quinta-feira, 21 de outubro de 2004

era sempre o mesmo

ela sentada na janela, maldizendo o vento que entrava e arrepiava as maçãs de seu rosto.

era o mesmo amor de sempre, aquele velho:
que ora capengava pelas escadas, ora corria pelos jardins.

acho que era outono.
fechou a janela e achou melhor buscar um novo amor


abriu o livro e sorriu:
estava tão perto e nem tinha notado.

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

parte I

ah Maria, as veis tenho vontade de chorar, aquelas de se torcer os beiço mesmo...
só de olhar esse povo fudido em vorta da gente

farta até a poeira pra sacudir dos pé
só não farta aquela secura de dentro do peito
e aquela força meio magra de carregar tudo nas costa

se meu choro molhasse a terra que a gente pisa, mas nem pra isso adianta né...

é por isso que nóis continua...

quarta-feira, 6 de outubro de 2004

tão cegos

os olhos que eu tinha por aquele moço, minha maior ânsia não podia devorar.

mas me livre de dias livres e vazios,
onde eu não quero nem pensar em abrir a geladeira
ou o apetite que dizem que preciso ter

os olhos por aquele moço carregam fardos de dias carregados de um sangue que não se derramava,
mas bem que parecia.

era quando eu deitava e me sentia toda dormente que meus olhos se abriam e queriam procurar quem os fechasse
os matasse
ou calasse simplesmente num suspiro e adormecesse.

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

erassim

era entre dia e outro
coisa e outra
barulho bom de ouvir

era coisa pouca
muita e pouca prosa
palavras de menos que conseguir

era festa e era briga 
ausência escondida 

naquele sincero sorrir

era calor e era cansaço
olhos fechados
e o corpo largado
na luta por resistir

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

22:00

chegara em casa
jogou a bolsa de um lado e se jogou de outro.
sua casa estava cheia de gente que não esperava ver

esperava pelo pijama e cobertas quentes.

quem sabe mais um pouco de paciência?
e lá no meio da sala estava ele com aquele sorriso meiodebochado

nem terminou de cumprimentar os amigos.


aquele dia estava longo demais pra ela.

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

mas eles viram

se não fosse aquela vontade 

prá lá de mazoquista

de ver com aqueles olhos
que a terra há de comer 

tudo o que eu acabava de pensar sobre aquele moço 
bem que eu quereria sair por ai sem rumo 
deixando o vento soprar algumas besteiras pra mim.


ou continuar ali, parada em frente a porta

devidamente trancada

sem praguejar e nem chorar. 
sem sentir nada além de uma surpresa meio mentirosa.


ah, se eu não guardasse tanta bondade eu maldiria aquela família inteira

que eu nem conheço nome.
se não fosse isso eu ia pensar seriamente em partir pra outra


como já me disse aquele um


mas acho que eu não ouvi...

sexta-feira, 27 de agosto de 2004

há tempos

ela folheava poemas antigos
bem aqueles que choravam a saudade dele

a mente lembrava e aboca sorria

o jogo virara

agora era ele quem colecionava lembranças

segunda-feira, 23 de agosto de 2004

meninota

ela sofre daquela mania de acreditar que tudo nessa vida tem jeito

vive saracoteando pra cima e pra baixo com tudo o que pode.
principalmente com a teimosia.

e justamente com o que eu acho que não pode.


mas bem que gosta de brincar por ai, só pra ouvir mais um tico dessas calúnias que ela vive.


ah, ela sossega um dia mãe...há de perder aquela santa paciência!

se é que tem jeito.

quinta-feira, 19 de agosto de 2004

boa noite

então é assim, 

depois de anos resolve aparecer.

entra em casa sem bater, 

senta 

e sente-se à vontade.



peço por sua bondade, favor se retirar...

o hotel acaba de fechar,

e a entrada está fechada indicutivelmente...


e sim meu amor,

exatamente pra você.

terça-feira, 17 de agosto de 2004

com que batom

A menina não tinha do que reclamar...
Mas não era assim aquela vida invejável
Todo dia aquele mesmo mais ou menos...
Decidiu-se.


Levantou, pintou os lábios e foi ... escreveu-os em que linhas...

Era poeta e nem sabia.