domingo, 4 de dezembro de 2022

Respirada

 Oh boy, I did it again. 

Fui dormir de madrugada pra terminar um livro, de novo. 

Mas antes que você me venha retorcendo o canto da boca pra esconder a risadinha eu vou me defender. Eu já tava com insônia, ok? O que mais eu podia fazer?

"Como fazer leite em pó" - pesquisar.

Sim eu sei, tem várias coisas que eu poderia fazer além de terminar o livro, mas invariavelmente eu iria estar lendo, então porque não ler aquilo que eu já tinha começado?

Rapaz, estamos com um sério problema de Assembléia de Vozes na cabeça aqui. 

Estou me sentindo melhor hoje, até guardei o advino na gaveta. Achei selvagem. Nem a falta de horas essenciais de sono pegou na lomba por enquanto. Tô alegrinha, mas não vou exagerar muitos nos elogios por aqui porque também não estou nenhuma maravilha. Mas já é um puta avanço, isso é.

 Ontem cheguei muito perto de estrangular meu ukulele, mas fui forte. Estou tentando aprender um bagulho chamado chuck, que é uma soada abafada que dá um ritmozinho. Eu tava ali assistindo um tutorial e a moça muito calmamente explicando, devagar, na gentileza, mas a sensação física era de pane no sistema. Tela preta. Azul, sei lá que cor as telas tem hoje tem dia. No que eu olho pra baixo pra dar aquela suspirada, o primeiro comentário me fez dar risada de tão representada que eu me senti "I´m going to chuck my ukulele out the window". 

Yeah dude, I get it. 

Mas assim, foi suficiente pra me instigar a tentar hoje de novo. Yay.

A nossa conversinha de ontem me fez perceber uma coisa, eu quero que tudo caia do céu. Porque o conceito de cair tudo do céu é lindo, admita. Ser naturalmente boa em alguma coisa sem esforço. Não sei se isso existe de verdade, porque eu vejo que as coisas que eu sou relativamente boa são coisas que eu sentei minha bunda magrela na cadeira e me dediquei. Não sei se isso é causa ou efeito desse momento ruim que estou vivendo, não ter ânimo, energia nem disposição pra realmente me interessar por alguma coisa, mas com certeza não ajuda no ciclo vicioso da frustração.

Ontem conversei com uma amiga pelo telefone e eu fiquei feliz de verdade por ela. Foi legal porque eu realmente queria saber mais sobre o que ela tava contando. Mas mesmo assim a Assembléia Mental tava presente, me lembrando de perguntar mais. Só que foi fácil porque eu já queria saber. Então juntando essas duas pequenas novidades, considerei o dia ganho. Consegui me movimentar na direção de alguma coisa. Bom, são três se considerar que eu ainda estou dando as caras por aqui. Será que agora vai?

De qualquer forma, hoje eu quero tirar o dia pra agradecer. E não é a toa, nem uma disposição milagrosa que eu acordei com. Hoje é o aniversário de dez anos da minha primeira gata e não consigo explicar o quanto ela é importante pra mim. Saber que a vida deles é tão mais curta me faz querer aproveitar o dia de hoje, ela, porque nunca dá pra saber quantos desses dias eu ainda vou poder comemorar com ela. Isso logicamente deveria ser uma disposição de todos os dias e essa é uma fita que eu penso com frequência. Quanto mais eu desperdiço meus dias chafurdando na minha própria merda é a mesma quantidade de tempo que eu estou perdendo da vida deles, de aproveitar a presença deles. Eu sei melhor do que eu gostaria o quanto a vida deles é imprevisível e que estar aparentemente saudável num dia não quer dizer nada, as coisas ascontecem de uma hora pra outra. É aquelas situações "pode ser benção X também pode ser aflição" que eu vivo repetindo por aqui. Mas uma nóia por vez, vou curtir o dia de hoje, mimar e curtir com ela. Senta lá, nóia.

Por outro lado hoje a casa está um caos. Não vou mentir, está um caos há algum tempo, mas hoje está de parabéns. Mas aí fica uma lição sobre escolhas, sobre o como. Vou ter que limpar, vou, mas vou fazer de um jeito que eu consiga ainda aproveitar o dia do jeito que eu quero. 

Esperançosinha ela né? Que orgulho. 

Quem sabe agora vai. 

Até amanhã, quem sabe.

sábado, 3 de dezembro de 2022

Mas como?

Então.

Esse nosso pequeno arranjo aqui já está começando a mostrar alguns resultados. Escrever aqui faz de conta bem lindamente que eu não estou falando sozinha, apesar de saber que sim, sigo falando sozinha porque é uma comunicação bem passiva e também não tenho a intenção que ninguém leia. Mas expor esses pensamentos sem quase nenhum filtro faz a mente sair do redemoinho insistente de alguns temas e se propor a criar uma linha de raciocínio. Especular sobre um tema, desenhar e engavetar. Tem ajudado. 

A conversa aqui de ontem me fez perceber o quanto eu tenho me feito desinteressante. Se é causa ou efeito não sei dizer, provavelmente um pouco dos dois. Tenho estado tão desesperada em busca de um caminho, de uma orientação, de alívio das angústias que obviamente não tenho tido mais interesse em mais nada. Essa busca desesperada tá menos relacionada a pesquisas e mais em vomitar minhas amebas em quem me dá o mínimo de atenção. Esse é o primeiro ponto. O segundo é não ter estar fazendo o movimento de volta, em me abrir pra também acolher as pessoas com quem eu falo. Eu simplesmente desapareço e ainda fico esperando um resgate que eu sei que não vai vir. Virei aquela pessoa dramalhona, isolada e carente, tudo o que eu sempre sonhei, só que não. 

Eu não sei onde a vida perdeu o sentido, mas tenho percebido a sensação de não querer fazer mais parte desse mundo. Não no sentido suicídico da coisa, mas no sentido de não me encaixar e de também não fazer questão de tentar me encaixar. Eu gosto de fazer várias coisas e costumava me divertir com pouco, mas ultimamente até as coisas que eu sempre gostei chegam até mim com um peso. 

Eu gosto de cuidar do meu cabelo, por exemplo. Mas olhar pra ele e decidir que ele não tá do jeito que eu queria e nunca vai ficar ficou mais fácil. Me olhar no espelho e ver uma pessoa torta, feia e sem graça virou rotina então já nem me olho mais. Enchi minha casa de plantas e algumas não gostam do lugar e adoecem e eu concordo com elas muitas vezes e faço o mesmo. Me ouvi cantar outro dia e só ouvi gemidos. Tentei tirar uma música no ukulele e fiquei frustrada por meus dedos não saberem o que fazer, mesmo que o tempo que eu tenha dedicado pra aprender tenha sido ridículo. Meus textos aqui também não são tão bons quanto costumavam ser (ou como eu costumava a acreditar). Meu trabalho se divide em limpar e brincar e a parte de brincar é a que tem sido mais difícil. Foi aí que eu vi uma completa perda de beleza. Beleza em tudo, falta de se divertir, falta de ver essa beleza boba e sentir vontade de sorrir e agradecer. 

O que por outro lado também me faz sentir muito ingrata. Eu sei que tenho uma vida privilegiada. EU SEI. Eu moro numa chácara cheia de verde, cheia de silêncio e animais que eu amo. Moro com minha família, que apesar de todos os pesares, a gente convive bem. Vejo famílias por aí, até dentro da minha própria árvore familiar, que vivem em pé de guerra diariamente. Temos várias questões aqui, algumas mais sérias do que outras, mas a dificuldade de conviver tá muito mais relacionada a minha inteligência emocional do que com qualquer outra coisa. Cada um tem seu tempo e seu aprendizado, seu caminho. Mas as vezes eu me deixo ferir com tudo isso. Eu também tenho um trabalho que me permite ficar em casa pra fazer o que eu quiser. Um trabalho que sinceramente eu já gostei mais, mas que ainda é muitíssimo melhor do que estar presa a um cubículo por várias horas todos os dias. Tenho tempo para ler, para limpar a minha casa do jeito que eu quiser, pra tirar uma soneca, pra inventar uma moda qualquer, eu só não faço isso.

Eu gosto muito de um aplicativo de troca de cartas, e foi lá que esse sentimento de ingratidão ficou bem evidente. Muitas pessoas contando sobre seus trabalhos, suas vidas e ficou muito claro o quanto eu sou mimadinha, com a faca e o queijo na mão e um coração bem ingrato. Mas não tem caixinha nessa vida que seja garantia de felicidade e saúde mental. Cada qualidade tem seus desafios. Já conheci gente lindíssima que tinha problemas sérios justamente por isso. Gente de muita grana com problemas enormes. Então vou me proteger aqui e dizer que tá tudo bem eu ter essa vida "que todo mundo pediu a Deus" e ainda assim estar sofrendo tanto e por tanto tempo. 

Talvez se eu tivesse mais liberdade financeira eu não fosse tão noiada. Mas esse é mais um daqueles tópicos que podem ser tanto uma liberdade como uma agonia. Pode ser que eu fique milionária e ainda assim continue tendo meus episódios. Um dia a maioria dos meus gatos vai do lado de lá e ainda pode ser que eu me sinta sobrecarregada com as atividades. Depois que eu ouvi sobre o COMO eu comecei a pensar muito sobre isso. Tem tudo a ver com o como a gente age, reage, como a gente decide levar a vida. Apesar de saber que tudo é decisão, todas as nossas decisões são emocionais. Então levantar de manhã e decidir ter um bom dia também depende que você tenha acordado se sentindo preparado para um bom dia. O que me faz pensar pra que a gente acorda decidindo não estar preparado para um bom dia, mas é assim que tem sido aqui. É triste. 

É muito triste quando as coisas perdem o gosto, quando as atividades mais queridas não tem sentido. Quando simplesmente a cabeça não consegue mais imaginar o lado arco íris da força. Nas insônias criativas frequentemente eu estou pintando alguma coisa, mas veja quantas coisas eu parei pra pintar, zero. Tenho uma cortina que ficou uma gracinha e ela está esperando a segunda parte e a coitada tá aqui, esperando atenção faz meses. 

A sensação é que absolutamente tudo me cobra. Os gatos me cobram carinho, atenção, força de vontade. A casa me cobra olhar. Meu corpo me cobra cuidado. Falar com alguém me cobra abertura e disposição. Até me divertir me cobra alguma coisa. Isso deixou a vida pesada demais pra eu carregar e eu preciso resgatar essa criança retardada e brincalhona que tá brincando de esconde esconde tão bem que eu não encontro ela há muito tempo. Revisar e mudar o meu como. 

O problema é como, mas vamos lá. 

Até amanhã, quem sabe.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Navega

 Firmou bem seus pés naquela prancha meio mole e foi. 

Uma montanha russa no parque iluminado, um algodão doce nas mãos e um olhar pro lado que traz a consciência de um par de olhos te observando das sombras. Eu estou segura, afinal o mocinho já derrubou o vilão com três socos na cara. 

Um romance na praia, um astro do rock internacional, um grupo de mafiosos de moral duvidosa que só querem te proteger. 

O cenário muda a cada viagem, vem porrada, vem vilão e de repente estou voando de um estacionamento em construção em um carro que já foi brilhante. Pelo menos continua veloz. 

O mocinho é meio mandão mas também sabe obedecer direitinho. E ele sempre sabe o que fazer quando o bicho pega.

Pego minha prancha e cruzo as pernas pra contemplar a calmaria. 

As páginas acabam. E tudo sempre acaba bem. 


Baladeira de Mundos Paralelos

 Querido diariozinho da injúria, chegamos hoje na impressionante marca de três dias na sequência, meus parabéns pra mim. Temos um tempinho aqui pra matar, porque pra esse dia começar precisamos que o advino faça seu milagre.

Tive insônia ontem a noite. Isso não é novidade, eu sou muito mas muito ruim pra dormir mesmo. A culpa não é toda minha, eu tenho que admitir. Eu estava lendo um livro e tava ficando mais emocionante do que eu esperava e eu sabia que tinha que ir dormir mas não conseguia largar aquela desgraça. E tava bem claro que eu não ia conseguir terminar o livro a tempo de ter uma noite de sono suficiente, então eu coloquei meu celular pra despertar como um sinal de "fodacy, vou ler até a hora que eu quiser". 

Consegui chegar numa cena mais morna e me convenci a ir dormir. Mas tem um fenômeno muito comum entre os insones, que é ter as pálpebras caindo pelas tabelas quando acordado, pra magicamente ter elas despertas quando se decide ir dormir. 

Nossa, e que pessoa mais criativa é essa Georgia Insone. Eu xingo lindamente quer deveria ser xingado, gravo vídeos imaginários na primeira tentativa, sou eloquente em vários idiomas, engraçada, tenho revelações mediúnicas, escrevo textos profundos e músicas cativantes, é um sonho... e porque é mesmo. Quando eu deito minha cabeça no travesseiro minha mente viaja pra esse arco íris criativo das mil possibilidades enquanto meu corpo faz dublê de walking dead. 

Mas eu sou uma jovem senhora e como tal, é o sol dar seu alô (ou "sol", pq São Pedro segue sem tratar seu agravo quadro de transtorno bipolar) que esse corpinho acorda e isso desencadeia uma horda de gatos famintos miando na minha direção querendo café da manhã. Então uma hora antes do meu despertador tocar, eu já estava sentadinha com meu café e obviamente, já que eu tinha tempo, resolvi terminar o livro. Acabou que a cliente desmarcou comigo, então levantei a toa mas pelo menos terminei de ler a história. Nem tudo foi perdido. Então estou aqui, esperando o advino fazer sua mágica nesse corpo dolorido pra começar o dia.

Eu gosto quando o livro é emocionante, mas não leio muitos assim por motivos de - bem, ansiedade. Não ando precisando de nada que me agite mais e acaba que eu só tenho lido livros de romance sonsos. Ler é meu escudo, meu passeio de feriado, meu rolê de final de semana. As vozes da minha cabeça, meus amigos, minha terapeuta já pontuaram o quanto eu leio demais. Pra escapar. Acho que até fui eu quem trouxe isso pra eles, porque exceto eu ninguém sabe realmente o quão compulsivamente eu tenho lido. Problematizando a leitura, sim. Cheguei a ficar preocupada com isso, mas não desacelerei nem perdi o prazer por ler. Enquanto eu estou ali naquele mundo gliteroso onde tudo vai acabar bem, minha cabeça concentra e não fica vagando pelos quartos escuros da minha mente, é lindo. O que influencia diretamente no meu sono, porque a partir do momento que eu escapo pro mundo real e deito minha cabecinha louca, ela olha bem pra minha cara e fala "ESCUTA AQUI QUE AGORA EU VOU FALAR", e a bonita fala pelos cotovelos. 

Pois bem, mas eu tive uma cura milagrosa nesse aspecto depois que eu desenhei minha vida social. Eu viajo algumas vezes por ano por um final de semana ou um pouco mais e tirando isso, basicamente saio de casa pra ir trabalhar, ir ao mercado, farmácia ou veterinário. Você não entendeu errado, minha vida social mal se sustenta nas pernas. Pra quem conheceu a adolescente que engatava direto do rolê pro trabalho várias vezes na semana - com uma pequena pausa para um banho e um café - essa jovem senhora que vos fala não poderia ser mais diferente. Não tenho nem disposição pra sair mais de um dia seguido sem programar uma semana off só dormindo (e lendo!). Sem condições pra essa juventude toda. Então analisando por esse aspecto, ler é essencialmente o que eu faço pra me divertir. Então podemos concluir que eu me divirto muito. Sou basicamente uma baladeira de mundos paralelos, cada dia (dois ou três, vai) em um universo diferente. 

Será que isso me faz mais xóvem? Bom, se isso não faz também, fodase, eu não poderia me importar menos. 

Ainda não sei o que vou começar a ler mais tarde, mas espero que não seja algo tão bom que eu não consiga parar de ler. 

Valorize os livros meia boca. 

E não vamos esquecer do Advil.

Até amanhã, quem sabe.



quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Olhos de primavera

Era água pra tudo quanto é lado. 

Água do céu, água dos olhos que se esparramavam pelo chão. 

Água que faz uma bagunça, destrói móveis de baixa qualidade e também os corações. 

Nada foi comprovado sobre corações de baixa qualidade, mas o mesmo não pode ser dito dos sentimentos eles contém. Os jornais seguem falando sobre montanhas que não aguentaram mais buscar os céus e se jogaram no chão em desespero. Mas não houveram informações pertinentes aos corações que diariamente seguem o mesmo caminho. 

Chove todo dia. Chovo pelos olhos nos dias mais bonitos de sol. 

- "Mas é bom porque daí brota, né? Fica tudo bem verdinho" - Brota, brota mesmo. Mas até lá seguimos nos esquivando da fúria da terra e esperando as sementes germinarem no peito. 

Água

 Pois então, olha eu escrevendo por dois dias seguidos. 

Eu fiz o que tinha prometido, passei o dia lendo - nenhuma novidade aí. Mas me deixa degustar o sabor da vitória porque também fiz as outras coisas que eu precisava fazer. Mal feito, mas feito, o que na atual conjectura é uma vitória. A que ponto chegamos, minha gente. 

E até estou aqui de novo e de novo sem ideia do que vai sair dessa escrevelança. Resolvi postar aqui nesse blog depois de 5 anos porque é o que já temos e fodacy se o formato do texto agora vai ser diferente. Não espero que ninguém leia mesmo. Vai ser meu diariozinho de injúrias e tá bom demais. 

Hoje acordei e descobri várias piscinas dentro de casa. Coisa de rico, só que não. Várias piscinas de chuva dentro de casa. Uma vitória é não ter surtado. A segunda vitória é ter conseguido pegar meu rodinho e fazer o serviço - boa, Georgia. É, a coisa tá assim. Agora tem um solzinho irônico me espiando pela janela com a maior cara de "ué, o que que eu fiz?". Se desse pra dar uns tapas nesse sorrisinho mequetrefe, eu daria. 

Nunca lidei bem com dias de chuva. Não tenho medo nem nada, eu adoro ver relâmpagos a noite. Mas tem algo ali que me deprime, ainda mais quando são semanas seguidas assim e ainda mais quando a chuva causa tanto estrago como tá causando. A água tem um que de despedida. É uma despedida boa, de falsas esperanças, de coisas pesadas e sujas, ou aquele aviso que é preciso deixar fluir. Tudo junto. 

Chega a ser ridículo esse medo que as vezes me assombra - medo dessas mudanças, dessas limpezas. O que é mais ridículo ainda é olhar pra trás e ver o quanto essas mudanças todas só me fizeram bem. Mas quando tudo o que você tem é ressentimento e uma porrada de sombras, se ver sem elas pode ser assustador. Poder vagar pra qualquer direção é tanto liberdade quanto prisão, depende de como você tá olhando pra vida naquele momento. Nem sempre a gente faz as escolhas conscientemente, muitas vezes a gente só vai indo...

Recentemente aconteceu um babado forte - grande novidade. Eu fiquei doente com risco de ficar cega. Então pedi, mas eu pedi MESMO, pra poder enxergar o que eu não tava vendo, enxergar o que eu tinha que mudar, pra onde eu tinha que ir. E é isso que tá acontecendo. De repente o bueiro se abriu e de lá estão saindo um monte de porcarias que eu botava fé que já estavam resolvidas. E se tem alguém que eu posso culpar, é só a mim, porque eu PEDI. Eu devia ter pensado melhor e ter pedido pra ver como resolver esse babado todo, porque meu tiro saiu pela culatra. Meus olhos estão sob supervisão perpétua mas estão curados, mas o emocional minha gente... que fiasco. 

Talvez essa água toda no meio da minha casa seja tudo aquilo que eu não me dou o direito de chorar. Não consigo. Não consigo porque sei que se eu deixar a peteca cair, eu vou estar sozinha pra catar essa peteca do chão. Não porque não tenho amigos, mas porque essa é uma tarefa solitária mesmo. Ninguém cata suas petecas. No máximo eles ajudam a ter uma ideia melhor de onde ela pode ter caído. Talvez essa tristeza que a chuva me traz seja por acreditar em tudo isso. Por ver ela caindo e isso me lembrar do quanto eu já chovi, enquanto eu tentava desesperadamente passar o meu rodinho pra fazer o serviço e continuar seguindo em frente. Esse é o meu papel, não é? Resolver tudo, ser forte, secar as piscinas dentro do coração dos outros. Não se engane, eu sei que isso tá tudo errado, mas mudar isso tem sido um projeto de uma vida toda. Entender o meu papel, usar essa minha força em meu próprio benefício, porque eu tava sempre em último nas paradas de sucesso. Não mais, mas também não sou nenhum top 3. 

Vamos ver se em algum momento sai uns contos por aqui. Escrevi alguma coisa pelos cadernos por aí, mas não vou nem me dar ao trabalho de procurar, digitar e postar. O significado que eles tiveram naquele momento já não tem mais par aqui, então não faz sentido eu chafurdar mais nesse passado. Vamos em frente, porque o caminho lá de trás eu já conheço. 

Até amanhã, quem sabe. 



Insira um título atraente

 Essa foi a frase que me deu boas vindas para o primeiro texto. Porra, aí forçou a barra, né? Que merda de título atraente. Atraente pra quem? Se eu for considerar o que me fez sentar nessa cadeira hoje, ligar o computador - depois de pedir um emprestado porque o meu resolveu que hoje era o dia da sua eterna despedida - e começar a escrever foi totalmente levado pela falta de atração por qualquer coisa que seja. Talvez escrever seja o último watt resistente que insiste em iluminar o fim do túnel. Aquela coisa que me trouxe uma mínima faísca de interesse nesse atual contexto que estou vivendo.

Então não, me desculpe, mas não tenho nenhum título atraente pra hoje. Hoje eu quero apenas ficar atirando meus pensamentos contra esse teclado pra ver se eu encontro algum sentido em alguma coisa. Quem sabe se eu escarafunchar nas coisas todas que já aprendi e escrever aqui sirva como um bom lembrete. Vai que eu pego no tranco. No momento sou aquele fiat 147 subindo o morro. Cansada, tossindo, achando que vou cair pra trás porque meu corpo tá fazendo estralos estranhos e eu não vejo a merda do topo do morro por mais que eu suba. Frear também não é uma opção porque... é um fiat 147, caralho. Não vai ficar parado. Vai descer mais rápido que carrinho de rolimã.

Tem uma discreta vantagem no contexto de hoje que não existia antes, porém. Hoje eu quero viver. Caralho, eu quero muito viver. Espero que os quinhentos livros que eu li não tenham estragado minha expectativa de viver. Mas quem é que eu tô querendo enganar, é obvio que estragou. Talvez minha esperança de viver seja justamente por ver tantas mocinhas se lascando, afinal é sempre a mocinha que se lasca - porque é aí que o mocinho aparece, se toca que ela é a última bolacha do pacote e salva o dia. Se eu quero que alguém apareça e salve o dia? Seria bem conveniente nesse momento, mas não é muito minha praia. Eu gosto da idéia de salvar meu próprio rabo e vencer na vida só pra esfregar na cara da vida e falar "sem tempo irmão" e seguir plena. Acontece que eu não tô com essa bola toda, não hoje. Mas também tô ligada que quando eu tivesse minhas "bolas" recuperadas eu iria botar o heróizinho pra correr também. Cabeça complicada, temos.
Nessa de querer viver fiz alguns avanços. Estudei magia, psicologia, defesa, comecei a frequentar macumba e aprendi vários palavrões novos. Tentei ficar em silêncio, tentei meter o loco, tentei estudar pra caralho, tentei levar a vida mais leve buscando a criança interior e também tentei resgatar a humilde senhorinha que vive dentro de mim, Mas como vocês já sabem o processo não é linear. Um dia eu sou a Mulher Maravilha Xamânica Estelar das 15 Constelações de Andrômeda e por seis meses eu me transformo na larva da mosca na merda do cavalo do bandido. É meu bem, a vida tem sido assim. Não vou nem te oferecer um doce pra adivinhar em que modo de operação estou agora porque não quero nem desperdiçar meus doces.

Desde que me entendo por gente eu fui doente. Convivo com depressão e ansiedade mesmo antes de saber que isso não era frescura. Eu achava que era. Botava tudo isso no rabo de um contexto bem merda com a minha família quando eu era pequena. E depois no contexto de merda que eu vivi quando adolescente. E segui enfiando no rabo da vida até entender que opa, talvez eu tenha um problema. Sempre tive dores estranhas, sintomas que ninguém explicou direito pra mim. Sempre passando mal, sempre indisposta, todos com várias explicações e sempre sem uma solução. Já fiz terapia de tudo quanto é tipo, já fui em médico de toda especialidade, já fiz tanto exame que eu saberia até te recomendar o que fazer se você precisar. Fiquei cinco anos bem doente, três deles passei de cama. Foi um dos momentos em que a vida me puxou o freio e falou "se agilisa" e foi o que eu fiz. Estudei muito porque eu queria entender o que tava acontecendo comigo. Apareceram várias teorias, mas se eu tivesse que te dizer agora a conclusão disso tudo eu só falaria "eu sei lá". Logicamente que isso abriu a consciência pra várias coisas e tô muito mais esperta quando as coisas acontecem.

Processos energéticos, espirituais. Mas até isso me deu um ranço eventualmente. Ao mesmo tempo que podemos sim encontrar várias informações pertinentes na internet, tem muito jovem místico se achando o novo Buda com a solução instantânea para curar sua vida em 3 respiradas profundas. Por mais pessoal que nossa experiência seja, não é assim, um dia a vida vem pra te ensinar - porque você tá aqui é pra isso - e não vai ter respiração profunda que devolva pro eixo não.
A lama vem e você chafurda até achar um jeito de conseguir sair. Enquanto isso não acontece é tiro porrada e bomba. Se eu sou a cavaleira da desesperança nesse momento, então que seja. Atire a primeira bota enlameada quem nunca afundou na lama da vida. Ah é, não vai dar né? Você perdeu as botas e toda a sua dignidade lá no meio. Eu sei a sensação.
Mas se tem uma informação que traz alguma luz pra esse cenário - aquele watt resistente - é saber que tá tudo no lugar. Meus momentos de lama profunda, de depressão, de ansiedade invariavelmente me trouxeram grandes movimentos, grandes ensinamentos. A pergunta que não quer calar é porque caralhos eu simplesmente não consigo evitar cair de novo. Ok, tem mais coisas pra aprender. Mas não dá assim pra ser mais leve? A cabeça tem mesmo que ficar tão distorcida e confusa, o corpo parecendo que apanhou de um rolo compressor histérico? Se o gênio da lâmpada aparecesse agora eu provavelmente pediria por um processo linear. "Isso aqui eu já aprendi". Bom, se eu tivesse aprendido mesmo não tava aqui né?
É meus amigos, eu tô fudida. Mas vamos lá. Provavelmente vou passar mais um dia lendo. Talvez eu nunca mais volte aqui, talvez eu volte amanhã e consiga fazer daqui uma distração/discussão frequente. Não vou botar essa pressão porque não preciso de mais disso. É isso, me deseje boa sorte.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Resumo de 2017

Estendeu o braço sobre a mesa e passou arrastando
Jogou tudo no chão sem nenhuma cerimônia.
- De novo. Do começo. Você ainda não entendeu.

(pelo jeito não né)

Biografia

Uma vez ouvi que dava por certo pra saber tudo sobre alguém a partir dos seus livros.
Bom, fuçando na minha estante, talvez você não descobrisse que adoro dançar de meia, mas certamente saberia que eu organizo tudo pelas cores, começando pelos livros.
Nos presentinhos que guardo ali, tem um álbum de amizades.
Gente que faz muito, muito tempo, gente que passou voando e também gente que saiu correndo. Gente que foi lá do outro lado do mundo e agora tá ali, eternizado na estante naqueles livros que talvez nunca mais vejam seus donos. Mas eles não sabem disso.
Gente que valeu e que vale a pena e gente que aparentemente, nunca conheci de verdade.
Dos livros, tem assunto à beça. Deve ser por isso que não paro de falar.
Tem uma pilha de livros que comprei porque um dia a amiga me emprestou o primeiro.
Tem aqueles preferidos, que nunca jamais terei o suficiente, não importa o que você diga.
Tem os preferidos de tanta gente, na esperança que se tornassem meus preferidos também.
E olhe lá, não é que conseguiram?
Tem aqueles que terminei de ler e corri assistir o filme pra ver se conseguia estar nem que fosse só mais cinco minutinhos naquele cenário, vivendo aquela coisa toda, pra morrer com o coração apertado bem no final do filme.
É uma livrarada.
E estão todos eles ali enfileirados, contando sua história e também um pouco da minha.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Beijo me liga

Aconteceu.
A pressão estava grande, a torcida já nem tinha mais esperanças.
Mas aconteceu. E finalmente, já era hora.
Naquela quinta-feira bem igual a todas as outras, simplesmente não fiz o que era garantido que em outros tempos eu faria.
Segurei o meu "não" bem firme diante do rosto e continuei avançando sobre ondas e mais ondas de tristeza e manipulação.
E pela primeira vez na história dessa vida, coloquei o que seria melhor pra mim ali no pódio, brilhando em ouro para não esquecer.
Desculpa aí, mas nesse momento eu preciso vir em primeiro. 
Não é você, sou eu (que não tenho mais esse saco pra te aturar)

domingo, 20 de agosto de 2017

Só o essencial

Olhando assim você não dá nada por aquela bolsinha, mas dessa vida ela já viu muito.
Casou todas as amigas da rodinha. Emprestou o batom pra todas elas.
Pulou em todas as festas.
Não pegou todos os buquês.
Fugiu da maioria, na verdade... vai que a praga pega.
Cantou, desconversou, suspirou e jogou alguns números fora quando eles ainda vinham escritos em pedaços de papel.
A bolsinha, que quanto menor mais elegante, estava em todas.
Mas ah meu filho, como o mundo muda.
Tirei a dita do armário para o próximo casamento só pra constatar a obsolescência.
Nosso apenas o essencial de hoje em dia já começa com 5 polegadas.

domingo, 6 de agosto de 2017

Um dia qualquer quando começa

Acordei, abri a janela e o sol estava brilhando como de costume. No peito, nada me angustiava.
Justo eu que tinha feito a aposta mais pessimista do bolão. 
Belisquei pra confirmar. Eu estava ali e não sentia nada.
O dia andava como dizia o roteiro, brisa e céu azul. Muito estranho, até os passarinhos cantavam como se nada tivesse acontecido.
Não teve choro, não teve drama, nada. Nem uma teoriazinha da conspiração. 
A vida seguia adiante, e só.
É até triste. Você foi embora e tudo o que você deixou foi esse alívio.

Não deixe o samba morrer

Eu canto porque o coração batuca querendo viver.
E batucando esse peito, o canto sai de mim
Me dá vida
Sai pelo meu corpo em forma de dança
Alegria e também lamento
Choro minha mágoa e resgato a minha força de viver além da luta
Desacelero o passo da correria da vida
Pra dançar a cada passo do caminho
Ah, mas se o canto cala
O batuque do peito desespera, chora, grita e perde o sentido
Me perco a ponto de nem mais saber o que sou eu, ou quem, quem sabe.

Fechado para reforma

As vezes você chega de martelo na mão e cinco pregos na boca, animadão para pendurar um quadro novinho na parede do aprendizado.
Pega o lápis, risca aquela marquinha, se afasta, olha bem, aqui vai ficar ótimo
Tudo preparado, segura o prego no lugar, pega o martelo, prepara e... TAU
Acerta um cano.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Caravana de onde?

Eu vim de longe.
Eu vim lá de trás, dos tropeços da vida.
Vim de uma pessoa que não fazia a menor ideia do que estava fazendo e que botava fé lá pelas tantas, que definitivamente - agora sim - tinha aprendido alguma coisinha.
Mas entre uma arriada e outra, confesso que continuo não fazendo ideia. 
De nada. Nada mesmo.
Eu vim de longe, caminhei um bocado, e olha eu aqui. Caminhando ainda!
Tenho até alguns sucessos no cardápio, mas quem diria. 
E quando me perguntaram da onde eu sou, foi que me dei conta. 
Eu não sou de lá. Não mais. 
Agora eu sou do aqui.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Xis

Naquele dia - que não era exatamente um dos melhores que já tinha passado, vale dizer - não tinha esbarrado nem de longe com aquele estímulo, aquele que te faz erguer as bochechas e mostrar fraternalmente uma porção de dentes. Não.
Tem dias que são assim mesmo, e tudo bem. A vida segue.
Então ele chegou ali sem convite e se deitou, colocou a cabeça sobre seus pés como se fosse o lugar mais confortável do mundo (e quem sabe até fosse), olhou pra ela com os olhos meio fechados e começou a ronronar.
E antes que ela pudesse reagir, foi só dente se debatendo e se empurrando pra ver quem chegava antes pro sorriso.

:D

Lista de desejos

Pare de perguntar sobre o meu silêncio.
Tudo o que ele quer,
É ficar quieto.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Shhh

Não tinha mais vontade de falar.
E deus sabe, não era a mais indicada pra escutar, muito menos.
Seus pensamentos sempre gritaram feito crianças no recreio, dia e noite - menos hoje.
Algumas pessoas se agitavam em sua volta, queriam saber, queriam ajuda e também sacudir alguma ajuda em frente ao seu nariz - vai saber - mas não dava pra entender o que estava acontecendo.
Não fazia muito esforço, também. As pessoas se agitam por qualquer coisinha hoje em dia.
Tudo estava indiscutivelmente fora de ordem.



Sabe aquela surdez agoniante depois de um grande BUM?
Visão turva, sentidos confusos
Quando você só precisa esperar seu corpo responder direito
Saber o que está vendo, ouvindo, tomar consciência do seu corpo
Pra só dai poder averiguar o que sobrou do mundo antigo.
Então...
Foi BUM.
Paro de correr e sento para recuperar o fôlego
E não muito longe, vejo você quase me alcançando
Me perseguindo em pensamentos, lembranças
Conversando em saudades
Não exatamente afastados, não particularmente juntos.
Então volto a correr, preciso seguir adiante.