Vida.
um livro cheio de papeizinhos
amarelos
e s p a l h a d o s pelas páginas
só pra lembrar de umas partes
sexta-feira, 22 de julho de 2005
quarta-feira, 6 de julho de 2005
duplo sentido
Começara e terminara
ali
Do mesmo jeito.
E até com a mesma cara...
e a mesma culpa
ali
Do mesmo jeito.
E até com a mesma cara...
e a mesma culpa
Tanto caso e tanta prosa que até sobrou gente pra ver
E se sobrou...
E se sobrou...
domingo, 20 de março de 2005
nesse teatro sem explicação, onde o cenário muda toda hora, como a tela da televisão...
canso de interpretar minha própria história
em diferentes palcos
em diferentes palcos
não há aplausos
não há lágrimas
apenas um lento arquear de sombrancelhas...
de quem não tem nada com isso
não há lágrimas
apenas um lento arquear de sombrancelhas...
de quem não tem nada com isso
domingo, 27 de fevereiro de 2005
sobre castelos
foi embora.
nem dera tempo de contar sobre duelos e dragões.
tampouco mostrar meus tesouros tão guardados...
nem dera tempo de mostrar o meu final feliz
que nem tinha começado
nem dera tempo de contar sobre duelos e dragões.
tampouco mostrar meus tesouros tão guardados...
nem dera tempo de mostrar o meu final feliz
que nem tinha começado
terça-feira, 11 de janeiro de 2005
a luz de velas
escuto um ruido na janela
um toc toc escondido no meio daquela chuva
no meio da minha insônia
não entendo muito bem tudo o que ouço
mas acho que é o amor.
um toc toc escondido no meio daquela chuva
no meio da minha insônia
não entendo muito bem tudo o que ouço
mas acho que é o amor.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2004
tic tac
5 minutos
se passaram com m u i t o
e s f o r ç o...
mas couberam tantos
passos
se passaram com m u i t o
e s f o r ç o...
mas couberam tantos
passos
e momentos - que não existiramque poderia ter visto um ano inteiro passar por meus olhos
5 minutos
eu vi minha família inteira crescer
e as estações mudarem
de cor na minha janela
e eu ainda esperava...
mais 5 minutos
por 5 minutos
5 minutos
eu vi minha família inteira crescer
e as estações mudarem
de cor na minha janela
e eu ainda esperava...
mais 5 minutos
por 5 minutos
sábado, 18 de dezembro de 2004
espelhos
por todas as partes
que te copiam.
te distorcem.
que riem junto contigo.
e mostra como
tua cara é feia
quando chora.
espelhos
que te traduzem
mas que te enganaram.
eu não vejo nada.
que te copiam.
te distorcem.
que riem junto contigo.
e mostra como
tua cara é feia
quando chora.
espelhos
que te traduzem
mas que te enganaram.
eu não vejo nada.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2004
segmentos
I
ele se vingou como queria
esperou o dia certo
a briga feia
e os móveis no chão.
a noite inteira no sofá
estava atrasado pro trabalho e não dava mais tempo pra desejar bom dia
e era tarde demais pra tentar pedir desculpas.
II
o médico me disse que eu tenho um coração bom.
fiquei mais aliviada mas eu acho que ele se enganou
porque o menino tá chorando...
III
eu ri quando ela me contou. eu nunca acreditei em horóscopo, nem achei que tivesse funcionado quando todos os astros juraram maravilhas.
mas ela insistia em dizer que era a única forma de encontrar esperança diante dos olhos que não fossem os dele.
deixei ela em paz, já fiz isso um par de vezes
ele se vingou como queria
esperou o dia certo
a briga feia
e os móveis no chão.
a noite inteira no sofá
estava atrasado pro trabalho e não dava mais tempo pra desejar bom dia
e era tarde demais pra tentar pedir desculpas.
II
o médico me disse que eu tenho um coração bom.
fiquei mais aliviada mas eu acho que ele se enganou
porque o menino tá chorando...
III
eu ri quando ela me contou. eu nunca acreditei em horóscopo, nem achei que tivesse funcionado quando todos os astros juraram maravilhas.
mas ela insistia em dizer que era a única forma de encontrar esperança diante dos olhos que não fossem os dele.
deixei ela em paz, já fiz isso um par de vezes
quando eu não tinha coragem de acreditar nos olhos dele.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2004
simples
escolheu e deixou as roupas esticadas sobre a cômoda
não podia deixar amassasse, afinal não queria fazer feio no primeiro encontro
não podia deixar amassasse, afinal não queria fazer feio no primeiro encontro
deixara tudo preparado: cheiros e cores (as flores viriam nos olhos dele)
ele podia ligar a qualquer momento
ligou a tv para ver o tempo passar mais rápido
depois até chorou com um filme que passou...
se viu em um mundo meio confuso, meio sem rumo, e correu as boas lábias de um velho amigo. sempre funciona. aquelas sensações estranhas logo foram embora, e logo era hora de dormir.
ele podia ligar a qualquer momento
ligou a tv para ver o tempo passar mais rápido
depois até chorou com um filme que passou...
se viu em um mundo meio confuso, meio sem rumo, e correu as boas lábias de um velho amigo. sempre funciona. aquelas sensações estranhas logo foram embora, e logo era hora de dormir.
fechou a porta do quarto e viu aquelas roupas na cômoda, da mesma forma como quando tinham sido deixadas ali a horas atrás
pra não se atrasar
guardou tudo de volta no armário com um sorriso pequeno. e um suspiro
estava (mais uma vez) fechada a frestinha que tentara abrir...
guardou tudo de volta no armário com um sorriso pequeno. e um suspiro
estava (mais uma vez) fechada a frestinha que tentara abrir...
um tanto arrependida sim, e conformada.
nem pensava porque saira tudo errado.
apagou a luz e dormiu.
nem pensava porque saira tudo errado.
apagou a luz e dormiu.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2004
letras
no fim da tarde
vou sentar com meu cigarro
naquela varanda
que me acolhe
recolhe
todos os dias
e deixar meus pensamentos irem embora...
l e n t a m e n t e.... feito
fu...ma...ça...
conquistando as distâncias
até encontrar algum
lugar
vou sentar com meu cigarro
naquela varanda
que me acolhe
recolhe
todos os dias
e deixar meus pensamentos irem embora...
l e n t a m e n t e.... feito
fu...ma...ça...
conquistando as distâncias
até encontrar algum
lugar
onde possam se
e.s.c.r.e.ve.r
enquanto isso descanso
aqui
com meus miolos
no aspiro ...suave... do ...sossego...
e.s.c.r.e.ve.r
enquanto isso descanso
aqui
com meus miolos
no aspiro ...suave... do ...sossego...
da solidão mais repleta de amigos
contos
contos
sábado, 20 de novembro de 2004
do outro lado
eu dei vivas à modernidade
e mais um gole no meu chá
apenas fechei a janela com aquele click
e afundei naquela poltrona de sempre.
tantos espelhos riram comigo
enquanto eu me divertia
com as piruetas do outro lado
e dava outro gole no meu chá...
e mais um gole no meu chá
apenas fechei a janela com aquele click
e afundei naquela poltrona de sempre.
tantos espelhos riram comigo
enquanto eu me divertia
com as piruetas do outro lado
e dava outro gole no meu chá...
domingo, 14 de novembro de 2004
psssit
ele estava largado no sofá
coçando o saco em frente a tv
coçando o saco em frente a tv
que não parava de chiar
ela estava deitada, coberta e confortável...
mas de olhos arregalados
e dentes cerrados
era noite, era barulho
era sono.... era raiva.
era uma idéia.
passos
silêncio.
supresa
estouro.
silêncio...
voltou ao quarto e apagou a luz
boa noite.
ela estava deitada, coberta e confortável...
mas de olhos arregalados
e dentes cerrados
era noite, era barulho
era sono.... era raiva.
era uma idéia.
passos
silêncio.
supresa
estouro.
silêncio...
voltou ao quarto e apagou a luz
boa noite.
segunda-feira, 8 de novembro de 2004
altista
eu
um túmulo
lacrado
vazio.
ou quase.
ainda guardo a esperança
um túmulo
lacrado
vazio.
ou quase.
ainda guardo a esperança
dos outros
de me encontrarem
aqui dentro.
de me encontrarem
aqui dentro.
sexta-feira, 5 de novembro de 2004
respiro
embaixo
em cima da Terra
qualquer lugar
refresca
essa minha cabeça
cheia
de minhocas
que eu esfrego no papel.
qualquer lugar
refresca
essa minha cabeça
cheia
de minhocas
que eu esfrego no papel.
terça-feira, 2 de novembro de 2004
dia das bruxas
ela se jogou na parede
e descontou sua raiva naquela sala impecavelmente
arrumadinha
não sobrou nada
nem sala
nem o esmalte que ela mal acabara de colocar
toda sua loucura se resumiu nos cacos de vidro espalhados no chão
e no sorriso sarcástico no rosto
que ainda pingava suor
e descontou sua raiva naquela sala impecavelmente
arrumadinha
não sobrou nada
nem sala
nem o esmalte que ela mal acabara de colocar
toda sua loucura se resumiu nos cacos de vidro espalhados no chão
e no sorriso sarcástico no rosto
que ainda pingava suor
e algumas lágrimas que sobravam desnecessárias
e pelo rosto sem nome no sofá
e sem mais nada.
e pelo rosto sem nome no sofá
e sem mais nada.
quinta-feira, 21 de outubro de 2004
era sempre o mesmo
ela sentada na janela, maldizendo o vento que entrava e arrepiava as maçãs de seu rosto.
era o mesmo amor de sempre, aquele velho:
que ora capengava pelas escadas, ora corria pelos jardins.
acho que era outono.
fechou a janela e achou melhor buscar um novo amor
abriu o livro e sorriu:
estava tão perto e nem tinha notado.
era o mesmo amor de sempre, aquele velho:
que ora capengava pelas escadas, ora corria pelos jardins.
acho que era outono.
fechou a janela e achou melhor buscar um novo amor
abriu o livro e sorriu:
estava tão perto e nem tinha notado.
quarta-feira, 13 de outubro de 2004
parte I
ah Maria, as veis tenho vontade de chorar, aquelas de se torcer os beiço mesmo...
só de olhar esse povo fudido em vorta da gente
farta até a poeira pra sacudir dos pé
só não farta aquela secura de dentro do peito
e aquela força meio magra de carregar tudo nas costa
se meu choro molhasse a terra que a gente pisa, mas nem pra isso adianta né...
é por isso que nóis continua...
só de olhar esse povo fudido em vorta da gente
farta até a poeira pra sacudir dos pé
só não farta aquela secura de dentro do peito
e aquela força meio magra de carregar tudo nas costa
se meu choro molhasse a terra que a gente pisa, mas nem pra isso adianta né...
é por isso que nóis continua...
quarta-feira, 6 de outubro de 2004
tão cegos
os olhos que eu tinha por aquele moço, minha maior ânsia não podia devorar.
mas me livre de dias livres e vazios,
onde eu não quero nem pensar em abrir a geladeira
ou o apetite que dizem que preciso ter
os olhos por aquele moço carregam fardos de dias carregados de um sangue que não se derramava,
mas bem que parecia.
era quando eu deitava e me sentia toda dormente que meus olhos se abriam e queriam procurar quem os fechasse
os matasse
ou calasse simplesmente num suspiro e adormecesse.
mas me livre de dias livres e vazios,
onde eu não quero nem pensar em abrir a geladeira
ou o apetite que dizem que preciso ter
os olhos por aquele moço carregam fardos de dias carregados de um sangue que não se derramava,
mas bem que parecia.
era quando eu deitava e me sentia toda dormente que meus olhos se abriam e queriam procurar quem os fechasse
os matasse
ou calasse simplesmente num suspiro e adormecesse.
segunda-feira, 27 de setembro de 2004
erassim
era entre dia e outro
coisa e outra
barulho bom de ouvir
era coisa pouca
muita e pouca prosa
palavras de menos que conseguir
era festa e era briga
ausência escondida
coisa e outra
barulho bom de ouvir
era coisa pouca
muita e pouca prosa
palavras de menos que conseguir
era festa e era briga
ausência escondida
naquele sincero sorrir
era calor e era cansaço
olhos fechados
e o corpo largado
na luta por resistir
era calor e era cansaço
olhos fechados
e o corpo largado
na luta por resistir
segunda-feira, 13 de setembro de 2004
22:00
chegara em casa
jogou a bolsa de um lado e se jogou de outro.
sua casa estava cheia de gente que não esperava ver
esperava pelo pijama e cobertas quentes.
quem sabe mais um pouco de paciência?
e lá no meio da sala estava ele com aquele sorriso meiodebochado
nem terminou de cumprimentar os amigos.
aquele dia estava longo demais pra ela.
jogou a bolsa de um lado e se jogou de outro.
sua casa estava cheia de gente que não esperava ver
esperava pelo pijama e cobertas quentes.
quem sabe mais um pouco de paciência?
e lá no meio da sala estava ele com aquele sorriso meiodebochado
nem terminou de cumprimentar os amigos.
aquele dia estava longo demais pra ela.
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