Seria suficiente.

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

sobre cigarros e poemas

I

meu cigarro acabando entre os dedos
ele se acabando em gestos
babando culpas até ninguém mais reparar

acabou-se
esmago o cigarro no cinzeiro
e o dinheiro sobre a mesa

(já está na minha hora)

II
o velho sentado do lado
de fora
vendo o cigarro apagando e a vida
pelos olhos

morrera ali
sentado

do lado de fora
esperando

sexta-feira, 22 de julho de 2005

aleatório

Vida.
um livro cheio de papeizinhos
amarelos
e s p a l h a d o s pelas páginas

só pra lembrar de umas partes

quarta-feira, 6 de julho de 2005

duplo sentido

Começara e terminara
            ali

Do mesmo jeito.
E até com a mesma cara...
e a mesma culpa

Tanto caso e tanta prosa que até sobrou gente pra ver

E se sobrou...

domingo, 20 de março de 2005

nesse teatro sem explicação, onde o cenário muda toda hora, como a tela da televisão...

canso de interpretar minha própria história
em diferentes palcos
não há aplausos
não há lágrimas

apenas um lento arquear de sombrancelhas...
de quem não tem nada com isso

domingo, 27 de fevereiro de 2005

sobre castelos

foi embora.
nem dera tempo de contar sobre duelos e dragões.

tampouco mostrar meus tesouros tão guardados...

nem dera tempo de mostrar o meu final feliz


que nem tinha começado