segunda-feira, 14 de março de 2016

Reforma Íntima e Espiritual Verão 2016

Via a bonitinha mostrando a vida toda linda no mural, toda certinha.
A estatuazinha, a música, a pose e o significado - que só significava a mais nova cartilha em moda nesta estação.
Mais um jeito de existir igualzinho aos outros, cheio de limites, exibição e aquele tipo sempre muito cheio de razão.
Um jeito de ser que igualzinho aos outros, logo vai perder seu significado.
Vai virar palavra velha.
Até a próxima moda.

Não tem

Não tem buraco. Não tem vazio.
Todo peito é cheio - cheio de ser. amor e pelos.
Quem eu sou e você é, pode encher uma casa inteira
E enche mesmo, é só abraçar a coragem de ser

Não tem buraco, tem só sobra - e como sobra
Tem o-que-a-gente-é caindo pelas beiradas (derramando)
Semeando flor e também algum espinho onde a gente passa
Cada um com o pólen que contém na bolsinha do próprio coração

Não tem vazio, acredite em mim
O vazio é bicho papão escondido embaixo da cama
Que some quando a gente resolve abrir os olhos
E porque não abrir os olhos?





segunda-feira, 7 de março de 2016

Notícia do dia:

As pessoas não estão aqui para te agradar - especialmente se você não é uma pessoa particularmente agradável.
O que elas fazem da vida é problema delas, o que você faz com isso, é problema seu.
Ficou triste? Adivinha: problema seu.
Ofendeu? Adivinha de novo: seu.
Você tem sempre a opção de deixar o/a bocó  falando sozinho/a. Sugestão: Deixe.


sexta-feira, 4 de março de 2016

Chovendo purpurina

Se sentia apaixonada.
Pelo o que a vida trouxe e talvez principalmente pelo o que ela tratou de levar de vez embora.
Apaixonada por ser ela mesma e cada vez ser um pouco mais o que ela sempre devia ter sido - ela.
Apaixonada pelas possibilidades, apaixonada pelo cheiro do mar e do mato e por conseguir olhar em voltar e encontrar tanta beleza. Por conseguir enxergar a beleza em um mundo que anda tão pronto pra briga.
Apaixonada pois mesmo sem saber que caminho seguir, saber que está sempre um pouco mais perto de chegar.
Apaixonada por entender que tudo aquilo que buscamos no outro é o que deixamos de dar a nós mesmos e devemos sempre sempre sempre florescer. Oferecer nossas cores, nossas flores e deixar nossas sementes. 
Por agradecer por tudo isso, se sente em casa. Dançando de meias na cozinha em qualquer lugar que esteja no mundo.


Se avia

De pernas para cima
Você espera que tudo o que você quer
Venha ao seu encontro, simples assim
Caminhar pelo céu meu bem, ainda não chegou bem sua hora
Bota essas pernas pro chão e vai
Segue

quarta-feira, 2 de março de 2016

na cartomante - ?

eu vejo voce culpando todo mundo pela sua tristeza. vejo sua vida com frutos pequenos e sem sabor. te vejo amarga lamentando como a vida foi injusta com voce, e mesmo depois da cabeleira toda branca, se enganando achando que fez alguma coisa para merecer o que queria. te vejo distribuindo culpas para que os então culpados se redimam e te tragam alguma satisfação, enquanto voce continua sem se esforçar para nada. eu vejo voce implorando atenção daqueles que te queriam bem, mas que cansaram das suas mentiras.
vejo a vida te deixando viver solta, pra ver se o tempo passa e voce se toca de que viver não é só receber, é preciso dar, é preciso errar para saber como se faz certo, é preciso arriscar e se jogar, porque ninguém vai fazer isso por voce.

Sobre as borboletas que não vêem flores

I.
Aquele frio na barriga
Que a gente sente quando
Vai atravessar uma porta
Que provavelmente importa

II.
Aquele segundo onde o coração
Pára e pula um pouquinho de susto
Só porque aquele bendito nome resolveu
Pipocar assim de repente na sua tela

III.
Aquele sorriso com 57 dentes
Só na parte de cima
Quando se está tentando disfarçar
E aquele total de 103 quando a gente admite que não consegue mesmo
(disfarçar)


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Talvez em outro céu

Ele me chamava de anjo
E parecia realmente acreditar no que estava dizendo.
Anjo meio caído, só se for
Sentada desajeitada no meio fio, toda largada
Cabelo doido roupa esquisita e aquele jeito
Matutando pra botar as ideias no lugar naqueles 10 minutos de um cigarro
Pra depois voltar pro batente e bater as asas.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Tava chorando?

Ele me olhou e reclamou da minha maquiagem meio borrada.
Olho todo preto.
Não me importei.
Afinal quem é que não deixa sua máscara cair de vez em quando?

(Ás vezes ao invés de cair, ela escorre. Acontece.)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Bolas


O que ela queria mesmo, é ser livre.
Mas sabia que não chegaria nem perto da liberdade, enquanto não tivesse bolas para isso.
Remexendo nas gavetas, encontrou uma coragem um pouco vencida.
Por sorte, não por muito - ainda dava pra usar.
Martinha deve ter esquecido aí quando se mudou para mudar (seu) mundo.
Preparada, pintou sua cara na sua cor, aquilo que de pior achariam dela.
Bicha. Bruxa. Preta. Gorda.
E mesmo com tanto resmungo dizendo que o caminho certo era o outro lado, ela foi.
E nunca na vida ela foi tanto.
Bicha. Feliz. Bruxa. Preta. Gorda. Livre.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Modelito de hoje

Ela me despe por dentro - invariavelmente - em cada conversa.
Suas perguntas cavoucam de fininho meu silêncio, só pra ter certeza de que lá nas minhas entranhas, não tenha sobrado nada que eu não tenha contado à ela.
Ela é assim um pouco louca, mas sim, um pouco linda também. Dramática e tão inventiva que deveria mesmo ganhar um prêmio.
Insuportável quando ela decide que vai ser assim.
Então guardo minha distância e meus poucos segredos, mesmo eles sem importância alguma, só para não entregar à ela mais do que eu estava planejando.
Se eu me visto de silêncio, bem... foi a roupa que escolhi para hoje.
E tudo bem.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Pois veja como são as coisas.
Descobri que tá tudo bem se eu resolvo seguir o meu caminho.
Uns vão reclamar pra você, mas superam rápido.
E tá tudo bem também se eu penso meio esquisito, tem sempre uns mais esquisitos por aí.
Tá tudo bem se eu não sonho o que queriam que eu sonhasse, ele continua sendo um sonho perfeitamente aceitável - e tudo bem também se aquilo que eu mais quero nunca passou perto do que imaginavam pra mim.
Tá tudo bem achar que sucesso é uma coisa diferente pra cada pessoa, e que ser mãe não é obrigação nenhuma. Tá tudo bem ser verdadeira com o que sinto e digo, tá muito bem, porque o mundo anda muito mentiroso e ficando doente porque não se conhece mais.
Tá tudo certo em querer diferente.
Ufa.

Não era igual

Uma vez passei quase um ano tentando mostrar pra um cara
Que eu era diferente das outras.
Pensando aqui,
Acho que pra ele, meu problema era justamente esse.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Ligeiramente possessiva

Você foi embora e a casa é toda minha outra vez.
Corri pra botar minha voz, meu canto, meu som, meu cheiro e minha cor em tudo que estava desbotado pelo seu olhar tão severo. 
Naquele banco, flores frescas e brilhantes para celebrar a vida - você lembra que cor a vida tem?
Teu grito tentou aquietar meu riso. Teu olhar criticar a minha dança. Tua língua maldizer minha criança. Me escondi de toda graça de tanto ouvir que ser feliz era pecado. 
Pecado mesmo é viver nessa gaiola moral - onde a moral só da seu nome e nunca as caras.
Você foi embora e a casa é minha agora outra vez. 
Então me esbaldo com gosto nos meus absurdos, na fumaça das ervas cheirosas, na música que me arrepia e meus pecados horríveis todos. 
Feliz como um passarinho se banhando na poça de lama. 
A cor da vida não pinta quem tem a alma preta e branca.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Que só vai ficar maior

Ela subiu no ônibus a caminho de volta praquele mundão onde ela vive.
Ela vive em todos os lugares, porque o mundo inteiro é todo dela mesmo.
Por isso fiquei tão feliz por ela incluir neste mundo grande o meu mundinho que ainda é um filhote.
Ela entregou os documentos, virou e me viu com as mãos no rosto.
Não chora, logo a gente vai se ver de novo. 
Só de ouvir isso eu chorei mais, mas sem tristeza nem saudade.
Chorava só porque ela é importante. E eu também, mesmo num mundo tão grande.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Conta outra

Ele me veio com aquela frase que, se você não ouviu ainda, posso te jurar que não demora. Porque não falha, ela vem.
(É que eu preciso ficar sozinho agora)
Escorria bem aquela porção de lágrimas enquanto eu tentava entender o que tava acontecendo, mas era isso mesmo.
(Não é nada com você, o problema sou eu)
Era isso mesmo. 
Quer dizer, não era.
Bom, talvez seja eu que não entenda que nada representa mais a vontade de ficar sozinho do que duas taças de vinho postas sobre a mesa.
Talvez só perca para um biquini pendurado no varal.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Não sou só eu.

Aquele dia lindo chamando lá fora.
- Ah não, vou ficar aqui jogando video game...
O mar todo dengoso convidando para um mergulho.
- Nossa, mas tô com uma dor aqui, ó...
O prato cheiroso fumegando na mesa do almoço.
- Sabe o que eu ando com vontade de comer?
Ô menina, que cara é essa?
- Ah, nada dá certo pra mim, não dá nem vontade de viver às vezes.
É menina, eu imagino. Até a vida fica com preguiça de gente com tanta preguiça assim.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

De novo

Te encontrei dentro do livro e no meio do filme.
No meio daquela conversa, onde parecia que não se falava de outra coisa.
Meti a mão no bolso e lá estava você, no papelzinho daquele dia que era só mais um dia.
Ali ó você na música que já mudou, no disco que continua tocando e teimando comigo..
Então desisto.
Entra, vem - te faço um café - temos bastante pra conversar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sentou pra descansar como se fosse...

Sábado.
Levantou da cama, passou café, pegou o livro e foi ler na cadeira preferida da varanda.
Terminou o capítulo, fechou o livro, encostou a cadeira, lavou a xícara do café, a deixou para escorrer e assim preparada, morreu.
Quis ir assim, sem muito reboliço. Não queria incomodação nem depois de morta.
Simplesmente sentou, fechou os olhos e se deixou ir.
Um tanto banal, mas totalmente livre. Dona da sua própria morte.

(e flutuou no ar como se fosse um pássaro...)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Muda sim

De uma enxurrada de coisas novas, ele foi rir justamente do meu amor recém descoberto por aquele livro de poesias.
Eu que nunca fui de dar muita trela aos versos (uma vergonha, ele diria)
Nem a cidade, nem o trabalho, nem a intenção que também é toda nova, ou os babados todos.
Nada disso surpreendeu aquele coração da cor de poeta.
Mas foi só eu me rasgar por aqueles versos e o riso veio.
É, a vida muda mesmo.