terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Contrata-se





Temos vagas para modelos:
- Sem cabelo;
- Com e sem cabeça;
- Com e sem braços;
- Com e sem pernas.


Para demonstrar nossa coleção de roupas durante toda a temporada. Necessário experiência em poses interessantes e habilidade estátua. Requisitos mínimos: tronco. Modelos com cabelo, cabeça, braços e pernas também serão entrevistados. Contratação imediata. Venha fazer parte da nossa equipe!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

o pijama monstro


Hoje acordei assim,
meio apagada meio cansada
minha luz hoje foi se esconder em algum lugar
(com medo do dia)


Meu pijama quis me aprisionar me agarrar  e não queria me deixar sair 
(e me deixar sentir bonita) 
ele só pedia que fosse noite outra vez
(mas era só pro dia passar logo)


Ele pediu, mas a rua lá fora me chamou
(eu nunca obedeço mesmo)


*
E quando eu olho pra trás posso ver quanto fui longe
E quão perto eu fiquei de ter ficado pra trás...


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.files.wordpress.com

futuro imperfeito do conjuntivo


Deitada na cama, contava as madeiras do forro
E em cada uma, parecia estar escrito tudo o que foi feito de mim
(pra que eu me tornasse isso ai que você vê)
Eu lembrava quando as paredes do passado me sufocavam, como um quartinho muito muito pequeno esmagando meu dia-noite-dia. (um nó muito apertado bem no meio do sossego)
E como mesmo aquilo que já ficou pra trás deixa no peito a exata noção do tempo que foi perdido.
Quanto pesa aquilo que sobra do que fomos?
Deitada ali a lembrança bem que quis virar parte de mim
E quanto as minhas, deixo na bagagem lá trás
(que acidentalmente posso esquecer onde melhor me convier...)


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

abre a porta, mariquinha!

Eu nunca fui do tipo romântica. Azar meu que falei isso e acabei mordendo a língua (bem que me avisaram).
Mas quase me derreti inteira quando ele disse que a parte mais legal de todas, é me ver abrir a porta...
Ué? A porta? - eu perguntei.
Ele disse: é... junto com a luz, é você ali, só esperando por mim.


Ainda estou procurando o filme de onde ele tirou isso (tem que ter um filme).

chega de era uma vez...

Não haveria mistério sem a curiosidade. 
A curiosidade matou o gato e o seguro, morreu de velho. 
Todo mundo morre no final da história. 
O negócio então é que a história seja mesmo boa.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

shhhhhhh!

do outro lado do ouvido tem muito barulho.
é conversa e briga ordem do patrão e xororô. 
as palavras vão saindo fora das bocas assim, simplesmente escapulindo
se juntando e crescendo e formando uma massaroca só.
nesse lado do ouvido tem muita confusão...
de noite é ronco é gato cantando e ladrão
quando a gente dorme o barulho entra dentro do sonhar (e grita e da pulo até acordar)

do lado de dentro do ouvido tudo faz eco
e quando lá também tá cheio tudo ribomba
e ribomba (bomba)
vira massaroca e fica tudo igual ao lado de fora (ribomba)
e quando se confunde com a barulheira do lado de dentro...
dai eu não aguento.

sábado, 15 de janeiro de 2011

exemplo de mãe



E quando ela passou esplendorosa
Sua alegria tinha cheiro de flor
Todo mundo comentava
Mas ela só dizia, é o dia que nasceu bonito hoje...


A parte boa de ter memória curta é poder dizer "nunca me senti assim tão bem" e sempre ser verdade.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

não era bem assim


comigo, meu bem, você pode tudo:
bateu na telha, pode ir que o mundo é seu!
você pode mentir e se enroscar se você quiser
(isso você pode sim senhor)
você só não pode depois voltar pra me dizer que não foi por mal
(que não era bem assim)


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

uuugh!

Desilusão é quando você engole uma nuvem que não era algodão doce. 

sábado, 1 de janeiro de 2011

nheeeec

A confiança quando se perde, 
é como uma porta emperrada que dá muito trabalho pra abrir.


(e depois que abre, ainda fica meio guenza)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

eu você e todo mundo

Eu sou um bocado de coisas. 
Você é um bocado de outras coisas. 
Nossos bocados se encontraram um belo dia, foi ai que nos conhecemos.
E os bocadinhos, aos pedaços, coincidiram um pouquinho a cada dia. E ai nos reencontramos. 
De tudo o que sei sobre você, é só um bocado, em relação ao pote inteiro de biscoitos. 
Um pote inteiro de biscoitos significa muita coisa.
Muita coisa geralmente é assustador. 
Colidir os contextos, universos, potes de biscoitos. 
Assustador.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

desapegar




carregava pra cima e pra baixo um monte de peso inútil. um baita mochilão de ressentimentos. (e outras coisas feias)
era tão pesado e tão inútil, que ele nem percebia que tava ali, só estrovando.
e era tão pesado e inútil que parecia bem fazer parte do que ele era. (do que ele pensava que era)
um dia disseram que ele não precisava mais levar o mochilão. Que aquela coisarada toda podia ser deixada ali mesmo, pra quem quisesse pegar. (que ninguém quisesse)
foi assim tirar com a mão e sair andando. 
tão mais leve.


*

eu sou um tanto maior, 
agora que as costas não se curvam mais de tanto carregar o medo.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

é assim

Se arriscar é quando você faz tudo o que você sempre fez, só que de um jeito diferente.



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

alma pelada


precisava do silêncio pra deixar a alma falar 
pra conseguir descobrir do lado de dentro
pra botar tudo no lugar


precisava as vezes só ficar e deixar que os outros falem 
e deixar reclamar quanto baste
precisava só concentrar em não ouvir (e não estar)


deixar a presença apenas na carcaça que carrego
e a vida um pouco longe até pra buscar
(só pra ir buscar)
arrumar mais algumas peças do brinquedo
colorir com  mais algumas flores
só pra deixar cada vez melhor.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

então seremos

não sou tudo o que posso. (nem sei o que posso)


há muito ainda por descobrir
muito por construir (e leva tempo)


há que se pensar a respeito do que se quer,  que se pode, que se deve
e o que não.
o que vai e o que fica (ou quem) não sou eu que decido (nem ninguém)


os dias vêm aos solavancos
(de repente tá tudo no ar)
e ai tudo fica quieto.


junta tudo o que foi com aquilo que é, tira o que deveria ser de outro jeito e dá um desconto por aquilo que tem que ser exatamente assim.
Isso é hoje.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Manual

Como guardar uma mágoa:
- Escolha uma frase que você tenha ouvido e que tenha te pegado desprevinido.
- Repita mentalmente essa frase várias vezes, do começo ao fim, e de novo, colocando bastante emoção toda vez que você "ouve" de novo (isso é bem importante).
- Repita o processo ainda mais vezes até que se torne um hábito.
- Dia e noite, não deixe isso sair da sua cabeça. Quando você tentar se distrair, mantenha o foco, repetindo a frase mentalmente de novo e de novo.
Atenção: não se deixe cair no sono, o processo só estará completado depois de algumas noites acordado.
Com determinação e insistência, você logo terá sua bela coleção.



Inveja

Inveja é quando a gente gosta tanto do que aconteceu com o outro, que queremos que aconteça com a gente também.
De preferência nesse instante.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

o exagero da tranquilidade é o tédio...



Ela sabia muito bem o que queria, e principalmente, o que não queria. 
Não sabia não querer o que não deveria, pensava e falava, sonhava e dava voltas em seus próprios argumentos até ser certo seu querer. Mesmo não sendo. 
Ilusão ou sonho ou impulso, a definição varia com o ponto de vista. 
E todos estão certos. 

Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

os guarda chuvas protestam


Ocorreram muitas demissões nestes últimos dias, diz a Associação dos Trabalhadores do Mau Tempo. 
Os trabalhadores se revoltaram e protestaram nas ruas, se revirando e logo após se jogando nas lixeiras da cidade. 
- Melhores condições de trabalho! Chega de vento! Chega de granizo! Chega de toró! - Eles diziam.
Hoje pela manhã, o cenário era de destruição. Muitos corpos jazem com as pernas para cima, destroçados, sem pele, pelas calçadas da cidade. 
Rogai por nós, São Pedro!



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

mistura tudo

o futuro se constrói nos solavancos do caminho
(sacolejante)
e dentro da carruagem tentamos permanecer sentados e calmos
(sacolejando)
há de se olhar para fora e ver o horizonte
(sacolejando)
sorrir e achar bonito
e continuar seguindo
(sacolejando)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

um causo



ela tinha mania de sofrer demais. e meu deus, como sofria.
seu cabelo não ajudava. seu corpo era uma ofensa. sua capacidade era talvez superior a de um gafanhoto. 
e seus amigos. e seus amores. sua familia.
ah.. o seu trabalho.
todo seu universo parecia existir para conspirar contra sua existência.
sem exagero, eles querem mesmo acabar comigo - ela dizia - elas tem inveja de mim, só porque sou magra e fiz uma faculdade decente.
liga não, amiga - eu disse.


só lembre disso mais vezes.


Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com/

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ficou feia


Fiquei assim meio invejosa. Ao meu lado no  ônibus, fiquei reparando. Uma mulher toda bonitona, elegantona, com um cabelão brilhante, unhas imaculadas e perfeitas, naquela pose de miss galáxia no fervo das 6 horas da tarde.
Fiquei ali me imaginando como eu seria linda se eu fosse linda.
Até que a moça se virou e eu pude ver que no rosto ela carregava uma cara retorcida de desprezo.
Deu até uma gastura.
Ui credo, coisa feia.
Até virei pra lá.

Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com/

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Era uma casa nada engraçada


Na casa onde a menina morava, tinha uma placa escrita medo.
E ele também morava lá.
Os dois dividiram aquela casa e mesma mesa por muito muito tempo.
Até quando não coube mais a menina, nem a mesa, só o medo.
Então ele ficou tão grande, que ficou preso lá pra sempre.
E a menina foi morar onde brilha o sol.

Ilustração do Ceó - http://frasesilustradas.wordpress.com/

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

já passou

tudo o que é escrito
é preso parado e vivo
como se uma parte de nós ficasse pra sempre ali para nos lembrar
ou nos fazer voltar ser de novo (velho)

o eu que já não sou mais
como o túmulo de nossos erros e ingenuidades
é apenas o passado acenando ali

insônia

às vezes eu não tenho sossego dentro da minha própria carcaça;
meus pensamentos se 
acotovelam se amontoam brigam e se confundem

todos querem se pensar ao mesmo tempo
um minutinho exclusivo;
ser o pensamento que não sai da minha cabeça.

de preferência aquele que me tira o sono.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

sobre engolir

quando você terminou o café 
e foi-se embora
ficou o dilema
esfriando o que sobrava dos meus ânimos.

é de se falar tudo aquilo que precisa 
ou se esperar tudo aquilo que se teme?

assim você foi, sem ouvir e sem temer.

(ficou pra mim de sobremesa)

sorriso amarelo


quando você me fala de tudo aquilo
que você sente ai dentro do peito
eu não acredito
não sei se é tua a ilusão ou minha
mas alguém aqui não sabe do que está falando...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

tanto tempo muda

foi tanto tempo muda
que tanto tempo me mudou um bocado.

tanto tempo muda

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fazendo meu caminho pela rua
todo dia um pedaço de cada conversa
com olhos e beiços tortos eu digo amigo, vai, sai dessa...

direto do sofá

desesperada ela ria e a cada soluço do riso deixava escapar aquela vergonha. 
ele falava como se fosse tão simples deixar de estar aqui e ir além. 
além daquele medo dos olhos que julgam 
e da boca que se torce.
ah, simplesmente não ler mais nada além de livros, deixar os rostos para os elogios. 
ela ria e assentia e pensava ele é louco, ele é louco...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

no meu violão

aranha
hábil ela compôe sua teia
e passeia leve pelo braço
sua teia canta, canta, canta...
e eu peço bis

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

sem cerrar os dentes

não diga que entende da minha tristeza...
seu riso nunca mordeu os lábios para engolir o choro
seu riso ri da sua fraqueza
e zomba daqueles outros olhos tristes
que você nem sabe porque são

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

laudo

Quisera assim ser depenada com meia duzia de palavras (que conheciam bem) de tanto conhecer.
Humilhar-se ao desprezo em busca de um motivo real imaginário para lacrimejar com convicção (saber-se ao menos porquê).
Quem sabe quebrar alguns copos na parede, sem lembrar que seria responsável pela limpeza logo mais.
Quisera livrar-se de algumas tormentas meio indefinidas e usar um pouco aquele impulso, aquele sentimento que raramente usara.
Sentir-se rebelde, irresponsável, inconsequente até sentir-se culpada, infantil e meio idiota.
Isso traria um pouco de liberdade. Um pouco de riso. Seria suficiente.

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

sobre cigarros e poemas

I

meu cigarro acabando entre os dedos
ele se acabando em gestos
babando culpas até ninguém mais reparar

acabou-se
esmago o cigarro no cinzeiro
e o dinheiro sobre a mesa

(já está na minha hora)

II
o velho sentado do lado
de fora
vendo o cigarro apagando e a vida
pelos olhos

morrera ali
sentado

do lado de fora
esperando

sexta-feira, 22 de julho de 2005

aleatório

Vida.
um livro cheio de papeizinhos
amarelos
e s p a l h a d o s pelas páginas

só pra lembrar de umas partes

quarta-feira, 6 de julho de 2005

duplo sentido

Começara e terminara
            ali

Do mesmo jeito.
E até com a mesma cara...
e a mesma culpa

Tanto caso e tanta prosa que até sobrou gente pra ver

E se sobrou...

domingo, 20 de março de 2005

nesse teatro sem explicação, onde o cenário muda toda hora, como a tela da televisão...

canso de interpretar minha própria história
em diferentes palcos
não há aplausos
não há lágrimas

apenas um lento arquear de sombrancelhas...
de quem não tem nada com isso

domingo, 27 de fevereiro de 2005

sobre castelos

foi embora.
nem dera tempo de contar sobre duelos e dragões.

tampouco mostrar meus tesouros tão guardados...

nem dera tempo de mostrar o meu final feliz


que nem tinha começado

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

a luz de velas

escuto um ruido na janela
um toc toc escondido no meio daquela chuva

no meio da minha insônia

não entendo muito bem tudo o que ouço
mas acho que é o amor.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

tic tac

5 minutos
se passaram com m u i t o 
e s f o r ç o...
mas couberam tantos 
passos

e momentos - que não existiramque poderia ter visto um ano inteiro passar por meus olhos

5 minutos
eu vi minha família inteira crescer
e as estações mudarem
de cor na minha janela

e eu ainda esperava...
mais 5 minutos
por 5 minutos

sábado, 18 de dezembro de 2004

espelhos

por todas as partes

que te copiam.
te distorcem.
que riem junto contigo.

e mostra como
tua cara é feia
quando chora.

espelhos
que te traduzem
mas que te enganaram.

eu não vejo nada.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

segmentos

I
ele se vingou como queria
esperou o dia certo
a briga feia
e os móveis no chão.

a noite inteira no sofá

estava atrasado pro trabalho e não dava mais tempo pra desejar bom dia

e era tarde demais pra tentar pedir desculpas.


II
o médico me disse que eu tenho um coração bom. 
fiquei mais aliviada mas eu acho que ele se enganou
porque o menino tá chorando...



III
eu ri quando ela me contou. eu nunca acreditei em horóscopo, nem achei que tivesse funcionado quando todos os astros juraram maravilhas.
mas ela insistia em dizer que era a única forma de encontrar esperança diante dos olhos que não fossem os dele.
deixei ela em paz, já fiz isso um par de vezes

quando eu não tinha coragem de acreditar nos olhos dele.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

simples

escolheu e deixou as roupas esticadas sobre a cômoda
não podia deixar amassasse, afinal não queria fazer feio no primeiro encontro
deixara tudo preparado: cheiros e cores (as flores viriam nos olhos dele)

ele podia ligar a qualquer momento


ligou a tv para ver o tempo passar mais rápido
depois até chorou com um filme que passou...


se viu em um mundo meio confuso, meio sem rumo, e correu as boas lábias de um velho amigo. sempre funciona. aquelas sensações estranhas logo foram embora, e logo era hora de dormir.

fechou a porta do quarto e viu aquelas roupas na cômoda, da mesma forma como quando tinham sido deixadas ali a horas atrás
pra não se atrasar

guardou tudo de volta no armário com um sorriso pequeno. e um suspiro

estava (mais uma vez) fechada a frestinha que tentara abrir...
um tanto arrependida sim, e conformada.
nem pensava porque saira tudo errado.
apagou a luz e dormiu.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

letras

no fim da tarde
vou sentar com meu cigarro 
naquela varanda
que me acolhe
recolhe

todos os dias


e deixar meus pensamentos irem embora...



l e n t a m e n t e.... feito


fu...ma...ça...


conquistando as distâncias
até encontrar algum

lugar

onde possam se
e.s.c.r.e.ve.r


enquanto isso descanso
aqui
com meus miolos

no aspiro ...suave... do ...sossego...

da solidão mais repleta de amigos
contos

sábado, 20 de novembro de 2004

do outro lado

eu dei vivas à modernidade
e mais um gole no meu chá
apenas fechei a janela com aquele click
e afundei naquela poltrona de sempre.

tantos espelhos riram comigo
enquanto eu me divertia 
com as piruetas do outro lado

e dava outro gole no meu chá...

domingo, 14 de novembro de 2004

psssit

ele estava largado no sofá
coçando o saco em frente a tv

que não parava de chiar

ela estava deitada, coberta e confortável...

mas de olhos arregalados
e dentes cerrados

era noite, era barulho
era sono.... era raiva.

era uma idéia.

passos

silêncio.

supresa

estouro.

silêncio...


voltou ao quarto e apagou a luz

boa noite.

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

altista

eu
um túmulo
lacrado
vazio.


ou quase.

ainda guardo a esperança


dos outros
de me encontrarem

aqui dentro.

sexta-feira, 5 de novembro de 2004

respiro

embaixo

em cima da Terra
qualquer lugar

refresca
essa minha cabeça
cheia

de minhocas

que eu esfrego no papel.

terça-feira, 2 de novembro de 2004

dia das bruxas

ela se jogou na parede
e descontou sua raiva naquela sala impecavelmente
arrumadinha

não sobrou nada
nem sala
nem o esmalte que ela mal acabara de colocar

toda sua loucura se resumiu nos cacos de vidro espalhados no chão

e no sorriso sarcástico no rosto
que ainda pingava suor 

e algumas lágrimas que sobravam desnecessárias

e pelo rosto sem nome no sofá
e sem mais nada.

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

era sempre o mesmo

ela sentada na janela, maldizendo o vento que entrava e arrepiava as maçãs de seu rosto.

era o mesmo amor de sempre, aquele velho:
que ora capengava pelas escadas, ora corria pelos jardins.

acho que era outono.
fechou a janela e achou melhor buscar um novo amor


abriu o livro e sorriu:
estava tão perto e nem tinha notado.

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

parte I

ah Maria, as veis tenho vontade de chorar, aquelas de se torcer os beiço mesmo...
só de olhar esse povo fudido em vorta da gente

farta até a poeira pra sacudir dos pé
só não farta aquela secura de dentro do peito
e aquela força meio magra de carregar tudo nas costa

se meu choro molhasse a terra que a gente pisa, mas nem pra isso adianta né...

é por isso que nóis continua...

quarta-feira, 6 de outubro de 2004

tão cegos

os olhos que eu tinha por aquele moço, minha maior ânsia não podia devorar.

mas me livre de dias livres e vazios,
onde eu não quero nem pensar em abrir a geladeira
ou o apetite que dizem que preciso ter

os olhos por aquele moço carregam fardos de dias carregados de um sangue que não se derramava,
mas bem que parecia.

era quando eu deitava e me sentia toda dormente que meus olhos se abriam e queriam procurar quem os fechasse
os matasse
ou calasse simplesmente num suspiro e adormecesse.

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

erassim

era entre dia e outro
coisa e outra
barulho bom de ouvir

era coisa pouca
muita e pouca prosa
palavras de menos que conseguir

era festa e era briga 
ausência escondida 

naquele sincero sorrir

era calor e era cansaço
olhos fechados
e o corpo largado
na luta por resistir

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

22:00

chegara em casa
jogou a bolsa de um lado e se jogou de outro.
sua casa estava cheia de gente que não esperava ver

esperava pelo pijama e cobertas quentes.

quem sabe mais um pouco de paciência?
e lá no meio da sala estava ele com aquele sorriso meiodebochado

nem terminou de cumprimentar os amigos.


aquele dia estava longo demais pra ela.

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

mas eles viram

se não fosse aquela vontade 

prá lá de mazoquista

de ver com aqueles olhos
que a terra há de comer 

tudo o que eu acabava de pensar sobre aquele moço 
bem que eu quereria sair por ai sem rumo 
deixando o vento soprar algumas besteiras pra mim.


ou continuar ali, parada em frente a porta

devidamente trancada

sem praguejar e nem chorar. 
sem sentir nada além de uma surpresa meio mentirosa.


ah, se eu não guardasse tanta bondade eu maldiria aquela família inteira

que eu nem conheço nome.
se não fosse isso eu ia pensar seriamente em partir pra outra


como já me disse aquele um


mas acho que eu não ouvi...