segunda-feira, 22 de novembro de 2010

já passou

tudo o que é escrito
é preso parado e vivo
como se uma parte de nós ficasse pra sempre ali para nos lembrar
ou nos fazer voltar ser de novo (velho)

o eu que já não sou mais
como o túmulo de nossos erros e ingenuidades
é apenas o passado acenando ali

insônia

às vezes eu não tenho sossego dentro da minha própria carcaça;
meus pensamentos se 
acotovelam se amontoam brigam e se confundem

todos querem se pensar ao mesmo tempo
um minutinho exclusivo;
ser o pensamento que não sai da minha cabeça.

de preferência aquele que me tira o sono.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

sobre engolir

quando você terminou o café 
e foi-se embora
ficou o dilema
esfriando o que sobrava dos meus ânimos.

é de se falar tudo aquilo que precisa 
ou se esperar tudo aquilo que se teme?

assim você foi, sem ouvir e sem temer.

(ficou pra mim de sobremesa)

sorriso amarelo


quando você me fala de tudo aquilo
que você sente ai dentro do peito
eu não acredito
não sei se é tua a ilusão ou minha
mas alguém aqui não sabe do que está falando...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

tanto tempo muda

foi tanto tempo muda
que tanto tempo me mudou um bocado.

tanto tempo muda

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fazendo meu caminho pela rua
todo dia um pedaço de cada conversa
com olhos e beiços tortos eu digo amigo, vai, sai dessa...

direto do sofá

desesperada ela ria e a cada soluço do riso deixava escapar aquela vergonha. 
ele falava como se fosse tão simples deixar de estar aqui e ir além. 
além daquele medo dos olhos que julgam 
e da boca que se torce.
ah, simplesmente não ler mais nada além de livros, deixar os rostos para os elogios. 
ela ria e assentia e pensava ele é louco, ele é louco...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

no meu violão

aranha
hábil ela compôe sua teia
e passeia leve pelo braço
sua teia canta, canta, canta...
e eu peço bis

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

sem cerrar os dentes

não diga que entende da minha tristeza...
seu riso nunca mordeu os lábios para engolir o choro
seu riso ri da sua fraqueza
e zomba daqueles outros olhos tristes
que você nem sabe porque são

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

laudo

Quisera assim ser depenada com meia duzia de palavras (que conheciam bem) de tanto conhecer.
Humilhar-se ao desprezo em busca de um motivo real imaginário para lacrimejar com convicção (saber-se ao menos porquê).
Quem sabe quebrar alguns copos na parede, sem lembrar que seria responsável pela limpeza logo mais.
Quisera livrar-se de algumas tormentas meio indefinidas e usar um pouco aquele impulso, aquele sentimento que raramente usara.
Sentir-se rebelde, irresponsável, inconsequente até sentir-se culpada, infantil e meio idiota.
Isso traria um pouco de liberdade. Um pouco de riso. Seria suficiente.

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

sobre cigarros e poemas

I

meu cigarro acabando entre os dedos
ele se acabando em gestos
babando culpas até ninguém mais reparar

acabou-se
esmago o cigarro no cinzeiro
e o dinheiro sobre a mesa

(já está na minha hora)

II
o velho sentado do lado
de fora
vendo o cigarro apagando e a vida
pelos olhos

morrera ali
sentado

do lado de fora
esperando

sexta-feira, 22 de julho de 2005

aleatório

Vida.
um livro cheio de papeizinhos
amarelos
e s p a l h a d o s pelas páginas

só pra lembrar de umas partes

quarta-feira, 6 de julho de 2005

duplo sentido

Começara e terminara
            ali

Do mesmo jeito.
E até com a mesma cara...
e a mesma culpa

Tanto caso e tanta prosa que até sobrou gente pra ver

E se sobrou...

domingo, 20 de março de 2005

nesse teatro sem explicação, onde o cenário muda toda hora, como a tela da televisão...

canso de interpretar minha própria história
em diferentes palcos
não há aplausos
não há lágrimas

apenas um lento arquear de sombrancelhas...
de quem não tem nada com isso

domingo, 27 de fevereiro de 2005

sobre castelos

foi embora.
nem dera tempo de contar sobre duelos e dragões.

tampouco mostrar meus tesouros tão guardados...

nem dera tempo de mostrar o meu final feliz


que nem tinha começado

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

a luz de velas

escuto um ruido na janela
um toc toc escondido no meio daquela chuva

no meio da minha insônia

não entendo muito bem tudo o que ouço
mas acho que é o amor.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

tic tac

5 minutos
se passaram com m u i t o 
e s f o r ç o...
mas couberam tantos 
passos

e momentos - que não existiramque poderia ter visto um ano inteiro passar por meus olhos

5 minutos
eu vi minha família inteira crescer
e as estações mudarem
de cor na minha janela

e eu ainda esperava...
mais 5 minutos
por 5 minutos

sábado, 18 de dezembro de 2004

espelhos

por todas as partes

que te copiam.
te distorcem.
que riem junto contigo.

e mostra como
tua cara é feia
quando chora.

espelhos
que te traduzem
mas que te enganaram.

eu não vejo nada.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

segmentos

I
ele se vingou como queria
esperou o dia certo
a briga feia
e os móveis no chão.

a noite inteira no sofá

estava atrasado pro trabalho e não dava mais tempo pra desejar bom dia

e era tarde demais pra tentar pedir desculpas.


II
o médico me disse que eu tenho um coração bom. 
fiquei mais aliviada mas eu acho que ele se enganou
porque o menino tá chorando...



III
eu ri quando ela me contou. eu nunca acreditei em horóscopo, nem achei que tivesse funcionado quando todos os astros juraram maravilhas.
mas ela insistia em dizer que era a única forma de encontrar esperança diante dos olhos que não fossem os dele.
deixei ela em paz, já fiz isso um par de vezes

quando eu não tinha coragem de acreditar nos olhos dele.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

simples

escolheu e deixou as roupas esticadas sobre a cômoda
não podia deixar amassasse, afinal não queria fazer feio no primeiro encontro
deixara tudo preparado: cheiros e cores (as flores viriam nos olhos dele)

ele podia ligar a qualquer momento


ligou a tv para ver o tempo passar mais rápido
depois até chorou com um filme que passou...


se viu em um mundo meio confuso, meio sem rumo, e correu as boas lábias de um velho amigo. sempre funciona. aquelas sensações estranhas logo foram embora, e logo era hora de dormir.

fechou a porta do quarto e viu aquelas roupas na cômoda, da mesma forma como quando tinham sido deixadas ali a horas atrás
pra não se atrasar

guardou tudo de volta no armário com um sorriso pequeno. e um suspiro

estava (mais uma vez) fechada a frestinha que tentara abrir...
um tanto arrependida sim, e conformada.
nem pensava porque saira tudo errado.
apagou a luz e dormiu.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

letras

no fim da tarde
vou sentar com meu cigarro 
naquela varanda
que me acolhe
recolhe

todos os dias


e deixar meus pensamentos irem embora...



l e n t a m e n t e.... feito


fu...ma...ça...


conquistando as distâncias
até encontrar algum

lugar

onde possam se
e.s.c.r.e.ve.r


enquanto isso descanso
aqui
com meus miolos

no aspiro ...suave... do ...sossego...

da solidão mais repleta de amigos
contos